20 de dez de 2009

viva!


boas festas, feliz 2010 a todos!



o nãogostodeplágio retorna em 11 de janeiro.


ivo barroso - biobibliografia



Ivo Nascimento Barroso, nascido em Ervália, MG em 25/12/1929, e radicado no Rio de Janeiro. Formado em Direito e Letras, tradutor, poeta, ensaísta e crítico literário.

Obra de tradução:

André Breton, Nadja
André Gide, A volta do filho pródigo, precedido de cinco outros tratados
André Malraux, A condição humana (e prefácio)
Annalisa Cima, Hipóteses de amor (com Alexandre Eulálio)
Arthur Rimbaud, Correspondência (com notas e comentários)
Arthur Rimbaud, Poesia completa (com notas e comentários)
Arthur Rimbaud, Prosa poética: Uma estadia no inferno, Iluminações, Um coração sob a sotaina, Os desertos do amor, Prosas evangélicas (com notas e comentários)
August Strindberg, Inferno (com notas)
Erik-Axel Karlfeldt, Poesias
Eugenio Montale, Diário Póstumo (com introdução e notas)
Georges Perec, A coleção particular
Georges Perec, A vida – modo de usar
Hermann Hesse, Demian (e prefácio)
Hermann Hesse, O lobo da estepe (e prefácio)
Italo Calvino, As cosmicômicas
Italo Calvino, O castelo dos destinos cruzados
Italo Calvino, Palomar
Italo Calvino, Seis propostas para o próximo milênio
Italo Calvino, Todas as cosmicômicas
Italo Svevo, A consciência de Zeno
Italo Svevo, A novela do bom velho e da bela mocinha (com introdução e notas biográficas)
Italo Svevo, Senilidade
Jane Austen, Emma
Jane Austen, Razão e Sentimento
Marguerite Yourcenar, Denário do sonho
Marguerite Yourcenar, Golpe de Misericórdia
Marguerite Yourcenar, O tempo, esse grande escultor
Nikos Kazantzakis, Ascese
Oscar Wilde, Salomé (com introdução e notas)
Peter Newell, O livro do foguete
Romain Rolland, Colas Breugnon
Shel Silverstein, Uma girafa e tanto
T. S. Eliot, O livro dos gatos
T.S. Eliot, Os gatos
T. S. Eliot, Teatro completo 
Umberto Eco, O pêndulo de Foucault
William Blake, O casamento do céu e do inferno (com introdução e notas)
William Shakespeare, 30 sonetos (e prefácio)
William Shakespeare, 42 sonetos (e prefácio)

Organização:
Agenor Soares de Moura, À margem das traduções
Charles Baudelaire, Poesia e prosa
Edgar Allan Poe, O Corvo e suas traduções
Vários autores, O torso e o gato (antologia de poemas traduzidos)

Obra própria:
A caça virtual e outros poemas
Caixinha de música
Nau dos náufragos
Poesia ensinada aos jovens
Visitações de Alcipe

Entrevistas:
Entrevista de Ivo Barroso a Rodrigo de Souza Leão
Ivo Barroso, um tradutor de obras completas
Ivo Barroso
A mais completa tradução
Dobras do corpo, dobras do tempo: Jornal Poesia Viva, n. 12

foto: via cosac

19 de dez de 2009

presente


que legal, a cosac botou o suplício do papai noel do lévi-strauss disponível para download gratuito* até dia 04/01. tradução desta que vos escreve.

* é o n. 4 no cabeçalho móvel do site da cosac.

tradutores no youtube


o portal sesc sp está colocando no youtube as nove tertúlias tradutórias organizadas por tiago novaes, que se realizaram de setembro até domingo passado, no sesc pompeia. além do youtube, seguem os links da tvaovivo cobrindo as apresentações:

mamede jarouche sobre as mil e uma noites
- leonardo fróes sobre virginia woolf
- modesto carone sobre kafka
sergio molina sobre cervantes
josé rubens siqueira sobre coetzee
- eric nepomuceno sobre garcia márquez
paulo bezerra sobre dostoiévski
- ivan junqueira sobre baudelaire
- boris schnaiderman sobre tolstói (sem link na tvaovivo, mas já disponível no youtube)

muito legal!

18 de dez de 2009

declaração

reproduzo declaração postada em não gosto de plágio:

"Na qualidade de advogada de Caroline Kazue Ramos Furukawa, vimos confirmar todas as afirmações anteriores e dizer que estamos certas de que nos procedimentos que ajuizaremos para o caso, a responsabilidade será esclarecida.
Ana Maria Dolce Braga de Oliveira"

o nãogostodeplágio atendeu às solicitações feitas por ambas as partes e, no que se refere ao caso específico em pauta, crê estar encerrado o papel que lhe compete de assegurar livre direito de resposta das pessoas, empresas e instituições mencionadas. a partir de agora, reserva-se o direito de silenciar sobre assuntos em andamento na esfera judicial, e que julga de seu dever deixar reservados à instância competente.

lembra?



o jornalista e tradutor wladir dupont estreia lembra?, blog de memória, ficção e cultura.
muito legal, texto bonito, temas simpáticos. sucesso e vida longa!

o nãogosto agradece a menção, embora meio exagerada.

notícia

teotônio simões, que mantém o site ebooksbrasil, deixou comentário em não gosto de plágio, que reproduzo aqui:

"Absurdo! Absurdo Total!

A ABDR solicitou a retirada de A Cidade Antiga (1864) , de Fustel de Coulanges (1830-1889), tradução de Frederico Ozanan Pessoa de Moraes, da estante virtual do eBooksBrasil.org no Scribd. Absurdo! A obra é de dominio público e a tradução publicada foi autorizada pelo tradutor. Absurdo! Entrei em contato com a ABDR e fui informado que estaria ferindo direitos autorais da Martin Claret! Absurdo! O Frederico nunca autorizou sua tradução para a Martin Claret!... e na Martin Claret me informaram que não estariam mais (sic) usando a tradução de Frederico Ozanan Pessoa de Barros. - A tradução, AUTORIZADA pelo tradutor, continua disponível no eBooksBrasil.org.
Teotonio Simões - eBooksBrasil"

livro de qualidade


deu no blog do galeno, brasil que lê: "leitor quer livro de qualidade". é isso aí.

o nãogostodeplágio agradece a menção.


