31/10/2009
coluna dos tradutores
a coluna inaugura com um ciclo de sete textos de ivo barroso, sobre seus itinerários nesta fecunda seara.
Mais um lançamento

Traduzido por Roger Maioli dos Santos
convite
30/10/2009
miséria pouca é bobagem
num primeiro levantamento que fiz, a origem das espécies de darwin aparece no brasil nas seguintes edições:
I.
- Hemus, em pretensa tradução de Eduardo Fonseca, desde 1979 até hoje, em inúmeras reedições;
- Ediouro, em pretensa tradução de Eduardo Fonseca, desde 1987 até hoje, em inúmeras reedições;
* atualização em 10/12/2009: sobre a atribuição da tradução, ver informe. atualização em 14/12/2009: ver solicitação. 04/10/2011: ver atualização abaixo, neste mesmo post.
- Leopardo/Hemus, em pretensa tradução de Eduardo Fonseca, 2009.
As pretensas traduções acima citadas foram cotejadas com a tradução de Joaquim Dá Mesquita Paul, publicada pela editora Lello & Irmão, Porto, desde 1913 até hoje, em inúmeras reedições. Em ambos os casos, é incontestável o recurso ao plágio, com a agravante de adulterações na tentativa de disfarçar a cópia.
II.
John Green assina o plágio de um Sherlock Holmes (vide aqui), e devido à quantidade de plágios presentes no catálogo da editora sinto uma certa cautela em relação a essa edição. Retornarei a ela em breve.
atualizado em julho de 2010: com efeito trata-se de uma colcha de retalhes copiando trechos da tradução de Joaquim dá Mesquita e grande parte da tradução de Eugênio Amado. Veja aqui. (04/10/2011: com isso entendo que essa tradução se enquadra no bloco I, entre as outras espúrias.)
III.
- Itatiaia/Villa Rica, em tradução de Eugênio Amado, desde 1985 até hoje, em várias reedições;
- Larousse/Escala, em tradução de André Campos Mesquita, desde 2004 até hoje, em várias reedições (ver comentário do tradutor na caixa de comentários).
Não conheço essas duas edições, mas, como sempre parto do princípio da boa fé e não sei de nada que possa desaboná-las, tomo-as por legítimas e honestas. (Ver ainda atualização de 04/10/2011, no final deste post.)
Atualizado em julho de 2010: tive ocasião de consultar a edição da Itatiaia/Villa Rica. a tradução de eugênio amado me pareceu bastante fidedigna.
Obs.: Há ainda um pequeno volume, A origem das espécies - esboço de 1842, pela Newton Compton, em tradução de Mario Fondelli, publicado algumas vezes entre 1992 e 1997.
Existe também uma versão condensada da obra, em tradução de Fábio de Melo Sene, em edição conjunta Melhoramentos/ UnB, 1982. Atualizado em 07/03/2011: Agradeço a Lucas Petry Bender e faço duas retificações: a tradução é de Aulyde Soares, e a primeira edição é de 1979.
Voltando ao início, nem sei bem como colocar a quantidade de problemas revelados por esse levantamento.
Acho um tremendo azar que o Brasil disponha de cinco [atualização: seis] falsificações de uma tradução que, além de interposta, parece demonstrar talvez não suficiente conhecimento da língua de interposição.
Os tostões que os ishpertos ganham com isso não lhes queimam as mãos?
Atualização: uma tristeza absurda foi que a Coleção Folha, Livros que Mudaram o Mundo, licenciou justamente essa coisa infame da Hemus para o volume Darwin. Veja aqui e aqui.
29/10/2009
fichas caindo
Em entrevista, Daniela Senador, gerente de mídias digitais da Cosac Naify, contou que a editora pretende "criar uma espécie de 'biblioteca de downloads' na qual oferecerá periodicamente um livro de seu catálogo para (as pessoas) baixarem na íntegra". "Considero as mudanças (promovidas pela internet e as novas tecnologias) favoráveis porque potencializam o livro como produto em seu próprio mercado tornando o seu conteúdo mais acessível a diversos perfis de público. Não acredito que as mudanças impressas pela web e novas tecnologias estejam oprimindo a indústria do livro nem que ferramentas como Kindle concorram com o livro físico. Talvez colaborem para incentivar ainda mais a leitura", afirmou.
via http://twitter.com/digital_cultura
imagem: marioav via livros e afins
Parece que deu certo!
"Após pressão de grupos, Ministério da Cultura vai abrir consulta pública para reformar lei de direitos autorais
O Ministério da Cultura vai colocar a proposta de nova Lei de Direitos Autorais em consulta pública no próximo dia 9, atendendo a uma solicitação do Idec e de outras entidades parceiras que enviaram carta ao ministro Juca Ferreira (Cultura) na última sexta-feira (23) apelando para a imediata publicação da reforma."
Dia 9 de novembro, a propósito, é o dia da abertura do III Congresso de Direito de Autor e Interesse Público, organizado pela UFSC, mas aqui em São Paulo. As inscrições estão abertas até o dia 04/11. Eu já me inscrevi, pretendo assistir aos debates, e principalmente aos das mesas sobre LIMITAÇÕES AOS DIREITOS AUTORAIS I e II, a partir das 15h do dia 9.
