28 de fev de 2009

a abdr e o trauma por existirem bibliotecas, xeroxes e internet

o cinismo e o corporativismo protofascista da abdr horrorizam:

http://www.abdr.org.br/fotos/pages/cg16-2_jpg.htm
http://www.abdr.org.br/fotos/pages/curitiba2_jpg.htm
http://www.abdr.org.br/fotos/pages/pusp3-4_jpg.htm

na última foto fica evidente o tamanhozinho do capítulo xerocado e o tamanhão do original. só que a abdr usa a polícia com metralhadora para invadir as oficinas de xerox, enquanto protege a martin claret, sua associada. o pior é que a abdr inventou agora uma tal pasta-professor, que é um absurdo sem tamanho, e está tentando vender a idéia como se fosse boa coisa.

pela abdr, nem existiria biblioteca no mundo. imaginem só, pessoas poderem ler livros sem pagar por isso!

fiquei com raiva e mandei essa mensagem no faleconosco da abdr:

"a editora martin claret é a maior pirateadora de livros no país. lesa o mercado editorial com sua concorrência desleal, lesa os tradutores vivos e falecidos, lesa as editoras legítimas titulares dos direitos patrimoniais das obras.
ela sozinha pirateia muito mais do que muitas oficinas de xerox somadas. e além do mais mente: quem paga por um xerox sabe que é xerox. quem compra claret pensa que está comprando coisa que preste, e não sabe que está sendo enganado.
a abdr não pode ser tão corporativista e defender a martin claret enquanto manda a polícia invadir com armas os espaços de escolas e universidades. a abdr não pode abusar da disparidade entre pessoa jurídica e pessoa física, e ficar acoitando pessoas jurídicas fraudulentas em seu quadro de associados. quer dizer, poder pode, mas é feio pra danar e só se desmoraliza ao não tomar providências em relação às piratarias da claret."

em tempo: abdr quer dizer "associação brasileira de direitos reprográficos", e o ideário programático dela é criminalizar e perseguir toda e qualquer leitura que não seja no exemplar físico impresso comprado nas livrarias.

em tempo ainda: pessoalmente não creio que xerox de livro, em parte ou na íntegra, com finalidades de ensino, seja a rigor "pirataria". só o é numa leitura muito patrimonialista, interesseira e unilateral de um infame capítulo da lei de direitos autorais de 1998, que converteu o brasil num dos países mais atrasados e retrógrados do mundo - verdade, não é retórica não! - nessa questão dos limites que a sociedade pode e deve impor aos interesses privados na área da cultura. uma hora retorno ao tema.

fórum do minc

agora está disponível no site do minc todo o material apresentado nos seminários do fórum nacional de direito autoral: textos, slides e vídeos.

imagem: cabeçalho, www.cultura.gov.br, arte de menote cordeiro

a floresta dos plágios


a desobediência civil e outros escritos, de thoreau, pela martin claret, traz o ensaio "andar a pé". visivelmente a edição de base usada para o plágio de walking na claret foi a da jackson.


henry david thoreau, andar a pé
a. sarmento de beires e josé duarte (jackson)
b. alex marins (cof, cof, martin claret)*
* a edição usa chapa fria: está cadastrada na fbn/isbn com o título desobedecend [sic], e em nome de pietro nassetti como tradutor

a. sarmento de beires e josé duarte:
atualmente quase todos os pretensos progressos do homem, tais como a construção de casas, e a derribada de florestas e de todas as árvores de grande porte, deformam simplesmente outro panorama e fá-lo cada vez mais inexpressivo e vulgar. ah, um povo que iniciasse a destruição dos marcos e deixasse intatas as florestas! eu vi os marcos meio queimados, seus tocos perdidos no meio do prado e certo miserável mundano cuidando dos seus limites como administrador, enquanto que o céu havia baixado até ele, que não percebia a movimentação dos anjos em torno, mas procurava um velho buraco no meio do paraíso. encarei novamente e vi-o de pé em meio dum paul infernal cercado de demônios, e havia encontrado seus limites exatos, três pequenas pedras onde haviam fixado uma estaca. olhando melhor, vi que o príncipe das trevas era o administrador. sou capaz de andar facilmente dez, quinze, vinte, qualquer número de milhas, começando da minha porta sem parar em qualquer casa, sem atravessar uma estrada exceto nos trechos em que as próprias raposas e doninhas são obrigadas a fazê-lo: primeiro pelas margens dos rios, depois pelo campo e pelas bordas da floresta. há milhas quadradas na minha vizinhança, completamente desabitadas. no alto de muitas colinas posso ver a civilização e as casas do homem distante. os fazendeiros e suas plantações são pouco evidentes do que os instrumentos agrários e os sulcos por eles produzidos. o homem e seus negócios, a igreja, o estado, a escola, o comércio, a indústria, a agricultura, e até a política, de todos a menos abúlica - folgo em verificar a insignificância do espaço que ocupam no panorama. a política não passa de um campo estreito e aquela estrada real que se descortina ao longe dá para ela. às vezes, encaminho o viajor para lá. se quiserdes ir ter ao mundo político, segui a grande estrada - segui aquele negociante, segui-o bem de perto e lá chegareis. tal mundo também possui seu lugar e não ocupa todo o espaço. dele saio como se saísse de um faval para internar-me numa floresta, nenhuma recordação trazendo. posso, em meia hora, encaminhar-me para algum setor da superfície da terra, onde um homem não resista permanecer todo um ano, sítio esse impróprio para a política medrar, essa política tão parecida com cinza de charuto.

b. alex marins:
nos dias de hoje quase todos os pretensos progressos do ser humano, tais como a construção de casas, e a derrubada de florestas e de todas as árvores de grande porte, deformam simplesmente outro panorama e fá-lo cada vez mais inexpressivo e vulgar. ah, quem me dera conhecer um povo que iniciasse a destruição das divisas demarcatórias e deixasse intactas as florestas! eu vi os marcos meio queimados, seus tocos perdidos pelo prado e um miserável mundano cuidando dos seus limites como administrador. neste momento o céu havia baixado até ele, que não percebia a movimentação graciosa dos anjos à volta, mas procurava um velho buraco no meio do paraíso. fixei novamente minha atenção e vi-o de pé em meio dum paul infernal cercado de demônios. eis que havia encontrado seus limites exatos: três pequenas pedras onde haviam fixado uma estaca. olhando melhor, vi que o príncipe das trevas era o administrador. andar dez, quinze, vinte, qualquer número de milhas, sou capaz facilmente, começando da minha porta sem parar em qualquer casa, sem atravessar uma estrada exceto nos trechos em que as próprias raposas e doninhas são obrigadas a fazê-lo. a começar pelas margens dos rios, depois pelo campo e pelas bordas da floresta. ainda completamente ermas há milhas e milhas na minha vizinhança. do alto de muitas colinas posso vislumbrar a civilização e as casas do homem distante. percebem-se menos os fazendeiros e suas plantações do que os instrumentos agrários e os sulcos por eles produzidos. o homem e seus negócios, a igreja, o estado, a escola, o comércio, a indústria, a agricultura, e até a política, de todos a menos abúlica - folgo em verificar a insignificância do espaço que ocupam no panorama. resume-se num campo estreito a política, e aquela estrada real que se descortina ao longe é a que leva a ela. ensino o viajor a se dirigir para lá, algumas vezes. se quiserdes ir ter ao mundo político, segui a grande estrada - segui aquele negociante, segui-o bem de perto e lá chegareis. também esse mundo tem seu lugar e não ocupa todo o espaço. saio dele como se saísse de um faval para ingressar numa floresta, sem trazer nenhuma recordação. em apenas meia hora posso encaminhar-me para algum setor da superfície da terra, onde um homem não resista permanecer durante um ano, campo esse impróprio para a política vicejar, essa política tão parecida com cinza de charuto.

podemos cruzar com esse espécime passeando pelos acolhedores bosques livrários onde se refestelam os ishpertos: americanas, fnac, cultura, saraiva, travessa, curitiba...
repetindo: como dispõe o art. 104, capítulo II, título VII da lei 9.610/98, as livrarias são solidariamente responsáveis com o editor responsável pela fraude: então, donas livrarias, que tal começar a ser um pouco mais conscienciosas e tratar um pouco melhor seus clientes?

atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.