imagem: lendo

balanço de 2009

nessa luta contra os plágios de tradução, o ano de 2009 trouxe mais alguns resultados:
- ressarcimento moral e editorial a hernâni donato, com o lançamento de nova edição da divina comédia pela editora nova cultural.
- determinação do ministério público federal à agência brasileira do isbn/fbn, para remoção de fichas cadastrais da editora martin claret, com créditos de tradução a "pietro nassetti" e outros em obras portuguesas e brasileiras.
- instaurado inquérito civil, pela promotoria de defesa do consumidor, contra fraudes da editora martin claret, a partir de iniciativa de joana canêdo junto ao ministério público.
- instaurado inquérito criminal, pela procuradoria do estado, contra fraudes da editora martin claret, a partir de iniciativa de joana canêdo junto ao ministério público.
- determinada pelo ministério público estadual instauração de inquérito criminal contra fraudes da editora martin claret.
- instaurado inquérito criminal pelo ministério público estadual contra fraudes do selo jardim dos livros, pertencente ao grupo geração.
- instaurado inquérito criminal pelo ministério público estadual contra fraudes da editora landmark.
- instaurada diligência do ministério público estadual junto à universidade de são paulo pela facilitação de venda de produtos falsificados durante feiras do livro sob a égide e no recinto da referida instituição de ensino.
- solicitada interpelação do ministério público estadual junto à associação nacional de livrarias e a grandes livrarias brasileiras para cessação de venda das obras plagiadas sob inquérito.
- instaurada diligência interna do ministério público federal para avaliação de danos ao patrimônio imaterial causados pela editora martin claret em plágios de traduções feitas por monteiro lobato.
- encaminhado pedido de representação ao ministério público estadual do rio de janeiro contra publicação e venda de obra espúria pela ediouro.
- encaminhada ao ministério da cultura proposta de licenciamento social de obras de tradução órfãs, abandonadas e esgotadas.
- multiplicação de apoio e divulgação do combate a plágios de tradução em canais da mídia impressa e digital.
- informe privado de carolina caires coelho sobre uso indevido de seu nome e sua solicitação à editora responsável para adoção de medidas corretivas.
- comunicado privado da editora rideel, por meio de seu diretor comercial, sobre retirada de catálogo e circulação de obras comprovadamente espúrias e outras que a empresa considerou passíveis de suspeita.
- informe público de caroline ramos furukawa, por meio de sua advogada, sobre uso indevido de seu nome e medidas legais em relação à editora responsável.
- comunicado público da editora madras, por meio de seu diretor jurídico, sobre retirada de catálogo e de circulação de obras comprovadamente espúrias e tomada de providências para apuração de responsabilidades.
- maior frequência e regularidade de atribuição dos devidos créditos de tradução de obras anunciadas e recenseadas na imprensa.
- maior atenção concedida ao problema dos plágios em palestras e mesas redondas referentes a temas de tradução.
- declaração de membros da comissão de seleção de livros para o programa mais cultura de estar cientes e atentos ao problema dos plágios de tradução e das editoras que lançam mão de tal procedimento.
- autorização dos titulares dos direitos de reprodução do discurso do método na tradução de jacó guinsburg e bento prado jr. para digitalização e disponibilização online da obra.
- retirada do plágio da referida obra, em nome de "enrico corvisieri", publicado pela ed. nova cultural, do site do domínio público do mec e do portal ideia da ufrgs.
- retirada da biblioteca virtual da ufrgs (portal ideia) de todas as referências e arquivos relativos a plágios comprovados de tradução.



imagens: basta, luto

17 de dez de 2009

comentário

uma visita deixou um comentário interessante no blog. envolve questões delicadas e, como não posso assumir a responsabilidade de divulgá-lo por falta de dados suficientes, tive por bem não o publicar. por outro lado, não vejo por que a notícia haveria de ser um factoide e, de qualquer forma, pode-se tomá-la como uma espécie de parábola, com boa matéria para reflexão. reproduzo aqui o principal de seu conteúdo.
Comprei o livro A da editora B, para fazer meu trabalho de conclusão do curso e, para minha surpresa, havia vários erros de concordância, de tradução e de digitação. Enviei um e-mail para o sr. X, alertando-o do problema, mas não obtive resposta. Fiquei realmente indignada, pois comprei o livro e gostaria de ter podido usá-lo para o embasamento do meu trabalho... Resumindo: fui ao tribunal de pequenas causas e, na audiência conciliatória, a editora não quis nenhum acordo. Vamos, então, para a próxima etapa: audiência de instrução e julgamento.
não conheço a edição específica que a comentarista mencionou e não me cabe julgar do mérito ou demérito da questão. mas achei fenomenal a iniciativa da moça. se cada leitor que comprasse um livro com vários erros de revisão, digitação e tradução resolvesse reclamar, fosse devolver na livraria ou, como no relato acima, fosse ao tribunal de pequenas causas, creio que em seis meses ou, no máximo, um ano todos poderíamos contar com uma qualidade editorial imbatível no país.
 
a meu ver, por todos os lados que se olhe a questão, a moça estaria coberta de razão: moralmente, civicamente, culturalmente, economicamente, juridicamente. belo exemplo - e, se non è vero, è ben trovato.

em tempo: o material divulgado neste blog é público e pode ser livremente utilizado segundo a licença creative commons.
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16 de dez de 2009

regulamentos, resposta

em relação ao episódio da inscrição e seleção de obra póstuma ao arrepio do regulamento da fbn, recebi hoje a seguinte mensagem:
"Prezada Denise:
envio abaixo resposta a seu texto, encaminhada pela Coordenação Geral do Livro e Leitura da FBN.

Acatamos a sugestão da senhora Denise Bottmann. Entretanto em nossa defesa podemos dizer que nesta primeira versão na qual o segundo e terceiro lugares são divulgados, as obras são apenas citadas, não havendo nenhum tipo de remuneração ou troféu para os classificados. Entendemos que os jurados quiseram destacar uma obra de grande valor que só recentemente foi publicada.

Cordialmente,
Jean Souza
Fundação Biblioteca Nacional - Assessoria de Imprensa"

confio em nossas instituições. se tanto chio e reclamo, é porque acredito nelas e acredito que como cidadãos podemos e devemos contribuir em alguma pequena medida para o aprimoramento delas. a receptividade às críticas, demonstrada pela mensagem acima, leva-me a crer que não é uma confiança infundada.

15 de dez de 2009

comunicado

transcrevo abaixo o comunicado do diretor jurídico da editora madras, publicado em comentário a solicitação:

MADRAS EDITORA LTDA, vem pleitear seu direito de ampla defesa, pois vem sendo acusada de fatos inverídicos. Ao longo de sua história empresarial, a Madras Editora nunca sofreu qualquer acusação de violação a direitos autorais, ou mesmo, em questões atinentes a tradução.

No caso, em tela, as três obras já citadas, foram editadas, em quanto a Sra. Caroline Furukawa era EDITORA ASSISTENTE. Neste caro, era Caroline Furukuwa a responsável pela aquisição de obras estrangeiras, bem como, por todo processo de tradução. Inclusive, ela mesmo assinou algumas obras, pois se auto intitulava a tradutora das obras, como ocorre nestes casos. MADRAS EDITORA LTDA, de fato, recebeu uma notificação das advogadas de Caroline, o que foi contra-notificado, prontamente.

A MADRAS EDITORA LTDA, editou as três obras Origem das Espécies, Seleções de Flavius Josephus e Cabana do Pai Tomás, porem, desconhece qualquer plágio. Caroline Furukawa pleitou a tradução, tanto é,m que lhe foi dado os devidos créditos no copyright das obras. A época, caroline Furukawa exigiu que seu nome saisse como tradutora, pois alegava ser sua as respectivas traduções. A MADRAS EDITORA não tem qualquer responsabilidade sob estas traduções. Tanto é, que Caroline Furukawa não reclamou anteriormente ao BLOG, só questiona a autoria da tradução depois da denúncia, até então, estas obras constavam em seu curriculum profissional.

Importante frisar que, esta sob a responsabilidade da Sra. Caroline Furukawa, toda as questões atinentes a tradução, como Editora Assistente.

A MADRAS EDITORA LTDA já está tomando uma série de providências, para averiguar a denúncia de plágio, seja no sentido reter a circulação das obras em questão, seja num sindincância administrativa para apurar responsabilidades.