28/10/2009
dicionário dos intraduzíveis
maravilhoso: agora nos dias 3 a 5 de novembro, vai ser o I Colóquio do Vocabulário Internacional das Filosofias, na UFRJ, dentro do projeto do Dicionário dos Intraduzíveis, do OUSIA.o site deles é um encanto.
que se multipliquem as ousias, as mirabilias e os vivavoxes, e mostrem para as editoras que mais vale ter zelo em suas edições, e que tradução é tudo de bom.
imagem: logo ufrj
finalmente!
Meses atrás, tinha ocorrido aquele escândalo com a obra de Joaquim Cardozo, após um longo e amoroso trabalho de organização de suas obras completas, levado a cabo por Everardo Norões: pois não é que a Nova Aguilar e a Fundação Joaquim Nabuco simplesmente haviam esquecido de lhe creditar a organização da obra?!o cisco e a trave
Compareceram os presidentes das Câmaras Iberoamericanas, inclusive Rosely Boschini pela CBL, onde fizeram relatos sobre a situação de cada mercado, compras de governo e pirataria.
27/10/2009
revisão da LDA
siga no twitter: http://twitter.com/direitodeautor
participe do fórum de cultura digital: http://culturadigital.br/groups/reforma-da-lei-de-direito-autoral
veja o labblog: http://culturadigital.br/blog/2009/10/27/reforma-da-lei-de-direito-autoral-em-discussao/
carta do GPOPAI ao MinC
Apelo ao Ministro da Cultura para a imediata publicação da reforma da lei de direitos autorais
São Paulo, 23 de outubro de 2009
Apelo ao Sr. Ministro da Cultura, Juca Ferreira para a imediata publicação da reforma da lei de direitos autorais
Excelentíssimo Ministro Juca Ferreira,
O processo de discussão da lei de direitos autorais (Lei 9.610/1998) conduzido por este Ministério da Cultura nos últimos dois anos apontou de maneira inequívoca para a sua inadequação frente às atuais necessidades da sociedade brasileira. Em particular, evidenciou-se que a referida lei (1) está em descompasso com os novos usos de obras permitidos pelas novas tecnologias; (2) não permite de forma inequívoca o uso de obras protegidas para fins educacionais e científicos; (3) não permite o adequado trabalho de preservação das organizações de proteção ao patrimônio cultural; (4) não dá suficientes garantias para o acesso às obras em domínio público e; (5) não protege adequadamente os autores na sua relação com os intermediários culturais.
O resultado do longo (mas também estimulante) processo de discussão do Fórum Nacional de Direito Autoral deveria ser materializado na proposta de uma nova lei de direitos autorais que tratasse de maneira atual e adequada todos esses problemas e limitações da legislação atual. A expectativa era que essa nova proposta fosse apresentada em abril de 2009 - prazo que depois foi prorrogado para setembro. Agora, estamos em meados de outubro e a proposta não foi ainda apresentada.
Com a aproximação do fim do ano, as possibilidades de envio da proposta ao Congresso Nacional com chances reais de aprovação tornam-se cada vez mais distantes. Trata-se de um processo longo, que inclui a apresentação pública da proposta, sua discussão por meio de uma consulta e a tramitação nas duas casas do Congresso. É notório, também, que a pauta do Legislativo pouco avançará no próximo ano em função das eleições nacionais. Em função disso, tememos que todo esse árduo trabalho de debate, negociação e elaboração seja perdido. Tratar-se-ia, neste caso, do desperdício de uma oportunidade histórica de elaborar uma proposta avançada, adequada à nova realidade tecnológica e às necessidades efetivas da sociedade brasileira que hoje carece de respaldo legal para desenvolver de maneira adequada a educação e a cultura do país. Por isso, fazemos esse apelo para que a proposta seja apresentada com a maior brevidade de maneira que possa ser discutida e em seguida possa tramitar e ser aprovada com êxito pelo Legislativo.
Assinam este apelo:
Gpopai/USP - Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação
Idec - Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor
Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social
Ação Educativa
Instituto Paulo Freire
Movimento Música Para Baixar
Sérgio Amadeu, professor da Fundação Cásper Líbero
Ladislau Dowbor, professor da PUC-SP
Ivana Bentes, professora da UFRJ
Sobre embasicetas, taças comuns e costelas (Satíricon II)

Eu acho que as notas do tradutor costumam dar as melhores pistas. Nelas os tradutores tendem a chamar a atenção sobre pontos bastante específicos, dificuldades de tradução, ambigüidades, jogos de palavra. Pois foi exatamente uma dessas que me enlevou. Observem as palavras marcadas em verde.

Cláudio Aquati (2008, p. 37) – Fonte: direto do latim, versão estabelecida por Ernout (1923)
[24.] Levado até o maior desespero, não contive mais as lágrimas:
– Mas, senhora, perguntei, não é verdade que havia mandado providenciar uma tal de “embasiceta”?5
Ela bateu palmas com a maior delicadeza e disse:
– Ó, mas que homem inteligente e fonte da esperteza nacional! O quê? Você já não tinha entendido que “embasiceta” quer dizer “bicha”?