27 de fev de 2009

o trabalhão de plagiar

já comentei que existem alguns procedimentos mais ou menos padronizados nas malandragens da martin claret (e das outras editoras aqui tratadas: nova cultural, jardim dos livros e landmark).

pode ser cópia literal, cópia com alterações em começo de parágrafo, cópia com troca de termos em algumas passagens ou em todo o livro, cópia montando trechos de diversas edições, cópia em qualquer uma dessas formas mudando a pontuação e as aberturas de parágrafo.

além dessas coincidências flagrantes, facilmente identificáveis, há vezes em que é feito um intenso trabalho de "tradução por sinonímia", mantendo-se intocada a estrutura gramatical adotada na tradução. outro elemento ainda consiste em eventuais erros - de impressão, de revisão, de tradução - na edição que serve de base à ishperteza, e que aparecem reproduzidos na cópia.

tenho aqui alguns casos quase cômicos. num deles, por exemplo, a tradução de base foi copidescada praticamente de cabo a rabo, trocando uma quantidade enorme de palavras por sinônimos. o curioso é que nessa tradução de base:
1. havia alguns erros de entendimento do texto na língua original, o que resultou em alguns erros de tradução;
2. como o original trazia alguns períodos longuíssimos, o tradutor inicial teve por bem repicá-los e subdividi-los em várias frases mais curtas;
3. sendo uma obra de filosofia, alguns conceitos eram constantes e se repetiam ao longo do texto.

só que o ishperto encarregado de "criar" uma nova tradução passou longe de qualquer sombra da obra original. assim:
a. os erros da tradução de base foram preservados, às vezes com sinônimos laboriosamente escolhidos;
b. toda a alteração dos períodos e frases introduzida pelo tradutor inicial foi ciosamente seguida pelo adulterador;
c. os conceitos fixos e constantes da obra ganharam ricos e variados sinônimos durante a copidescagem.

a coisa beirou o burlesco numa passagem devidamente vertida pelo tradutor inicial como "uma imaginação nítida e distinta". com "distinta", naturalmente o autor referia-se à clareza, precisão etc., das imagens criadas mentalmente. ah, pois o mercenário não se avexou: tascou-lhe um sinônimo de "distinto" e a passagem ficou com "uma imaginação clara e diferente"!

imagem: http://www.p4m.de/

carlota tropical


o pobre werther de galeão coutinho já havia caído nas garras da nova cultural, em sua coleção "obras-primas" patrocinada pela suzano celulose.

a pseudoeditora martin claret, cuja única ou principal atividade parece consistir em copiar o já feito, seguiu o exemplo da nova cultural e surripiou, também ela, a tradução de galeão coutinho.

o plágio na nova cultural vinha em nome de um tal alberto maximiliano, e era praticamente literal, de fio a pavio.

o surripio na martin claret vem em nome do inefável peter von nassetten, e mostra um vão empenho copidescatório que, aliás, apenas reforça a malandrice ishperta da edição.*
* a situação desse werther na fbn/isbn é meio confusa: além de não dar nome de tradutor, ele consta como vol. 43 da coleção "a obra-prima de cada autor", sendo que no exemplar impresso consta como vol. 51.

a. galeão coutinho (abril, sob licença da livr. martins)
b. peter von nassetten (martinus klaretten)

a. junho, 16

[...] - quando eu era mais jovem - disse-me ela -, nada me fascinava tanto como os romances. só deus sabe quanto eu me sentia feliz, aos domingos, recolhendo-me a um cantinho para participar, de todo o coração, da felicidade ou do infortúnio de qualquer srta. jenny. não nego que esse gênero de leitura ainda encerra algum encanto para mim; acontece, porém, que são tão raras as vezes em que posso agora abrir um livro, que me tornei mais exigente na escolha. o autor que eu prefiro é aquele onde eu encontro meu mundo costumeiro e os incidentes comuns no meu círculo de relações, de sorte que sua narrativa me inspire um interesse tão cordial como o que acho na minha vida doméstica, a qual, embora não seja um paraíso, me oferece uma fonte de felicidade inexprimível.

esforcei-me, debalde, por abafar a emoção que essas palavras me produziram. quando ela se referiu, de passagem, ao vigário de wakefield, de ...*, com tanta verdade, não me contive e disse-lhe tudo quanto a respeito eu pensava. só ao cabo de algum tempo, ao dirigir-se carlota, novamente, às outras duas damas, percebi que ambas, arregalando muito os olhos, tinham estado até ali inteiramente alheias à nossa conversa. a prima olhou-me por mais de uma vez com um ar de troça, mas não liguei importância.

a conversa recaiu sobre o prazer da dança.

- se essa paixão é um crime - disse carlota -, não posso ocultá-lo; para mim, não há nada melhor do que a dança. se alguma coisa perturba a minha cabeça, é só sentar-me ao meu cravo desafinado e martelar uma contradança, e está tudo acabado! (pp. 304-305)

* aqui, também, suprimimos o nome de vários escritores do nosso país. se alguns daqueles a quem são endereçados os elogios de carlota chegarem a ler esta passagem, serão com certeza advertidos pelo próprio coração. quanto aos demais, nada têm a ver com isso.

b. 16 de junho

[...] - quando eu era mais jovem - disse ela -, nada me fascinava tanto como os romances. só deus sabe o quanto eu me sentia feliz, aos domingos, recolhendo-me a um cantinho para compartilhar, de todo o coração, da felicidade ou das desventuras da srta. jenny. não nego que esse gênero de leitura ainda tenha algum encanto para mim; como agora, porém, são tão raras as vezes em que posso abrir um livro, tornei-me mais exigente na escolha. o autor que eu prefiro é aquele em que reconheço o mundo e os incidentes comuns no meu círculo de relações, tornando a história tão interessante e terna quanto a minha vida doméstica, que, embora não seja um paraíso, é para mim fonte de felicidade inexprimível.

esforcei-me para ocultar a emoção que essas palavras me produziram. quando ela se referiu, de passagem, ao vigário de wakefield, de ...*, com tanta verdade, não me contive e disse-lhe tudo o que pensava a respeito. só ao cabo de algum tempo, ao dirigir-se lotte novamente às outras duas damas, percebi que ambas, arregalando muito os olhos, tinham estado até ali inteiramente alheias à nossa conversa. a prima olhou-me por mais de uma vez com um ar zombeteiro, mas não dei importância.

a conversa recaiu sobre o prazer da dança.