Destarte, a MADRAS EDITORA LTDA já tomou as seguintes providências:

a)Excluiu-se a divulgação em nosso site oficial, as referidas obras;

b)Esta promovendo a solicitação e retirada das obras de todo mercado livreiro, ressaltando que as obras, se encontram em circulação por todo país, o que pode vir demandar certo lapso temporal. Tão logo, sejam recolhidos os exemplares das três obras, em sua totalidade, serão lacrados, até que seja esclarecido este impasse. Convidou, na respota da notificação, as procuradoras e advogadas de Caroline para participar deste procedimento, inclusive, no ato em que serão lacradas as caixas, com os livros.

c) O departamento editorial já determinou a realização de apuração de quantos exemplares existem em estoque e consignados.

Assim, fica evidente que, a Madras Editora vem cumprir sua responsabilidade empresarial e social, afim de apurar. Desde já, requer que não seja mais veiculados o nome desta empresa e de seu diretor, nos assuntos referentes a estes casos, pois estam sub judice.

DOUGLAS GARCIA NETO
DIRETOR JURÍDICO
MADRAS EDITORA LTDA

mutatis mutandis

A Casmil é acusada de adicionar peróxido de hidrogênio (água oxigenada) ao leite, substância que disfarça más condições sanitárias de conservação e transporte, enganando os compradores.
O peróxido de hidrogênio pode causar a redução do seu valor nutricional. Quem a ingere pode ter dores de estômago e até morrer, dependendo da concentração.
As cooperativas, segundo a procuradoria, usavam até soda cáustica.
 


Na verdade, o que se precisa mesmo é derrubar a cultura da fraude. (Celso Velloso)

14 de dez de 2009

regulamentos

só tenho elogios a fazer sobre os prêmios literários que a fundação biblioteca nacional atribui anualmente a várias categorias, entre elas a de tradução, com o prestigioso prêmio paulo rónai.

neste ano, o regulamento para a inscrição dos interessados lançou uma novidade: o concurso estava aberto apenas a pessoas físicas, e a inscrição só poderia ser feita diretamente pelo autor, tradutor ou designer, sem intermediação da editora que a houvesse publicado.
"2. Da inscrição: [...]
2.3. As obras deverão ser inscritas exclusivamente pelo autor, tradutor ou autor de projeto gráfico, de acordo com cada categoria. [...]
2.16 A inscrição no presente Concurso implica a aceitação, pelo candidato, das normas deste Edital."

havia a ressalva explícita:
"6. Das Disposições Gerais
6.1. A falta do cumprimento de qualquer exigência deste regulamento acarretará a automática eliminação da obra concorrente."

aparentemente as regras são claras. no entanto, não só foi aceita a inscrição, como foi selecionada entre os três finalistas uma obra de tradução cujo autor faleceu mais de vinte anos atrás. trata-se de o percevejo, de maiakóvski, traduzido por luís antonio martinez corrêa (1950-1987) e publicado pela editora 34.

não conheço a obra em questão, mas tenho a mais absoluta confiança de que é ótima, com cotejo e posfácio do grande mestre boris schnaiderman, e publicada por uma editora de alto nível como é a 34. tenho plena convicção de que mereceria um prêmio especial de homenagem póstuma em reconhecimento a este trabalho.

o que não entendo é por que, aparentemente, sua inscrição foi feita e aceita ao arrepio do regulamento à primeira vista tão claro e inequívoco.

tampouco entendo por que a comissão organizadora do concurso, perante um caso assim, não poderia criar ad hoc uma solução mais adequada, sem ferir a letra do regulamento do concurso. aparentemente, apenas a comissão julgadora, já a jusante do processo, é que teria consignado em seu parecer que se tratava de uma homenagem póstuma.

em meu humilde entender, a fbn perdeu uma excelente ocasião de prosseguir em seu trabalho de valorização do labor intelectual envolvido no ofício tradutório. que se multipliquem os prêmios! que se homenageem os póstumos! que se reconheça o valor de todos que merecem reconhecimento! mas que não se enquadre num certame, à força ou com rodeios, algo que é vetado por seu regulamento. vamos fazer as palavras valerem, e que a letra morta possa ser letra viva.

se a fbn não quiser reparar esta questão agora, por exemplo atribuindo extemporaneamente um prêmio especial a luís antonio martinez corrêa, parece-me indispensável que pelo menos se comprometa a aprimorar seus futuros regulamentos - contemplando, por exemplo, a especificação "ou seus sucessores legais" - e se empenhe em manter inabalada a credibilidade deste certame tão importante para a vida cultural do país.

solicitação

dra. ana maria dolce braga enviou uma solicitação em comentário a não gosto de plágio, que reproduzo abaixo:

"Na qualidade de advogada de Caroline Kazue Ramos Furukawa, vimos silicitar o seguinte:

Na indicação das obras: A origem das Especies e a Seleção Natural de Darwin; A cabana do Pai Tomás de Harriet Beecher Stowe e Seleções de Flavius Josephus, de Flávio Josephus acusadas de plágio,que seja retirado o nome de Caroline Kazue Ramos Furukawa, como sendo a tradutora, para evitar prejuízos que a ela estão sendo causados, em face da divulgação do referido fato nesse blog."

em 10/12, no post informe, este blog divulgou um comunicado de dra. ana maria dolce braga, esclarecendo que a atribuição dos créditos de tradução de tais obras à sua cliente é indevida e que estaria tomando providências judiciais junto ao responsável pelo uso indevido de seu nome. o nãogostodeplágio se prontifica a colaborar da melhor maneira que estiver a seu alcance para o respeito na forma da lei aos direitos morais dos praticantes do ofício de tradução, aos direitos dos leitores e cidadãos às informações corretas sobre as obras de tradução, e aos interesses difusos da sociedade no acesso e preservação dos bens intelectuais, sem qualquer intenção de causar prejuízos imotivados a quem quer que seja. dentro deste espírito e em atendimento à solicitação da sra. caroline ramos furukawa por meio de sua representante legal, as menções a seu nome serão excluídas e substituídas por links direcionando para seus esclarecimentos públicos.

cabe ressalvar que em momento algum este blog acusa ou acusou a pessoa de caroline kazue ramos furukawa de qualquer conduta ilícita ou de plágio. aqui encontra-se publicada a apresentação de materiais apontando a existência de obras espúrias publicadas pela editora madras, as quais trazem a menção a seu nome como autora das traduções, conforme os dados editoriais constantes nos volumes impressos à disposição dos leitores, nos catálogos e acervos da fundação biblioteca nacional e, no caso de a origem das espécies e a seleção natural, na própria ficha catalográfica da cbl. estes são fatos objetivos que demandam urgente correção. o nãogostodeplágio torce vivamente para que a editora responsável retire de circulação os exemplares das obras falsificadas, divulgue uma errata pública para esclarecimento dos leitores e da sociedade em geral e proceda ao ressarcimento dos lesados por tais práticas.

passa passa três vezes

conversei com o sr. paulo matos peixoto, da antiga matos peixoto, da extinta paumape e da germape. muito atencioso, informou-me gentilmente que vendeu a germape em 2005 para a empresa gráfica prol. afirmou conhecer a empresa cedic, a qual, esclareceu ele, opera pelo sistema creditista (isto é, venda domiciliar). declarou jamais ter cedido ou negociado com a cedic os direitos autorais para a publicação de sua obra atentado a napoleão e tampouco os direitos sobre suas notas e introduções a várias obras de tradução. ressaltou ainda que não transferiu para a prol e muito menos para a cedic nenhum dos direitos sobre as traduções adquiridas por suas antigas editoras, e declarou ignorar se há alguma relação entre a prol e a cedic.

quanto a vieira neto, responsável por várias traduções de jules verne publicadas pela matos peixoto, reeditadas pela hemus, pela germape e agora pela cedic e pela leopardo, tratar-se-ia de um antigo amigo seu, já falecido. quanto a gilson césar de souza, tratar-se-ia de um conhecido tradutor do grego e outras línguas, ainda em atividade. finalmente, quanto a dois outros tradutores que assinam traduções no catálogo da germape, a saber, henry dualib e hillary dias, não foi possível obter nenhuma informação.

imagem: passa-passa

13 de dez de 2009

ivo barroso - itinerários VII



UM CASAMENTO ENCRUADO

Para encerrar definitivamente a história dos cadernos, tiro do fundo da gaveta um esmaecido 16x11 “De Luxe” Nº 15 – Pautado, adquirido na antiga Casa Cruz do Rio de Janeiro em 1948, cuja primeira página me faz sorrir ante a pretensiosa inscrição: Cahier de Voyage. Explico: meu pai achava que meu curso de Neo-latinas (na então chamada Faculdade de Filosofia) era incompatível com as esperanças que a cidade nutria em relação à sua descendência; donde ele, farmacêutico, querer um filho médico, advogado ou militar. Os militares estavam em alta (inclusive em termos salariais) e, para atender aos desígnios paternos, me inscrevi naquele ano nos vestibulares das Escolas Militar, Naval e da Aeronáutica. Uma oportuna (?) miopia salvou-me dos quartéis, dos conveses ou das asas fabianas – reprovando-me no exame médico das três. Até o novo ano letivo, lá estavam as sonhadas, as benditas férias no interior de Minas, onde meu pai continuava a manter sua farmácia apostolar, vocacional, beneficente. Parti, levando o caderninho.

Nele encontro, com data de Rio, 8 [1949]: "Em grandes preparativos para embarcar. Vence o prazo do livro de Blake e tenho de copiar aqui seus provérbios para terminar sua tradução em Minas”. Seguem-se, numa letrinha caprichosa, que fui perdendo ao longo do tempo, os 70 “Provérbios do Inferno”, parte capital de The Marriage of Heaven and Hell, de William Blake. Como cheguei a esse livro? Por essa época, havia descoberto Gide (Trozos escogidos, em espanhol) e comecei a ler tudo dele numa edição de luxo, feita na Suíça, e existente na Biblioteca Nacional. Lá pelas tantas, Gide fala em Blake como sendo a quarta estrela de uma constelação composta por Nietzsche, Dostoiévski e Browning, e cuja leitura o levou a traduzir Le Marriage du Ciel et de l´Enfer, em 1922. Fui atrás do original, que encontrei na Biblioteca do IPASE (excelente à época, tinha todos os livros da Modern Library) e levei de empréstimo para casa, reformando o pedido várias vezes, pois meti-me na cabeça que o devia traduzir. Comecei a tentar com um ou outro dos provérbios, sem avançar muito, mas, como ia de férias, o recurso foi copiá-los para acabar a tradução em Minas.


Eis minha primeira tentativa de traduzir um livro completo; já havia conseguido traduzir sonetos e até pequenos poemas, do espanhol e do francês, mas nunca um livro inteiro, tarefa que me parecia impossível. E foi, no caso de Blake, pois ficou apenas no caderno de viagem. De volta das férias, voltei também a Gide, encantei-me com o Retour de l´Enfant Prodigue, e igualmente cismei de traduzi-lo. Logo no início, a expressão “comme un donnateur au coin du tableau” me botou nocaute durante muito tempo, até que recorri a Otto Maria Carpeaux (li numa entrevista que ele respondia a todas as cartas, escrevi-lhe), que me esclareceu sobre os mecenas medievais que, por devoção, pediam aos pintores que os colocassem ajoelhados a um ângulo do quadro. Também este foi um projeto arrastado, produtor de rascunhos hieroglíficos, abandonado e retomado várias vezes, que só se realizou em 1984, ao ser editado pela Nova Fronteira.

O Casamento ficou por muito tempo no namoro. Em fases sucessivas, fui tocando os provérbios até traduzi-los todos. Mas não conseguia vencer a barreira das “visões memoráveis” e o projeto adormeceu na comodidade dos rascunhos. Em 1956, apareceu a tradução de Oswaldino Marques, e achei que Blake tinha caído no “domínio do público” e não valia mais a pena ser tratado como “a quarta estrela” gideana. Ao longo do tempo foram aparecendo As Núpcias, O Matrimônio, o Enlace, a Aliança, a União e até – em Portugal, é claro – A Conjunção (do Céu e do Inferno), o que me dava a impressão de que a prosa direta e visionária de Blake estava passando por processos de retocagem gongórica, sofrendo um empolamento bombástico capaz de fazê-la perder seu impacto subversivo e contestador. Good-bye, Blake!

No ano passado, recebi um convite da Editora Hedra (leia-se Bruno Costa), de S. Paulo, para traduzir o Jerusalém, de William Blake. Desculpei-me, dizendo que, com o 3º volume da Obra Completa de Rimbaud (Correspondência), eu dava por encerrada minha “carreira” de tradutor e ia tratar de fazer um segundo livrinho de versos meus (o primeiro, A Caça Virtual e outros poemas, havia aparecido em 2001). Como alternativa, aceitei fazer o prefácio para Sagas, uma coleção de contos de Strindberg, autor da minha mais franca predileção. Mas o convívio com a Editora, que esperava ainda lançar uma tradução minha, fez com que, de pura brincadeira, eu lhes propusesse casamento. Sim, seria, desta vez, o Casamento sem rebuços, sem berloques, sem firulas. Blake restituído à sua prosa agressiva, contestatória, modernamente poética. Teríamos o fechar de um ciclo: o primeiro livro que sonhei traduzir seria o último a ser traduzido por mim. E assim foi. # FIM #

IVO BARROSO

12 de dez de 2009

programa para domingo

traduzindo tolstói, palestra de boris schnaiderman no sesc pompeia, domingo agora, às 6 da tarde, com transmissão ao vivo e tudo.

veja a matéria na cult online.



imagem: prokudin-gorski, tolstói, via cult online.

leitura



o grande lançamento dos últimos tempos, sem dúvida nenhuma, é a correspondência completa de rimbaud: "Tradução, notas e comentários são do poeta Ivo Barroso, um rimbaudiano devotado que conclui assim o trabalho de verter para o português as obras completas de Rimbaud, formadas ainda pelos volumes Poesia completa e Prosa poética lançados também pela Topbooks. Encerrado o trabalho, iniciado em 1972 com a tradução de Uma estadia no inferno, Barroso vai doar sua biblioteca de e sobre o poeta para o Centro Cultural Banco do Brasil.", in o globo, cultura.