- se essa paixão é um crime - disse lotte - não posso ocultá-lo; para mim, não há nada melhor do que a dança. se alguma coisa perturba a minha cabeça, é só sentar-me ao meu cravo desafinado e martelar uma contradança, e tudo volta ao normal! (pp. 26-27)

* novamente suprimimos o nome de vários de nossos escritores . se alguns daqueles a quem são endereçados os elogios de lotte chegarem a ler essa passagem, acharão seu nome no próprio coração. quanto aos demais, nada têm a ver com isso.


quem quiser contribuir com o vandalismo intelectual, encontra a carlota abaixo do equador nos usuais valhacoutos dos ishpertos: saraiva, curitiba, cultura, fnac, americanas, travessa - todos garbosa e solidariamente responsáveis com o editor responsável pela fraude, nos termos do artigo 104, capítulo II do título VII da lei 9.610/98.

atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.


imagem: assinatura de goethe, www.dw-world.de

26 de fev de 2009

"é chapa fria. vai encarar?"


uma questão de terminologia


imagino uma cena assim: o cliente quer comprar um carro usado. ele pega a documentação do veículo. o carro ali é um, sei lá, um palio verde-escuro, ano 2003, de placa ZZZ-0000. aí ele quer conferir a situação de ipva, de multa etc., numa consulta trivial no site do detran. só que aparece que aquela placa corresponde a um, digamos, beetle amarelinho, ano 2005.

acho que outro termo de comparação possível para os números de isbn, além de carteira de identidade ou cpf de pessoas, é documento de carro, por que não? registro obrigatório por lei, sob um número único e exclusivo, em instância pública federal, com validade em todo o território nacional, que só pode ser atribuído por agências expressamente designadas para tal fim a um ser ou objeto cujas características devem corresponder à descrição que consta em seu cadastro.

então agora vou adotar o termo "chapa fria" para designar números falsos ou inexistentes de isbn ou com dados divergentes dos que constam no livro impresso.

título e imagem: www.pandemoniocarioca.globolog.com.br

desta maneira sinistra...

carlos chaves se soma à legião dos tradutores que perderam sua identidade à sanha editorial. sua tradução (1954) de aventuras de sherlock holmes agora engrossa o curriculum mortis de jean melville, na martin claret.* a tradução de carlos chaves consta no catálogo ativo da melhoramentos. consultei a editora a este respeito, não tive resposta. em vista do curioso antecedente das memórias de sherlock holmes, aqui noticiado, talvez seja um caso parecido. em todo caso, plágio é plágio, sempre indesculpável.

* na verdade, a edição da claret está cadastrada na fbn/isbn em nome de pietro massetti [sic, massetti].
as aventuras originais trazem doze histórias; na edição da claret, constam apenas nove delas. o padrão do plágio é por substituição eventual de termos ao longo de todo o livro, além de alteração dos parágrafos, abrindo novos onde não existem e continuando o parágrafo anterior quando se abririam novos.

1. as cinco sementes de laranja (carlos chaves)

desta maneira sinistra foi que entrei na posse de minha herança. poderá bem me perguntar por que não a vendo e eu lhe responderei que tenho quase certeza de que nossa infelicidade se relacionava e dependia de algum incidente na vida de meu tio e que o perigo continuaria tanto numa casa como em outra. foi em janeiro de 85 que meu pobre pai encontrou a morte e já se passaram dois anos e oito meses. durante todo esse tempo vivi feliz em horsham e tinha esperanças de que essa maldição na família houvesse passado e que terminava na última geração. [...]
- tenho uma vaga lembrança - disse ele - de que no dia em que meu tio queimou os papéis, eu reparei que as pequenas margens que não estavam queimadas e que jaziam entre as cinzas, eram desta cor. achei esta única folha no chão do quarto dele, e estou inclinado a pensar que seja um dos papéis que talvez se desprendeu dos outros, escapando assim à destruição. além do fato de se referir às sementes não sei em que nos possa ajudar. (pp. 113-15)

2. cinco sementes de laranja ("jean melville")

dessa maneira sinistra foi que entrei na posse de minha herança. poderá bem me perguntar por que não a vendo, e eu lhe responderei que tenho quase certeza de que nossa infelicidade era decorrência de algum incidente na vida de meu tio, e que o perigo continuaria tanto numa casa como na outra. foi em janeiro de 85 que meu pobre pai encontrou a morte, e já se passaram dois anos e oito meses. durante todo esse tempo vivi feliz em horsham, com esperanças de que essa maldição na família houvesse passado e que terminava na última geração. [...]
- tenho uma vaga lembrança - disse ele - de que no dia em que meu tio queimou os papéis, eu reparei que as pequenas margens que não estavam queimadas e que jaziam entre as cinzas eram desta cor. achei esta única folha no chão do quarto dele, e estou inclinado a pensar que seja um dos papéis que talvez se desprendeu dos outros, escapando assim à destruição. além do fato de se referir às sementes, não sei em que nos pode ajudar. (pp. 94-96)

1. a coroa de berilos (carlos chaves)

o senhor, naturalmente, sabe que um banco em franco progresso depende muito da obtenção de investimentos remunerativos para o dinheiro, porque isto aumenta as nossas relações e o número de nossos depositantes. um dos meios mais lucrativos de despender o dinheiro são empréstimos, onde a segurança é completa. durante estes últimos anos temos feito muito nesse setor. há muitas famílias nobres a quem temos adiantado grandes somas, aceitando como garantia seus valiosos quadros, bibliotecas ou pratarias.

ontem, estava sentado em meu escritório, no banco, quando um dos escriturários me trouxe um cartão de visita.

estremeci quando vi o nome porque não era outro senão... bem acho que nem ao senhor devo revelar, basta dizer que é um nome pronunciado em todas as casas e no mundo inteiro, um dos nomes mais nobres, mais exaltados na inglaterra. (p. 244)

[...] o senhor supõe que seu filho levantou-se da cama, e foi, com grande risco, ao seu quarto de vestir, abriu seu bureau, tirou sua coroa, quebrando uma parte dela à força, foi-se para outro lugar e escondeu três das gemas com tanta habilidade que ninguém as encontra, depois voltou com as outras 36 gemas para o quarto, onde ele se expôs ao grande perigo de ser descoberto. pergunto-lhe, é sustentável tal teoria?
- mas pode haver outra? exlamou o banqueiro com um gesto de desespero. - se os motivos dele eram inocentes, por que não os explica? (p. 253)

2. o caso da coroa de berilos (jean melville)

o senhor certamente sabe que um banco em franco progresso depende muito da obtenção de investimentos remunerativos para o dinheiro, pois isso aumenta as nossas relações e o número de nossos depositantes. um dos meios mais lucrativos de dispender o dinheiro são empréstimos, nos quais a segurança é completa. nos últimos anos, temos feito muito nesse setor. há muitas famílias nobres a quem temos adiantado grandes somas, tomando em garantia seus valiosos quadros, bibliotecas ou pratarias. ontem, estava eu sentado em meu escritório, no banco, quando um dos escriturários me trouxe um cartão de visita. estremeci quando vi o nome, porque outro não era senão... bem, acho que nem ao senhor devo revelar, basta dizer que é um nome pronunciado em todas as casas e no mundo inteiro. um dos nomes mais nobres, mais exaltados da inglaterra. (p. 170)

[...] o senhor supõe que seu filho levantou-se da cama, e foi, com grande risco, ao seu quarto de vestir, abriu seu bureau e tirou a coroa, quebrando uma parte dela à força. então foi para outro lugar e escondeu três das gemas com tanta habilidade que ninguém as encontrou até agora, voltando depois com as outras 35 gemas para o quarto, onde se expôs ao enorme perigo de ser descoberto. pergunto-lhe, é sustentável tal teoria?
- e pode haver outra? exlamou o banqueiro com um gesto de desespero.
- se os motivos dele eram inocentes, por que não os explica? (p. 178)

naturalmente essas sinistras aventuras claretianas se encontram nos valhacoutos favoritos dos ishpertos: livraria cultura, livrarias curitiba, livraria da travessa, fnac, saraiva...
como dispõe o art. 104, no capítulo referente às sanções civis que aplicam às violações dos direitos autorais, da lei 9.610/98, as livrarias são solidariamente responsáveis com o editor responsável pela fraude: a meu ver, seria muito importante que as livrarias começassem a exercer um maior discernimento na seleção das obras que colocam à disposição do público consumidor.

atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.

20 de fev de 2009

valhacoutos

de hoje até dia 25, vou dar uma pausa e retorno dia 26.
antes disso, uma rápida avaliaçãozinha.

em meu perene assombro diante da munificência da martin claret em sua incessante contribuição para a incultura, a desmemória e a degradação editorial do país, hoje vamos de a república de platão, aquela que gonçalo armijo desmascarou lá nos idos de 2007.

eis uma pequenina amostra de teses, ementas de curso, artigos, concursos públicos etc., dando como referência o grande salteador da boa-fé dos leitores, amparado pelo interesse dos coniventes e pela indiferença dos acomodados:

www.fafich.ufmg.br/~labfil/wp-content/uploads/2009/01/livro-didatico-filosofia.pdf
www.fasete.edu.br/arquivos/file/secretaria/2008/LETRAS%202008%20PDF/IV%20PERÍODO/Literatura_Latina.pdf
www.farn.br/novo/navegacao/cursos/planos/2008.2/direito/2o_ano/filosofia_direito.pdf
www.ggpe.reitoria.unicamp.br/teia/material/paulo_renato/relacoes_de_poder_e_democracia.pdf www.esag.udesc.br/arquivos/Planos%20de%20Ensino/2004-2/.../Teoria%20Geral%20da%20Adm%20publica%20-%20...
http://w3.ufsm.br/leaf/menuesp5/eefd48f82dbce95fadc86a5751ae60ad.pdf
www.seer.ufu.br/index.php/EducacaoFilosofia/article/view/589/533
http://200.17.209.5:8000/cgi-bin/gw_42_13/chameleon.42.13a?host...ufpr&conf...
www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=2892
www.facs.br/revistajuridica/edicao_maio2006/discente/dis5.doc
www.abralic.org.br/enc2007/anais/42/22.pdf
www.revistadoutrina.trf4.jus.br/artigos/edicao022/Rommel_Carneiro.htm
www.pucsp.br/pos/filosofia/Pragmatismo/cognitio_estudos/cog_estudos_v4n1/cog_est_v4n1_freitas_lorena_de_m.pdf www.ufpe.br/historia/artigo3rev1.html
http://www.amatra3.com.br/uploaded_files/artigo%20sobre%20Platão.pdf
www.cchla.ufrn.br/odisseia/numero2/arquivos/5_Maria_Suely_da_Costa.pdf
www.boletimjuridico.com.br/doutrina/texto.asp?id=432
www.ibdfam.org.br/?artigos&artigo=419
www.unc.br/ementas/e_direito.pdf
www.al.rs.gov.br/biblioteca/servicos_aquisicoes.asp
http://www6.ufrgs.br/idea/modules.php?op=modload&name=books&file=index&req=view_subcat&sid=65&orderby=ratingA
www.polemica.uerj.br/pol23/cimagem/p23_carmen.htm
www.unincor.br/revista/Aspectos%20formadores5.html
www.consa.com.br/consa/download/2009/lista_material/listas_materiais_para_6_ano_3_serie.doc http://biblioteca.facitec.br/arquivos/120000/123600/147_123659.htm
www.administradores.com.br/artigos/aspectos_formadores_para_a_aplicacao_etica_aos_direitos.../13484/ www.insaf.com.br/site/arquivos/aproveitamento_estudos2008.1.pdf
www.unifra.br/eventos/jornadaeducacao2006/.../O%20ENSINO%20DE%20FILOSOFIA%20E%20SUA
www.unioeste.br/prppg/download/pos_nao_iniciados/Esp_cvel_FundEducacao.pdf
www.fc.unesp.br/upload/rh/concursos/edital_10407.pdf
www.lo.unisal.br/sistemas/bioetica/arquivos/Marcius%20Artigo%20-%20o%20ser%20humano.doc
https://sie.juvencioterra.edu.br/sie/sis_disc.jsp?disc=471
www.jfrn.gov.br/docs/doutrina152.doc
www.coperve.ufsc.br/ead2007/edital/programa.doc
www.scielo.br/cgi-bin/fbpe/fbtext?pid=S1413-81232007000200026
www.revista.art.br/site-numero-02/trabalhos/06.htm
www.ichs.ufop.br/memorial/trab/h11_2.doc
www.cefipoa.com.br/artigos.php?id=7&PHPSESSID=f84aa952d1278d26bf71ca5ea18d...
http://pepsic.bvs-psi.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-34372005000100007&lng=pt&nrm=iso
http://direito.catolica-to.edu.br/index.php?conteudo=planosdeensino&disciplina=132&semestre=2008/2
www.unieuro.edu.br/downloads_2005/consilium_02_03.pdf
http://www2.pucpr.br/reol/index.php/DIALOGO?dd1=565&dd99=pdf
www.universia.com.br/materia/img/ilustra/2005/out/artigos/Para%20uma%20Critica%20da%20Razao%20Androce...
www.artigonal.com/educacao-artigos/5ª-serie-uma-questao-escolar-o-drama-da-transicao-379626.html
https://nexos.ufscar.br/nexos/PlanosConsultaL.jsp?Disciplina=170119&Turma=A&Ano=2007
www.seed.pr.gov.br/portals/folhas/anexosFase2/folhas1825_versaoFinal_DEM.doc
www.santamariadasvitorias.com.br/documentos/moral_e_direito_em_tomas_de_aquino.doc
www.sieduca.com.br/2006/admin/upload/5.doc
www.facs.br/revistajuridica/edicao_abril2006/convidados/con3.doc
http://bdtd.ufal.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=229
www.fav.ufg.br/download.php?tipo=graduacao_design-de-interiores_programas-das-disciplinas&item=1&arquivo
www.ufsj.edu.br/portal-repositorio/File/revistalable/numero6/geraldo.pdf
www.intercom.org.br/papers/nacionais/2003/www/pdf/2003_NP13_costa.pdf
www.insaf.com.br/cursos/ementas.php
www.cbc.ufms.br/tedesimplificado/tde_busca/processaArquivo.php?codArquivo=196
www.ufsm.br/gpforma/2senafe/PDF/021e4.pdf
http://sistemas2.usp.br:8080/jupiterweb/obterDisciplina?sgldis=CMU0542&verdis=1
www.concursosed.ufsc.br/sed2005_01/gabarito_provas/provas/filosofia.doc
www.sindsemg.com.br/.../27.../Raimundo%20Nonato%20-%20Revolução%20Científica%20em%20Secretariado
http://www2.camara.gov.br/posgraduacao/dinter-projeto-jose-de-ribamar-barreiros-soares
www.pucminas.br/imagedb/documento/DOC_DSC_NOME_ARQUI20081029100044.pdf
www.zoon.org.br/biblioteca/textos_artigos/educacao_ludica_do_olhar.pdf
www.textolivre.com.br/joomla/index.php?option=com_content&task=view&id=4619
http://dspace.c3sl.ufpr.br:8080/dspace/bitstream/1884/11166/1/Disserta%C3%A7%C3%A3o%20Rosanea%20E%20Ferreira.PDF.
www.ccsa.ufrn.br/ccsa/docente/rodson/ftp/ProgramaFHF-I.doc
www.fc.unesp.br/econcurso/concurso.visualizarArquivo.action?txt_arquivo=175
http://www2.mp.ma.gov.br/ampem/artigos/25.%20Anencefalia_e_%20aborto.pdf
http://bdtd.unisinos.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=387
www.esamaz.com.br/fotos/file/GuiaAcademico/CienciasPolitica.doc
http://www.inventario.ufba.br/04/04dcarrascosa.htm
www.ppgletras.furg.br/disserta/danilomachado.pdf
www.amatra20.org.br/amatrawi/arquivos/justica_e_seguranca.doc
www.fenassec.com.br/consec_1lugar.pdf
www.abrapso.org.br/encontro_abrapso_Folder/Propostas_dos_cursos.doc
www.unama.br/graduacao/cursos/Direito/download/GuiaAcademicoSemestral.pdf
www.rsirius.uerj.br/boletim2005/Boletim_9.htm
http://www2.dbd.puc-rio.br/pergamum/tesesabertas/0511064_07_postextual.pdf
http://e-revista.unioeste.br/index.php/educereeteducare/article/download/259/187.
http://www6.univali.br/tede/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=357
www.ufpi.br/picos/uploads/coordenacoes/coord1/mural/File/PROJETO_DE_PESQUISA_MSTRADO.doc http://sites2.ufal.br/prograd/academico/cursos/campus-maceio/ppc-direito.pdf.
www.dibib.ufsj.edu.br/dibib/principal/resultadofinal.pdf
www.seer.ufu.br/index.php/EducacaoFilosofia/article/view/556/500
www.cefetmg.br/info/downloads/PrEletronico005.2005LIVROS.pdf
www.filosofia.cchla.ufrn.br/costaandrade/doismiletres.html
http://www1.capes.gov.br/estudos/dados/2003/20001010/038/2003_038_20001010008P8_Disc_Ofe.pdf http://engema.up.edu.br/arquivos/engema/pdf/PAP0160.pdf
www.fazendogenero7.ufsc.br/artigos/B/Bertani-Rezende-Sakamoto-Silva-Silva_26.pdf
http://www.abralic.org.br/cong2008/AnaisOnline/simposios/pdf/006/LIGIA_WINTER.pdf