11 de dez de 2009

cebelices

o jornalista e editor a. p. quartim de moraes publicou no estadão mais uma na ferradura, matéria inteligente e lúcida sobre problemas de fundo das entidades do mundo do livro, apontando entre outras coisas o perfil pouco representativo da cbl.

flanela paulistana, um dos blogs de jornalismo independente mais alertas e de mira mais certeira que conheço, desdobrou em câmara da mãe joana alguns importantes aspectos da matéria de quartim de moraes.

descontando o título

deu na publishnews de hoje:

Tradução de elite
Valor Econômico - 11/12/2009 - Por Cadão Volpato (link para assinantes)

"Traduzir é frequentar esferas desconhecidas, entregar o cérebro ao inesperado", diz Heloisa Jahn, tradutora dos poemas de Jorge Luis Borges e também editora da Companhia das Letras, o que lhe dá uma dupla compreensão desta profissão árdua, nem sempre bem remunerada e quase invisível que é a tradução literária.  Ao menos a melhor tradução literária do país, composta por uma espécie de apaixonado pelotão de elite, que vai dos tradutores do russo aos que vertem o espanhol e o inglês, sempre com enorme sensibilidade. As dificuldades são enormes, a autocrítica é pesada: "Tradutores gostam de enxergar defeitos e apontar as imperfeições no próprio trabalho", afirma o também editor e tradutor da Cosac Naify Paulo Werneck. Como se não bastasse, as melhores traduções costumam ser aquelas em que não notamos a mão do tradutor. "Boa tradução é aquela que você não percebe que é tradução. Ou fica parecido a filme dublado. Não: o que busco é que o leitor sinta que o livro foi escrito no português do Brasil", defende o escritor Eric Nepomuceno, às voltas com uma verdadeira pedreira tradutória, o romance O jogo da amarelinha, de Julio Cortázar.

paulo rónai 2009

que maravilha, saíram os nomes dos ganhadores do prêmio paulo rónai de tradução, da fbn.



o primeiro lugar ficou com erick ramalho, com poemata, os poemas em latim e grego de john milton, pela tessitura.


paulo werneck ganhou o segundo lugar com zazie no metrô, de raymond queneau, pela cosac.





o terceiro prêmio foi para luiz antônio martinez corrêa, com o percevejo, de maiakóvski, pela 34.






veja aqui a relação completa dos prêmios da fbn.

10 de dez de 2009

bastidores

a propósito de um comentário que um leitor deixou em (anti)referências bibliográficas:

"[...] será que não seria bom você ouvir tradutor e editora antes de publicar os posts? Há mais coisas entre tradutor e bastidores de editoras do que você imagina..."

gostaria de esclarecer uma vez mais a linha que norteia o nãogostodeplágio:

informe

reproduzo neste post o comentário feito à postagem não gosto de plágio:

"Ana Maria Dolce Braga de Oliveira, advogada:

A propósito das supostas acusações de plágio das traduções das obras: A Origem das Especies e a Seleção Natural de Darwin; A Cabana do Pai Tomás de Harriet Beecher Stowe e Seleções de Flavius Josephus, de Flávio Josephus, apontadas por este blog, a signatária, representante dos interesses de Caroline Kazue Ramos Furakawa, esclarece que não realizou quaisquer trabalhos de tradução das referidas obras e que está tomando as providencias judiciais contra a Editora Madras pelo uso indevido de seu nome."

a premiação da apca


a associação paulista de críticos de arte escolheu como melhor tradução de 2009 o trabalho de augusto de campos, traduzindo august stramm, poemas-estalactites, pela editora perspectiva.

a lista completa da premiação está aqui.

9 de dez de 2009

marco civil

atenção, termina esta semana a primeira fase de consulta pública sobre o marco civil da internet.

leia, acompanhe, dê sua opinião: http://culturadigital.br/marcocivil/consulta/


(anti)referências bibliográficas

as obras estão classificadas por editoras, e entre parênteses constam os nomes a que vem indevidamente atribuída a autoria das traduções, em verdade da autoria de terceiros esbulhados.

ABRIL CULTURAL 
boccaccio, o decamerão (torrieri guimarães)

BEST SELLER (selo do Grupo Record)
jane austen, orgulho e preconceito (enrico corvisieri)

BOITEMPO EDITORIAL
fedor dostoiewski, a árvore de natal de cristo (isa tavares)
istván mészáros, a teoria da alienação em marx (isa tavares)
máximo gorki, sonho de uma noite de natal (isa tavares)
perry anderson, as antinomias de gramsci (paulo césar castanheira)
perry anderson, nas trilhas do materialismo histórico (isa tavares)
slavoj zizek, lacrimae rerum (isa tavares)

BIBLIEX
george orwell, 1984 (luiz carlos carneiro de paula)

CEDIC
dante alighieri, a divina comédia (anônimo)
edgar allan poe, contos e histórias (anônimo)
herman melville, moby dick (leonor de medeiros)

CENTAURO
hitler, minha luta (klaus von puschen)
leontiev, o desenvolvimento do psiquismo (rubens eduardo ferreira frias/ hellen roballo)
marx, a questão judaica (silvio donizete chagas)
nietzsche, a origem da tragédia (joaquim josé de farias/ peter klaus ivanov)
nietzsche, minha irmã e eu (rubens eduardo ferreira frias)
suchodolski, a pedagogia e as grandes correntes filosóficas (rubens eduardo ferreira frias)

CÍRCULO DO LIVRO
boccaccio, o decamerão (torrieri guimarães)
dostoiévski, os irmãos karamázovi (enrico corvisieri)

CLUBE DO LIVRO
qualquer obra que traga nos créditos "tradução especial de xxx" ou "tradução feita por xxx especialmente para o clube do livro", em particular as que constam em nome de josé maria machado. vide aqui.

COLEÇÃO FOLHA "LIVROS QUE MUDARAM O MUNDO"
ch. darwin, a origem das espécies (eduardo nunes fonseca)
karl marx, o capital (ed. condensada) (além de problemas na atribuição de tradução, há falsa atribuição de autoria do próprio original - o autor é gabriel deville, e a obra se chama o capital de karl marx)
rené descartes, discurso sobre o método e princípios da filosofia (volume duplo - desrecomendada por problemas de atribuição de tradução especificamente a segunda obra, princípios de filosofia)

CULTRIX
edgar allan poe, "o escaravelho de ouro" in histórias extraordinárias (josé paulo paes)

DERIVA
albert camus, os justos (robson dos santos)
bertold [sic] brecht, o casamento do pequeno burguês (césar santos)
jean genet, as criadas (roberto medeiros porto)
jean-paul sartre, entre quatro paredes (roberto de almeida)
[ver a retratação da editora aqui]

EDIBOLSO (extinta)
edgar allan poe, histórias extraordinárias (sandro pivatto; luiza lobo)

EDIOURO
ch. darwin, a origem das espécies (eduardo nunes fonseca)
émile zola, germinal (eduardo nunes fonseca)
fustel de coulanges, a cidade antiga (eduardo nunes fonseca e jonas camargo leite)

ESCALA
nietzsche, assim falava zaratustra (ciro mioranza)

GERMAPE (extinta)
edgar allan poe, contos e histórias (henry dualib - cf. fbn/isbn)
herman melville, moby dick (leonor de medeiros)