o assustador é que esse monstrengo, que acho que foi o mais denunciado de todos, continua à venda em livrarias supostamente respeitáveis como a cultura, a fnac, as livrarias curitiba, a livraria da travessa...

aí é complicado: a trêfega bandoleira admite e readmite o plágio, a imprensa divulga a fraude de norte a sul do país, e as livrarias continuam a vender o livro esse tempo todo, como se nada fosse? e a responsabilidade, onde fica? desde quando é bonito vender coisa roubada?

certamente essas livrarias não iriam ficar mais ricas nem mais pobres se parassem de espalhar esse lixo pelo país. e de lambugem ainda poderiam se sentir de consciência tranquila por não estar enganando seus clientes.

imagem: parafrasefacil.blogspot.com

εθριπεδεσ να μαρτιν ψλαρετ - ηιπολιτο

eurípides, hipólito.
a. mello e souza (jackson)*
b. pietro nassetti (claret)
a. vênus:
(...) há tempo indo hipólito, da casa
de piteu, visitar a ática terra,
e ver e assistir aos venerandos
mistérios; o viu fedra, nobre esposa
de seu pai, e então por arte minha
um furioso amor concebeu n'alma.
e antes de vir aqui, no mais sublime
do rochedo de palas, donde avista
esta terra trezênia, um templo a vênus
levantou: porque amava amor ausente.
os vindouros dirão que ali a deusa,
pelo amor a hipólito, foi posta.
coa morte dos palântidas, fugindo
do sangue derramado à triste mancha,
teseu com a consorte aqui aporta,
para cumprir seu anual desterro.
assim a miseranda, suspirando,
e das setas de amor atravessada
morre em silêncio; o mal ninguém lho sabe.
mas este amor não me convém que afrouxe:
mostrá-lo-ei a teseu, será sabido.
ao meu duro adversário autor da morte
será seu mesmo pai; pois que netuno
anuiu a teseu, por dom, três vezes
todo o voto outorgar que lhe fizesse.
sim é ilustre fedra; porém morre:
pois o seu mal a mim mais não me importa,
que de sorte punir meus inimigos,
que um ponto não se ofusque a minha glória.

b. vênus:
(...) há tempo indo hipólito, da casa
de piteu, visitar a ática terra,
e ver e assistir aos venerandos
mistérios; o viu fedra, nobre esposa
de seu pai, e então por arte minha
um furioso amor concebeu n'alma.
e antes de vir aqui, no mais sublime
do rochedo de palas, donde avista
esta terra trezênia, um templo a vênus
levantou: porque amava amor ausente.
os vindouros dirão que ali a deusa,
pelo amor a hipólito, foi posta.
co'a morte dos palântidas, fugindo
do sangue derramado à triste mancha,
teseu com a consorte aqui aporta,
para cumprir seu anual desterro.
assim a miseranda, suspirando,
e das setas de amor atravessada
morre em silêncio; o mal ninguém lho sabe.
mas este amor não me convém que afrouxe:
mostrá-lo-ei a teseu, será sabido.
ao meu duro adversário autor da morte
será seu mesmo pai; pois que netuno
anuiu a teseu, por dom, três vezes
todo o voto outorgar que lhe fizesse.
sim é ilustre fedra; porém morre:
pois o seu mal a mim mais não me importa,
que de sorte punir meus inimigos,
que um ponto não se ofusque a minha glória.

* na verdade, mello e souza adverte em seu prefácio que se trata de uma tradução portuguesa antiga de autoria desconhecida


atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.


imagem: valérie dréville no papel da fedra de racine

19 de fev de 2009

εθριπεδεσ να μαρτιν ψλαρετ - ελεψτρα

electra, além de prantear o pai, demonstra seu pesar em cair nas garras de μαρτιν ψλαρετ e seu fâmulo πιετρο νασσεττι.



eurípides, electra:
a. trad.: j.b. de mello e souza (jackson/ediouro)
b. plágio: pietro nassetti (martin claret)




a. o trabalhador - ó veneranda argos, da terra por onde corre o ínaco e de onde, outrora, comandando mil navios de guerra, até as plagas de tróia velejou o rei agamêmnon! tendo vencido a príamo, que reinava sobre a terra ilíada, ele retornou a argos, deixando em ruínas a cidade ilustre de dárdano; e depositou nos altos templos numerosos despojos daqueles bárbaros. foi feliz, lá na ásia, sim! - mas, aqui, de regresso ao lar, pereceu vítima da astúcia de sua esposa clitemnestra, e sob o golpe de egisto, filho de tiestes. pereceu o detentor do cetro antigo de tântalo; e é egisto quem manda agora nesta terra, e possui a tíndaris, esposa do atrida. este deixara em sua casa, ao partir para tróia, seu filho orestes e sua filha electra. um velho, que fora mestre do pai, conseguiu levar consigo orestes, quando egisto ia matá-lo; e confiou-o, na terra de focéia, a estrófio, para que o criasse; mas a jovem electra permaneceu no lar paterno. logo que atingiu a puberdade, os mais ilustres helenos pediram-lhe a mão; mas o usurpador, receando que do consórcio da princesa com um árgio eminente nascesse um descendente que vingasse um dia a morte de agamêmnon, preferiu conservá-la solteira.