GERMINAL
d. h. lawrence, mulheres apaixonadas (felipe padula borges)
g. k. chesterton, o homem que foi quinta-feira (vera lúcia rodrigues)
goncharov, oblomov (juliana borges)
hermann brock [sic], os sonâmbulos (wilson hilário borges)
ignazio silone, a semente sob a neve (wilson hilário borges)
isaac b. singer, o escravo (juliana borges)

outros títulos lançados pela germinal, que não cheguei a cotejar, mas que despertam muita desconfiança são:
arthur koestler, ladrões na noite (juliana borges)
arthur koestler, o iogue e o comissário (não descobri)
arthur koestler, chegada e partida (juliana borges)
saul bellow, a vítima (juliana borges)
james agee, morte na família (juliana borges)
gustave glotz, história econômica da grécia (vera lúcia rodrigues)
sinclair lewis, o nobre senhor kingsblood (juliana borges)
fenimore cooper, o último dos moicanos (vera lúcia rodrigues)
gustave flaubert, salambô (não descobri)
luigi pirandello, a excluída (wilson hilário borges)
ver aqui

H. GARNIER
charles dickens, as aventuras do sr. pickwick (k. d'avellar)
edgar allan poe, novellas extraordinarias ("traducção brasileira")

outros títulos que não cheguei a cotejar, mas que despertam muita desconfiança, são todos os que trazem créditos de tradução em nome de "k. d'avellar", "r. d'avellar" e suas variantes com um "l" só.

HEMUS (atualmente, selo da Editora Leopardo)
boccaccio, o decamerão (torrieri guimarães)
darwin, a origem das espécies (eduardo nunes fonseca)
descartes, princípios de filosofia (torrieri guimarães)
émile zola, a besta humana (eduardo nunes fonseca)
émile zola, germinal (eduardo nunes fonseca)
fustel de coulanges, a cidade antiga (jonas camargo leite e eduardo nunes fonseca)
nietzsche, assim falava zaratustra (eduardo nunes fonseca)
omar khayamm, rubaiyat (torrieri guimarães)

ÍCONE
hegel, princípios da filosofia do direito (norberto de paula lima)

ITATIAIA
charlotte brontë, jane eyre (waldemar rodrigues de oliveira)
voltaire, zadig (galeão coutinho, em espantosa difamação de um intelectual sério e respeitável)

JARDIM DOS LIVROS (atualmente, selo do Grupo Geração)
john d. crossan, o essencial de jesus (pedro h. berwick)
roderick anscombe, a vida secreta de laszlo, conde drácula (pedro h. berwick)
sun tzu, a arte da guerra (nikko bushido)
thomas cleary, o essencial do alcorão (pedro h. berwick)

LANDMARK
emily brontë, o morro dos ventos uivantes (ver retificação)
jane austen, persuasão (fábio cyrino)

MADRAS
charles darwin, a origem das espécies *
flavius josephus, seleções *
harriet b. stowe, a cabana do pai tomás *
marco aurélio, meditações *
nietzsche, a origem da tragédia**

* atualizado em 10/12/2009: ver informe ; atualizado em 14/12/2009: ver solicitação ; atualizado em 15/12/2009: ver comunicado
** atualizado em 21/08/2010: ver comunicado

MARTIN CLARET - bizarrices tradutórias (fbn/isbn)
bocage, sonetos (pietro massetti)
eça de queiroz, o primo basílio (pietro nassetti)
gil vicente, a farsa de inês pereira (pietro nassetti)
gil vicente, o velho da horta (juan gonçalves)
gladstone chaves, a língua e o estilo de rui barbosa (jean melville)
jaime cortesão [sic], a carta de pero vaz de caminha (pietro nassetti)
josé de alencar, a encarnação (pietro nassetti)
machado de assis, contos fluminenses (marcellin talbot)
machado de assis, papéis avulsos (marcellin talbot)
machado de assis, quincas borba (pietro nassetti)
machado de assis, ressurreição (alex marins)
ricardo reis [fernando pessoa], poesia de ricardo reis (marcellin talbot)
tomás gonzaga, marília de dirceu (pietro nassetti)

obs.: no caso dessas bizarrices da editora martin claret cadastradas na agência nacional do isbn/ fbn, a procuradora dra. ana padilha, do ministério público federal, determinou que fossem tomadas as devidas providências. tais excrescências foram removidas a partir de agosto de 2009.

MARTIN CLARET - "tradutores" sortidos
[há vários casos de discrepância entre o registro no isbn/fbn e o exemplar impresso]
aristófanes, lisístrata e as vespas (john green)
ch. dickens, cântico de natal (john green)
conan doyle, memórias de sherlock holmes (john green)
darwin, a origem das espécies (john green)
dostoievski, os irmãos karamazovi (alexandre boris popov)
kant, crítica da razão prática (rodolfo schaefer/leopoldo holzbach)
kant, crítica da razão pura (rodolfo schaefer/alex marins/pietro massetti)
kant, fundamentação da metafísica dos costumes e outros escritos (leopoldo holzbach)
nietzsche, assim falava zaratustra (equipe de tradutores, 2000)