b. o trabalhador - ó veneranda argos, da terra por onde corre o ínaco e de onde, outrora, comandando mil navios de guerra, até as plagas de tróia velejou o rei agamemnon! tendo vencido a príamo, que reinava sobre a terra ilíada, ele retornou a argos, deixando em ruínas a cidade ilustre de dárdano; e depositou nos altos templos numerosos despojos daqueles bárbaros. foi feliz, lá na ásia, sim! - mas, aqui, de regresso ao lar, pereceu vítima da astúcia de sua esposa clitemnestra, e sob o golpe de egisto, filho de tiestes. pereceu o detentor do cetro antigo de tântalo; e é egisto quem manda agora nesta terra, e possui a tíndaris, esposa do atrida. este deixara em sua casa, ao partir para tróia, seu filho orestes e sua filha electra. um velho, que fora mestre do pai, conseguiu levar consigo orestes, quando egisto ia matá-lo; e confiou-o, na terra de foceia, a estrófio, para que o criasse; mas a jovem electra permaneceu no lar paterno. logo que atingiu a puberdade, os mais ilustres helenos pediram-lhe a mão; mas o usurpador, receando que do consórcio da princesa com um árgio eminente nascesse um descendente que vingasse um dia a morte de agamêmnon, preferiu conservá-la solteira.

e por aí vai, um embuste do começo ao fim.

atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.


imagem: richmond, electra, wikimedia.commons

18 de fev de 2009

εθριπεδεσ να μαρτιν ψλαρετ - αλψεστε


um bom tempo atrás, a clássicos jackson publicou eurípides nas famosas traduções, acompanhadas de introdução e notas, de j. b. de mello e souza. essas traduções continuam ativas no catálogo da ediouro.

como a μαρτιν ψλαρετ tem uma compulsão irrefreável em se apropriar do alheio, ela resolveu copiar alceste, electra e hipólito da jackson/ediouro e tascou o nome de seu inseparável colaborador πιετρο νασσεττι.

e nós leitorinhos, em nossa irrefreável compulsão masoquista, pagamos caro por mais um lesa-memória e perdemos mais uma chance de ir formando um mínimo de bagagem cultural.

eurípides, alceste
introdução

1. tem esta bela tragédia de eurípedes, por principal objetivo, a exaltação do amor conjugal que atinge o mais sublime heroísmo.
alceste, laodâmia e penélope, esposas de admeto, protesilau e ulisses, respectivamente, constituem o tríptico das mais nobres figuras figuras femininas que a lenda grega nos apresenta. das três, porém, coube à incomparável rainha de feres praticar o rasgo de abnegação que lhe assegura a primazia entre as esposas modelares. (j. b. mello e souza)

2. tem esta bela tragédia de eurípedes, por principal objetivo, a exaltação do amor conjugal que atinge o mais sublime heroísmo.
alceste, laodâmia e penélope, esposas de admeto, protesilau e ulisses, respectivamente, constituem o tríptico das mais nobres figuras figuras femininas que a lenda grega os apresenta. das três, porém, coube à incomparável rainha de feres praticar o rasgo de abnegação que lhe assegura a primazia entre as esposas modelares. (πιετρο νασσεττι)

1. Ó palácio de Admeto, onde me vi coagido a trabalhar como servo humilde, sendo embora um deus, como sou! Júpiter assim o quis, porque tendo fulminado pelo raio meu filho Esculápio, eu, justamente irritado, matei os Ciclopes, artífices do fogo celeste. E meu pai, para me punir, impôs-me a obrigação de servir a um homem, a um simples mortal! Eis por que vim ter a este país; aqui apascentei os rebanhos de meu patrão, e me fiz protetor deste solar até hoje. Sendo eu próprio bondoso, e servindo a um homem bondoso, — o filho de Feres — eu o livrei da morte, iludindo as Parcas. Estas deusas prometeram-me que Admeto seria preservado da morte, que já o ameaçava, se oferecesse alguém, que quisesse morrer por ele, e ser conduzido ao Hades.
Tendo posto a prova todos os seus amigos, seu pai, e sua velha mãe, que o criou, ele não achou quem consentisse em dar a vida por ele, e nunca mais ver a luz do sol! Ninguém, senão Alceste, sua dedicada esposa; e agora, no palácio, conduzida a seus aposentos nos braços de seu marido, vai desprender-se sua alma, porque é hoje que o Destino exige que ela deixe a vida. Eis por que, para me não macular, eu abandono estes tetos queridos. Vejo que já se aproxima Tânatos, o odioso nume da Morte, para levar consigo Alceste à merencória mansão do Hades. E vem no momento preciso, pois aguardava apenas o dia fatal em que a mísera Alceste deve perder a vida. (j. b. mello e souza)

2. Ó palácio de Admeto, onde me vi coagido a trabalhar como servo humilde, sendo embora um deus, como sou! Júpiter assim o quis porque tendo fulminado pelo raio meu filho Esculápio, eu, justamente irritado, matei os Cíclopes, artífices do fogo celeste. E meu pai, para me punir, impôs-me a obrigação de servir a um homem, a um simples mortal! Eis por que vim ter a este país; aqui apascentei os rebanhos de meu patrão, e me fiz protetor deste solar até hoje. Sendo eu próprio bondoso, e servindo a um homem bondoso — o filho de Féres —, eu o livrei da morte, iludindo as Parcas. Estas deusas prometeram-me que Admeto seria preservado da morte, que já o ameaçava, se oferecesse alguém, que quisesse morrer por ele, e ser conduzido ao Hades.
Tendo posto a prova todos os seus amigos, seu pai e sua velha mãe, que o criou, ele não achou quem consentisse em dar a vida por ele, e nunca mais ver a luz do sol! Ninguém, senão Alceste, sua dedicada esposa; e agora, no palácio, conduzida a seus aposentos nos braços de seu marido, vai desprender-se sua alma, porque é hoje que o Destino exige que ela deixe a vida. Eis por que, para me não macular, eu abandono estes tetos queridos. Vejo que já se aproxima Tânatos, o odioso nume da Morte, para levar consigo Alceste à merencória mansão do Hades. E vem no momento preciso, pois aguardava apenas o dia fatal em que a mísera Alceste deve perder a vida. (πιετρο νασσεττι)

atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.


imagem: sinodal.com.br

tegan e sara neles



indicação: federico carotti

sócrates na claret

por favor, algum excelso filósofo saberia me informar que obra é esta?

PESQUISA NO CADASTRO DO ISBN
ISBN: 85-7232-444-5
TÍTULO: METAFISICA DA MORTE
AUTOR: SOCRATES
TRADUTOR: NASSETTI, PIETRO
PÁGINAS: NÃO INFORMADO
EDITORA: MARTIN CLARET

agora é plágio retroativo? sócrates, que nunca escreveu nada, resolveu copiar schopenhauer?

sr. claret, preste mais atenção nas coisas, peço-lhe encarecidamente! não deseduque e desensine tanto as pessoas! que desprezo pelo leitor, que acinte para com nossas instituições, que vergonha para o país!

imagem: www.hightech.com

17 de fev de 2009

tom sawyer e os piratas

pois tom sawyer caiu na conversa dos bandoleiros, e a tradução de luísa derouet foi pirateada pelo incorrigível pietro nassetti.

mark twain, as aventuras de tom sawyer:
a. luísa derouet (portugália)
b. pietro nassetti (martin claret)

a. as tardes de Verão são muito compridas. ainda não estava escuro. pouco depois, ao ver na sua frente um rapaz mais alto do que ele, tom moderou o tom do assobio. qualquer recém-chegado, fosse qual fosse a sua idade ou sexo, era um acontecimento impressionante na pequena aldeia de são petersurgo. além disso, aquele rapaz estava bem vestido - bem vestido num dia de semana -, o que era simplesmente espantoso. o boné era uma coisa linda, e o casaco, de pano azul e todo abotoado, era novo e bem feito, assim como as calças. tinha sapatos calçados, apesar de ser só sexta-feira. até trazia gravata, feita de um bocado de fita de cor. tinha um ar citadino que indignava tom. quanto mais olhava para aquela esplêndida maravilha, quanto mais arrebitava o nariz a olhar para tanto luxo, mais pobre e mesquinho lhe parecia o seu próprio fato. nenhum deles falava. se um se mexia, o outro mexia-se também, mas sem deixarem de estar em frente um do outro nem de se olhar. (pp. 7-8)

o desconhecido afastou-se sacudindo o pó do fato, soluçando e fungando; de quando em quando olhava para trás com um movimento de cabeça que representava uma ameaça do que faria a tom na primeira ocasião em que o apanhasse de jeito. tom respondeu-lhe com motejos e seguiu o seu caminho muito contente, mas, logo que se virou, o desconhecido pegou uma pedra e atirou-a, acertando-lhe com ela no meio das coistas. em seguida, deitou a correr como um antílope. tom foi atrás dele até casa, e ficou sabendo onde morava. aí ficou algum tempo junto do portão, desafiando-o para tornar a sair, mas o inimigo só lhe fez caretas através da vidraça da janela e desapareceu. (p. 10)

descobrira, sem o saber, uma grande lei que rege a Humanidade e que é: para se conseguir que um homem ou um rapaz cobice uma coisa, basta tornar essa coisa difícil de obter.
se fosse um grande e sábio filósofo, como o autor deste livro, teria compreendido então que trabalho consiste em tudo que se é obrigado a fazer e que prazer consiste naquilo que não se é obrigado a fazer. este raciocínio tê-lo-ia ajudado a entender por que se chama trabalho aos trabalhos forçados e a fazer flores artificiais, enquanto que jogar o berlinde ou escalar o monte branco não passa de um divertimento. há senhores muito ricos, em inglaterra, capazes de guiar carros de passageiros puxados por quatro cavalos num caminho de vinte ou trinta milhas todos os dias no Verão, porque para isso têm de pagar uma quantia considerável, mas que se recusariam a fazê-lo se lhes oferecessem um ordenado, pois isso passaria então a ser considerado trabalho. (p. 15)


b. as tardes de verão são muito compridas. ainda não estava escuro. pouco depois, tom moderou o seu assobio, vendo na sua frente um menino pouco mais alto do que ele. qualquer recém-chegado, fosse qual fosse a sua idade ou sexo, era um acontecimento impressionante na pequena vila de são petersurgo. além disso, aquele rapaz estava bem vestido - considerando-se que era um dia de semana -, o que era simplesmente espantoso. o boné era uma coisa linda, e o casaco, de pano azul e todo abotoado, era novo e bem-feito, assim como as calças. calçava sapatos, apesar de ser só sexta-feira. usava até gravata, feita de um pedaço de fita de cor. tinha um ar citadino que indignava tom. quanto mais olhava para aquela esplêndida maravilha, quanto mais arrebitava o nariz a olhar para tanto luxo, mais pobre e mesquinha lhe parecia a sua própria roupa. nenhum deles falava. se um se mexia, o outro também, mas sem deixarem de estar em frente um do outro nem de se olhar. (p. 16)

o desconhecido afastou-se, sacudindo o pó da roupa, soluçando e fungando; de vez em quando olhava para trás com um movimento de cabeça que representava uma ameaça do que faria a tom na primeira ocasião em que o apanhasse de jeito. tom respondeu-lhe com motejos e seguiu o seu caminho muito contente, mas, logo que se virou, o desconhecido pegou uma pedra e atirou-a, acertando-lhe com ela no meio das coistas. em seguida, deitou a correr como um louco. tom foi atrás dele até vê-lo entrar em casa, e ficou sabendo onde morava. aí ficou algum tempo junto do portão, desafiando-o para tornar a sair, mas o inimigo só lhe fez caretas através da vidraça da janela e desapareceu. (p. 18)

descobrira, sem o saber, uma grande lei que rege a humanidade e que é: para se conseguir que um homem ou um menino cobice uma coisa, basta tornar essa coisa difícil de obter.
se fosse um grande e sábio filósofo, como o autor desse livro, teria compreendido então que trabalho consiste em tudo que se é obrigado a fazer e que prazer consiste naquilo que não se é obrigado a fazer. este raciocínio tê-lo-ia ajudado a entender por que se chama trabalho aos trabalhos forçados e ao fazer flores artificiais, enquanto jogar pino ou escalar o monte branco não passa de divertimento. há senhores muito ricos, na inglaterra, capazes de guiar carros de passageiros puxados por quatro cavalos num caminho de vinte ou trinta milhas todos os dias no verão, porque para isso têm de pagar uma quantia considerável, mas que se recusariam a fazê-lo se lhes oferecessem um ordenado, pois isso passaria então a ser considerado trabalho. (p. 23)

atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.


16 de fev de 2009

balzac na claret

a mulher de trinta anos nas edições da nova cultural tinha um duplo plágio:
1. enrico corvisieri na coleção imortais da literatura, 1995
2. gisele donat soares na coleção obras-primas, 2003
ambos são cópia atamancada da tradução de josé maria maria machado, pelo clube do livro.



a mulher de trinta anos na edição claretiana, com plágio em nome de pietro nassetti, preferiu garfar a globo, com tradução de casimiro fernandes e wilson lousada, além de prefácio e notas de paulo rónai (aqui cit. na edição de 1948).

a.
A magnífica parada comandada pelo imperador devia ser a última daquelas que por tanto tempo exaltaram a admiração dos parisienses e dos estrangeiros. A velha guarda ia executar, pela última vez, as sábias manobras cuja pompa e precisão espantaram algumas vezes até o próprio gigante, que se preparava então para o seu duelo com a Europa. Um triste sentimento levava às Tulherias uma brilhante e curiosa população. Cada um parecia adivinhar o futuro, e pressentia talvez que mais de uma vez a imaginação teria que retraçar o quadro daquela cena, quando os tempos heróicos da França adquirissem, como hoje, tintas quase fabulosas. (fernandes/lousada, p. 515)

b.
A magnífica parada comandada pelo imperador devia ser a última daquelas que por tanto tempo exaltaram a admiração dos parisienses e dos estrangeiros. A velha guarda ia executar, pela última vez, as sábias manobras cuja pompa e precisão espantaram algumas vezes até o próprio gigante, que se preparava então para o seu duelo com a Europa. Um triste sentimento levava às Tulherias uma brilhante e curiosa população. Todos pareciam adivinhar o futuro, e pressentiam talvez que, mais de uma vez, a imaginação teria que retraçar o quadro daquela cena, quando os tempos heróicos da França adquirissem, como hoje, cores quase fabulosas. (nassetti, p. 19)

a.
Uma mulher moça, célebre em Paris por sua graça, por sua beleza e por seus dotes de espírito, e cuja posição social e fortuna estavam em harmonia com a sua celebridade, veio, com grande espanto do vilarejo situado a cerca de uma milha de Saint-Lange, estabelecer-se ali em fins do anos de 1820.39 Desde tempos imemoriais que os rendeiros e camponeses não viam os donos do castelo. Se bem que de uma produção considerável, as terras estavam abandonadas aos cuidados de um administrador e guardadas por velhos serviçais. Por isso, a viagem da senhora marquesa causou uma certa sensação na região. Muitas pessoas tinham-se agrupado na entrada da vila, no pátio de um albergue situado no entroncamento das estradas de Nemours e Moret, para verem passar uma caleça que avançava lentamente, pois a marquesa viera de Paris com os seus cavalos. No assento dianteiro, a criada de quarto fazia companhia a uma menina mais tristonha do que risonha. A mão vinha no fundo da carruagem, imóvel como um moribundo que os médicos tivessem enviado para o campo. (fernandes/lousada, p. 570)