MARTIN CLARET e o triunvirato tradutivo [idem; em alguns casos, inclusive, constam apenas na FBN/ISBN]
adam smith, a riqueza das nações (alex marins)
anatole france, thaïs (alex marins)
anônimo, tristão e isolda (alex marins)
aristóteles, arte poética (pietro nassetti)
aristóteles, ética a nicômaco (pietro nassetti)
balzac, a mulher de trinta anos (pietro nassetti)
balzac, eugênia grandet (alex marins)
baudelaire, as flores do mal (pietro nassetti)
carlo collodi, as aventuras de pinóquio (pietro nassetti)
cervantes, dom quixote (jean melville, 2005)
ch. dickens, grandes esperanças (jean melville)
cícero, dos deveres (alex marins)
conan doyle, as aventuras de sherlock holmes (jean melville)
conan doyle, o cão dos baskervilles (pietro nassetti)
conan doyle, o último adeus de sherlock holmes (alex marins)
conan doyle, um estudo em vermelho (jean melville)
dante, da monarquia (jean melville)
dante, vida nova (jean melville)
descartes, o discurso do método (pietro nassetti)
dostoievski, crime e castigo (alex marins na fbn)
dostoievski, o jogador (pietro nassetti)
durkheim, as regras do método sociológico (pietro nassetti)
durkheim, o suicídio (alex marins)
e. allan poe, histórias extraordinárias (pietro nassetti)
e. renan, paulo, o 13o. apóstolo (jean melville)
emerson, a conduta para a vida (jean melville)
emerson, ensaios (jean melville)
émile zola, germinal (jean melville)
epicuro, o pensamento de epicuro (pietro nassetti, fbn)
erasmo de roterdã, elogio da loucura (alex marins)
esopo, fábulas (pietro nassetti)
eurípides, alceste (pietro nassetti)
eurípides, electra (pietro nassetti)
eurípides, hipólito (pietro nassetti)
fenimore cooper, o último dos moicanos (alex marins)
freud, cinco lições de psicanálise (pietro nassetti, fbn)
fustel de coulanges, a cidade antiga (jean melville)
gide, acuso (jean melville)
gitanjali (pietro nassetti)
goethe, werther (pietro nassetti)
gracián, a arte da prudência (pietro nassetti)
guy de maupassant, bola de sebo e outros contos (pietro nassetti)
h. r. haggard, as minas do rei salomão (jean melville)
hegel, a fenomenologia do espírito (alex marins)
henry d. thoreau, desobediência civil e outros ensaios (alex marins)
herman melville, moby dick (alex marins)
hobbes, leviatã (alex marins)
j. goldsmith, o caminho infinito (pietro nassetti)
j. goldsmith, o trovejar do silêncio (pietro nassetti)
jack london, caninos brancos (pietro nassetti, fbn)
jack london, martin eden (jean melville)
jack london, o lobo do mar (pietro nassetti)
jane austen, orgulho e preconceito (jean melville)
john locke, segundo tratado sobre o governo (alex marins)
joseph conrad, lorde jim (pietro nassetti)
joseph conrad, o coração das trevas (pietro nassetti)
jules verne, volta ao mundo em oitenta dias (pietro nassetti)
kafka, artista da fome (pietro nassetti)
kant, crítica da razão pura (alex marins)
khalil gibran, jesus, o filho do homem (pietro nassetti)
khalil gibran, o profeta (pietro nassetti)
kierkegaard, o desespero humano (alex marins)
kierkegaard, diário de um sedutor (jean melville)
l. wallace, ben-hur (alex marins)
louise m. alcott, as mulherzinhas (alex marins)
maquiavel, a arte da guerra (jean melville)
maquiavel, belfagor (pietro nassetti)
maquiavel, escritos políticos (jean melville)
maquiavel, mandrágora (pietro nassetti)
maquiavel, o príncipe (pietro nassetti)
marco aurélio, meditações (alex marins)
marco polo, as viagens (pietro nassetti)
mark twain, as aventuras de huckleberry finn (alex marins)
mark twain, as aventuras de tom sawyer (pietro nassetti)
marx e engels, o manifesto comunista (pietro nassetti)
marx, manuscritos econômico-filosóficos (alex marins)
mary shelley, frankenstein (pietro nassetti)
max weber, a ética protestante e o espírito do capitalismo (pietro nassetti)
max weber, ciência e política: duas vocações (jean melville)
molière, o tartufo (jean melville)
montesquieu, do espírito das leis (jean melville)
nathanael hawthorne, a letra escarlate (pietro nassetti)
nietzsche, a gaia ciência (jean melville)
nietzsche, assim falou zaratustra (alex marins, 2002)
nietzsche, assim falou zaratustra (pietro nassetti, 1999)
nietzsche, ecce homo (pietro nassetti)
nietzsche, o anticristo (pietro nassetti)
nietzsche, para além do bem e do mal (alex marins)
o livro de jó (alex marins)
omar khayyam, rubayat (pietro nassetti)
oscar wilde, balada do cárcere de reading (jean melville)
oscar wilde, de profundis (jean melville)
oscar wilde, o príncipe e o mendigo (alex marins)
oscar wilde, o retrato de dorian gray (pietro nassetti)
ovídio, a arte de amar (pietro nassetti)
pascal, pensamentos (pietro nassetti)
petrônio, satíricon (alex marins)
platão, a república (pietro nassetti)
platão, apologia de sócrates (jean melville, 2004)
platão, apologia de sócrates (pietro nassetti, 2001)
platão, fedro (alex marins)
plauto e terêncio, comédia latina (alex marins)
pushkin, a dama de espadas (jean melville)
pushkin, a filha do capitão (jean melville)
r.l. stevenson, a ilha do tesouro (alex marins)
r.l. stevenson, o médico e o monstro (pietro nassetti)
racine, andrômaca (jean melville)
racine, fedra (jean melville)
rousseau, discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens (alex marins)
rousseau, do contrato social (pietro nassetti)
rudyard kipling, o livro da jângal (alex marins)
santo agostinho, confissões (alex marins)
schopenhauer, da morte (pietro nassetti)
schopenhauer, do sofrimento do mundo (pietro nassetti)
schopenhauer, metafísica do amor (pietro nassetti)
shakespeare, a megera domada (alex marins)
shakespeare, hamlet (pietro nassetti)
shakespeare, macbeth (jean melville)
shakespeare, o sonho de uma noite de verão (jean melville)
shakespeare, otelo (jean melville)
shakespeare, rei lear (pietro nassetti)
shakespeare, romeu e julieta (jean melville)
sófocles, antígona (jean melville)
sófocles, édipo rei (jean melville)
spinoza, ética (jean melville)
stendhal, o vermelho e o negro (jean melville)
suetônio, a vida dos doze césares (pietro nassetti)
sun tzu, a arte da guerra (pietro nassetti)
th. bulfinch, o livro de ouro da mitologia (alex marins)
thomas kêmpis, imitação de cristo (pietro nassetti)
thomas morus, a utopia (pietro nassetti)
tolstoi, a sonata a kreutzer (jean melville)
victor hugo, o corcunda de notre-dame (pietro nassetti)
virgílio, eneida (pietro nassetti)
voltaire, cândido (pietro nassetti)
voltaire, dicionário filosófico (pietro nassetti)
von ihering, a luta pelo direito (pietro nassetti)

obs.: por ocasião das providências citadas na obs. anterior, a editora martin claret procedeu a retificações adicionais que não haviam sido solicitadas na petição ao ministério público federal. a documentação referente ao cadastramento anterior, porém, continua preservada. ver a série zumbi trapalhares, I a VII.

MORAES (extinta)
hitler, minha luta (não consta)
marx, a questão judaica (não consta)
nietzsche, a origem da tragédia (joaquim josé de faria)
nietzsche, minha irmã e eu (rubens eduardo ferreira frias)

NOVA CULTURAL - Coleção Imortais da Literatura Universal
a. dumas, os três mosqueteiros (mirtes ugeda)
balzac, a mulher de trinta anos (enrico corvisieri)
boccaccio, o decamerão (torrieri guimarães)
dostoievski, os irmãos karamazóvi (enrico corvisieri)
émile zola, germinal (eduardo nunes fonseca)
leon tolstoi, ana karênina (mirtes ugeda)
oscar wilde, o retrato de dorian gray (maria cristina f. da silva)
scott fitzgerald, suave é a noite (enrico corvisieri)
stendhal, o vermelho e o negro (maria cristina f. da silva)

NOVA CULTURAL - Coleção Obras-Primas
a. dumas, os três mosqueteiros (mirtes ugeda)
balzac, a mulher de trinta anos (gisele donat soares)
dante, a divina comédia (fábio m. alberti)
edmond rostand, cyrano de bergerac (fábio m. alberti)
émile zola, naná (roberto valeriano)
emily brontë, o morro dos ventos uivantes (silvana laplace)
flaubert, madame bovary (enrico corvisieri)
goethe, fausto (alberto maximiliano)
goethe, werther (alberto maximiliano)
guy de maupassant, uma vida (roberto domenico proença)
henry fielding, tom jones (jorge pádua conceiçao)
joseph conrad, lord jim (carmen lia lomonaco)
lampedusa, o leopardo (leonardo codignoto)
leon tolstoi, ana karênina (mirtes ugeda)
louisa may alcott, mulherzinhas (vera maria marques martins)
oscar wilde, o retrato de dorian gray (enrico corvisieri)
pirandello, o falecido mattia pascal (fernando corrêa fonseca)
pirandello, seis personagens à procura de autor (fernando corrêa fonseca)
scott fitzgerald, suave é a noite (enrico corvisieri)
stendhal, o vermelho e o negro (maria cristina f. da silva)
voltaire, contos (roberto domenico proença)
walter scott, ivanhoé (roberto nunes whitaker)

NOVA CULTURAL - Coleção Os Pensadores
descartes, discurso do método (enrico corvisieri)
descartes, meditações (enrico corvisieri)
descartes, objeções e respostas (enrico corvisieri)
descartes, paixões da alma (enrico corvisieri)
maquiavel, o príncipe (olívia bauduh)
pascal, pensamentos (olívia bauduh)
platão, apologia de sócrates (enrico corvisieri)
xenofonte, apologia de sócrates (mirtes coscodai)
xenofonte, ditos e feitos memoráveis de sócrates (mirtes coscodai)

PILLARES
von ihering, a luta pelo direito (ivo de paula)

RECORD *
charles webb, a primeira noite de um homem (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, médico e amante (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, um médico diferente (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, dilema de médico (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, médicos em conflito (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, mulheres de médicos (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, o fim da viagem (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, impasse de médico (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, heroísmo de médico (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, consciência de médico (nelson rodrigues)
frank g. slaughter, médico astronauta (nelson rodrigues)
frederic raphael, darling (nelson rodrigues)
harold robbins, o garanhão (nelson rodrigues)
harold robbins, os libertinos (nelson rodrigues)
harold robbins, escândalo na sociedade (nelson rodrigues)
harold robbins, os implacáveis (nelson rodrigues)
harold robbins, o indomável (nelson rodrigues)
harold robbins, os insaciáveis (2 vols.) (nelson rodrigues)
harold robbins, 79 park avenue (nelson rodrigues)
harold robbins, uma prece para danny fischer (nelson rodrigues)
harold robbins, stiletto (nelson rodrigues)
harold robbins, o machão (nelson rodrigues)
harold robbins, a mulher só (nelson rodrigues)
harold robbins, os sonhos morrem primeiro (nelson rodrigues)
harold robbins, os herdeiros (nelson rodrigues)
harold robbins, ninguém é de ninguém (nelson rodrigues)
henry sutton, a exibicionista (nelson rodrigues)
hugh atkinson, os jogos proibidos (nelson rodrigues)
morton cooper, o rei devasso (nelson rodrigues)
polly adler, uma certa casa suspeita (nelson rodrigues)

* vários destes títulos saíram também pela abril cultural, círculo do livro e nova cultural. alguns foram lançados inicialmente pelo selo livraria eldorado, da própria record. 

RIDEEL
campanella, a cidade do sol (heloísa da graça burati)
nietzsche, acerca da verdade e da mentira (heloísa da graça burati)
nietzsche, ecce homo (heloísa da graça burati)
nietzsche, o anticristo (heloísa da graça burati)
savigny, metodologia jurídica (heloísa da graça burati)
thomas more, utopia (heloísa da graça burati)
von ihering, a luta pelo direito (heloísa da graça buratti)

RIDEEL - Coleção Biblioteca Clássica* (coleção extinta)

RIDEEL - Coleção Biblioteca Sherlock Holmes* (coleção extinta)


RIDEEL - Coleção Biblioteca O Melhor de Shakespeare* (coleção extinta)

* excepcionalmente, sobre os títulos destas três coleções da rideel, ver rideel, livros tirados de catálogo.
atualizado em 25/4/10: ver também rideel, retratação.

RUSSELL
francesco carnelutti, arte do direito (ricardo rodrigues gama)
ferdinand lassalle, o que é uma constituição? (ricardo rodrigues gama)
von ihering, a luta pelo direito (ricardo rodrigues gama)

SAPIENZA (extinta)
sun tzu, a arte da guerra (nikko bushido)

atualizado em 23/10/2011; 27/11/2011; 12/04/2012; 13/05/2012; 27/05/2012; 09/08/2012; 24/08/2015; 17/09/2015; 19/04/2017
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8 de dez de 2009

da matos peixoto à cedic



muitas editoras acabam desaparecendo da memória cultural do país. é triste, mas é verdade. às vezes, são anos e anos de dedicação e trabalho constante, a editora não dá certo, ou por qualquer razão encerra as atividades, e não raro, passado algum tempo, mal restam rastros ou lembranças dela.

matos peixoto parece ser um desses casos. foi uma pequena editora dos anos 60, de propriedade do sr. paulo matos peixoto. tenho sua edição de a volta ao mundo em oitenta dias, integrante da "coleção júlio verne", e no ano passado descobri que a suposta tradução publicada pela editora martin claret em nome de "pietro nassetti" em verdade era simples cópia da tradução de vieira neto, publicada em 1965 precisamente pela matos peixoto, em edição ilustrada de capa dura. apresentei esse cotejo em rodando o mundo (e as editoras).

não há nenhuma publicação da matos peixoto no acervo da fundação biblioteca nacional. já nos sebos que integram a estante virtual, encontram-se várias dezenas de títulos que a editora publicou nos anos 60, sobretudo entre 1964 e 1966. diga-se de passagem que qualquer historiador da cultura e do desenvolvimento editorial no país terá sempre uma dívida incalculável para com os sebos, muitas vezes os últimos depositários de uma memória do passado. mas, voltando à matos peixoto, assim como surgiu, desapareceu.

no finalzinho dos anos 80 surge uma outra pequena editora, de nome paumape, sigla do nome de seu proprietário, o já referido sr. paulo matos peixoto. teve vida ainda mais breve, e sua atividade praticamente se concentrou em publicar obras jurídicas de ulderico pires dos santos e reeditar vários títulos do antigo catálogo da matos peixoto. a fundação biblioteca nacional possui em seu acervo alguns exemplares da paumape (16), e nos sebos se encontram várias publicações suas.

em 2002/2003 surge mais uma outra pequena editora, de nome germape, sigla, até onde sei, de "gertrud matos peixoto", esposa do sr. paulo. aparentemente mantém-se em atividade - entrei em contato com seu escritório, mas não foi possível falar com a responsável editorial, de nome vera. a germape também tem relançado títulos da matos peixoto. a fundação biblioteca nacional possui em seu acervo um maior número de publicações (66), e nos sebos há várias edições suas.

de modo geral, os títulos que compõem o "projeto ler literatura universal" da cedic já faziam parte do antigo catálogo da matos peixoto dos anos 60, e/ou constavam no catálogo da paumape e depois no catálogo da germape. isso pareceria sugerir uma parceria normal entre elas, porém com algumas diferenças editoriais: por exemplo, a edição da germape da divina comédia consta na fbn com a tradução devidamente creditada a hernâni donato, ao passo que a edição da cedic, ao omitir qualquer indicação de autoria ou de dado catalográfico, desliza para a ilegalidade.*

essa relação entre matos peixoto, paumape, germape e cedic ajudaria a explicar os bizarros critérios de seleção que esta última utilizou para compor sua coleção de literatura universal - mais do que aspectos propriamente literários, o que parece ter prevalecido é um simples aproveitamento de catálogo.

adiante retornarei ao tema, sob o ponto de vista mais específico das traduções.

* refiro-me tão-só à correta atribuição da autoria, como direito moral do tradutor e direito do leitor à informação correta, ambos protegidos por lei. já se a germape e a cedic têm ou não licença de uso da tradução de hernâni donato, são outros quinhentos.

imagem: françois bonvin, natureza morta com livro, papéis e tinteiro