39. 1820. Esta data parece errada; deveria ser substituída por 1823, pois a morte de Artur ocorreu nesse ano. Cf. também a nota seguinte. [obs.: a nota é de paulo rónai]

b.
Uma mulher moça, célebre em Paris por sua graça, por sua beleza e por seus dotes de espírito, e cuja posição social e fortuna estavam em harmonia com a sua celebridade, veio, para grande espanto do vilarejo situado a cerca de uma milha de Saint-Lange, estabelecer-se ali em fins do anos de 1820.1 Desde tempos imemoriais que os rendeiros e camponeses não viam os donos do castelo. Apesar de ter um rendimento considerável, as terras estavam abandonadas aos cuidados de um administrador e guardadas por velhos serviçais. Por isso, a viagem da senhora marquesa causou uma certa sensação na região.
Muitas pessoas tinham-se agrupado na entrada da vila, no pátio de um albergue situado no entroncamento das estradas de Nemours e Moret, para verem passar a carruagem, que avançava lentamente, pois a marquesa viera de Paris com os seus cavalos. No assento dianteiro, a criada de quarto fazia companhia a uma menina mais tristonha que risonha. A mão vinha no fundo, imóvel como um moribundo que os médicos tivessem enviado para o campo. (nassetti, pp. 73-74)

1. 1820. Esta data parece errada; deveria ser substituída por 1823, ano em que ocorreu a morte de Artur.

atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.

imagem: migas-bdc.blogger.com.br

15 de fev de 2009

eleições da cbl

deu no blog do galeno:

"Por conta da forte presença da CBL nos últimos anos nas grandes discussões sobre as políticas públicas do livro e leitura no Brasil, as eleições deste ano revestem-se de importância estratégica para a consolidação da questão do livro e da leitura no Brasil."

já manifestei meu espanto com a candidatura da landmark e da leitura/geração ao comando da cbl. o sr. luiz emediato, do grupo geração, prometeu de público providências contra as fraudes no selo "jardim dos livros". já o sr. fábio cyrino, da landmark, responsável pela publicação dos plágios de persuasão e o morro dos ventos uivantes, continua a se fazer de mortinho.

mas, qualquer chapa que vença, entendo que o compromisso básico da câmara brasileira do livro é com o livro (honesto, ça va sans dire) e com o leitor.

imagem: matisse, www.peabirus.com.br

14 de fev de 2009

pensadores, xenofonte II

xenofonte, apologia de sócrates

1. trad. líbero rangel de andrade, abril cultural, sob licença
2. "trad." mirtes coscodai ou não consta, nova cultural, "direitos exclusivos"

1. líbero rangel de andrade
p. 181:
É de crer que tanto Sócrates como aqueles de seus amigos que falaram em sua defesa dissessem ainda muitas outras coisas. Mas não me propus desfiar todos os pormenores do processo; basta-me ter feito ver que Sócrates tomara por ponto demonstrar que jamais fora ímpio para com os deuses nem injusto para com os homens, mas que longe dele pensar rebaixar-se a súplicas para escapar à morte: ao contrário, desde logo se persuadira haver chegado a hora de morrer.

p. 182:
Atos contra os quais a lei pronuncia a morte, como a profanação dos templos, o roubo com efração, a venda de homens livres, a traição à pátria, meus próprios acusadores não ousam dizer que os haja cometido. Surpreso, pois, pergunto a mim mesmo qual o crime por que me condenais à morte. Nem por morrer injustamente devo ter-me em menor estima: não sobre mim, mas sobre os que me condenam cairá a ignomínia. Demais, consolo-me com Palamedes que findou quase como eu. Até hoje ainda lhe cantam hinos mais magníficos que a Ulisses, que o fez perecer injustamente.

p. 183:
Acompanhava-o certo Apolodoro, alma simples e extremamente afeiçoada a Sócrates, que lhe disse:
— Não posso suportar, Sócrates, ver-te morrer injustamente.
Então se diz que, passando-lhe de leve a mão pela cabeça, Sócrates respondeu:
— Como! Meu caro Apolodoro então preferias ver-me morrer justamente?
E ao mesmo tempo sorria.
É voz ainda que, vendo passar Ânito, disse:
— Vejam só como vai ufano aquele homem: crê ter realizado bela façanha em me matando, por haver-lhe eu dito certo dia que, uma vez que fora levado às primeiras dignidades da República, não ficava bem elevar o filho ao mister de tanoeiro. Miserável! Parece ignorar que, de nós dois, verdadeiro vencedor é aquele que durante toda a vida não cessou de praticar ações úteis e honestas.



2. ambíguo: mirtes coscodai na página de rosto; não consta no início do texto
p. 278:
É de acreditar que tanto Sócrates como os seus amigos que falaram em sua defesa dissessem ainda muitas outras coisas. Mas não me propus alinhavar todos os pormenores do processo; basta-me ter feito ver que Sócrates tomara por ponto demonstrar que nunca havia sido ímpio para com os deuses nem injusto para com os homens, mas que longe dele pensar rebaixar-se a súplicas para escapar à morte: ao contrário, desde logo se convencera haver chegado o momento de morrer.

pp. 278-79:
Atos contra os quais a lei pronuncia a morte, como a profanação dos templos, o roubo, a venda de homens livres, a traição à pátria, meus próprios acusadores não ousam dizer que os tenha cometido. Surpreso, pois, indago a mim mesmo qual o crime por que me condenais à morte. Nem por morrer injustamente devo ter-me em menor estima: não sobre mim, mas sobre os que me condenam cairá a ignomínia. Ademais, consolo-me com Palamedes que acabou quase como eu. Até hoje ainda lhe cantam hinos mais estupendos do que a Ulisses, que o fez morrer injustamente.

p. 281:
Acompanhava-o certo Apolodoro, alma simples e extremamente afeiçoada a Sócrates, que lhe disse:
— Não posso aguentar, Sócrates, ver-te morrer injustamente.
Então dizem que, passando-lhe de leve a mão pela cabeça, Sócrates respondeu:
— Meu caro Apolodoro, então preferias ver-me morrer justamente?
E ao mesmo tempo sorria.
Dizem ainda que, vendo passar Ânito, disse:
— Vejam só como vai orgulhoso aquele homem: julga haver realizado bela façanha em me matando, por haver-lhe eu dito certo dia que, uma vez que fora levado às primeiras dignidades da República, não ficava bem elevar o filho ao ofício de tanoeiro. Miserável! Parece ignorar que, de nós dois, verdadeiro vencedor é aquele que durante toda a vida não parou de praticar ações úteis e honestas.

atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.

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