Então, para que o meu companheiro não se saísse melhor, eu disse:
– Por favor, senhora, me ajude! Só o Ascilto tem folga neste triclínio?
– Está bem – disse Quartila. – Dêem também uma “embasiceta” para o Ascilto.
Mal ouviu isso, a bicha mudou de cavalo: depois de passar para o meu companheiro, esfolou-o com a bunda e com seus beijos.
5 O termo latino embasicoetam remete a uma palavra grega que ao mesmo tempo significa “taça”e “pederasta”.

Miguel Ruas (Escala, s.d., p. 35; Atena, 1949) – Fonte: não informada
Não pude conter as lágrimas por mais tempo e, no auge do desespero, disse:
– Por favor, oh! Senhora, não havíeis ordenado que se me dessem uma taça comum?8
Ela bateu as mãos, e, com ar ligeiramente irônico, exclamou:
– Oh! Como és inteligente! Como penetras a fineza da nossa linguagem! Não compreendeste que se pode chamar de taça comum também a quem passa de leito em leito?
Mas eu não queria que o meu amigo fosse privado de um tal divertimento, e por isso gritei:
– Afinal, respondei-me: neste triclínio Ascilto é o único que deve permanece tranqüilo?
– Pois bem, acrescentou Quartila, que a taça comum passe para Ascilto.
A estas palavras o bailarino trocou de montaria e, trepando sobre o meu companheiro, derreou-o a golpes de nádegas, cobrindo-o ao mesmo tempo de beijos.
Marcos Santarrita (1970, p. 28) – Fonte: Le Satyricon (apesar de não especificada qual tradução francesa, minhas pesquisas me levam à de Charles Héguin de Guerle (1861)Não pude conter por mais tempo as minhas lágrimas e, com o coração trespassado de tristeza, disse a Quartila:
– Oh, como és inteligente – respondeu ela, batendo suavemente as mãos. – A questão é espiritual! Não sabes que o papel desse homem é exatamente esse? Por que estás surpreso?
– Mas – repliquei, ciumento ao ver meu camarada em situação melhor que a minha –, permitirás que Ascilto, tranqüilo em sua cama, seja o único a saborear as delícias do repouso?
– Muito bem – disse ela. – Que Ascilto também tenha a sua parte.
Dito e feito: meu cavaleiro mudou de montaria e, sob o peso de suas carícias impuras, estalaram os membros do meu pobre companheiro.
Alex Marins (2001, p. 39) – Fonte: não informadaXXIV
Não pude conter por mais tempo as minhas lágrimas e, com tristeza trespassando o meu coração, disse a Quartila:
– Minha senhora, não me prometeste uma “costela”?
– Ah, como és inteligente – retrucou ela, batendo as mãos com suavidade. – A questão é espiritual! Não sabes que o papel desse homem é precisamente esse? Surpreso?
– Mas – repliquei com ciúmes ao ver meu amigo em situação superior à minha –, permitirás que Ascilto, tranqüilo em seu leito, seja o único a saborear as delícias do descanso?
– Está bem – concordou ela. – Que Ascilto também receba a sua parte.
Dito e feito: meu cavaleiro mudou para outra montaria e, sob o peso da impureza de suas carícias, estalaram os membros do meu pobre camarada.
Charles Héguin de Guerle (1861)
XXIV
Je ne pus retenir plus longtemps mes larmes ; et, le coeur navré de tristesse : — Madame, dis-je à Quartilla, est-ce bien là l’Embasicète que vous m’aviez promis ? — O l’habile homme ! répondit-elle en frappant doucement des mains ; la question est spirituelle ! Embasicète ne veut-il pas dire incube. Cela vous étonne? — Du moins, répliquai-je, jaloux de voir mon camarade plus heureux que moi, souffrirez-vous qu’Ascylte, bien tranquille sur son lit, savoure seul en paix les douceurs du repos ? — À la bonne heure ! dit-elle, qu’Ascylte y passe à son tour. — Aussitôt fait que dit : mon écuyer change de monture, et le voilà qui, sous le poids de ses impures caresses, broie les membres de mon pauvre compagnon.
As marcas em verde nos trechos acima são as diversas traduções da palavra latina embasicoetam, que em francês ficou embasicète. “Embasiceta” merece uma nota de rodapé para Cláudio Aquati, que explica o duplo sentido. Miguel Ruas utiliza a expressão taças comuns, mas aponta, também em nota, que a palavra é de fato obscura. Marcos Santarrita resolve a questão à sua maneira, preferindo usar “costelas”, sem qualquer explicação. Alex Marins, por sua vez, consegue lidar com o problema utilizando, ah, “costelas”! Costelas? A troco de quê?
Para melhor entender por que a tradução de Alex Marins é definitivamente um plágio da de Marcos Santarrita, marquei em vermelho as palavras que foram mudadas segundo aquela técnica do “copidesque por sinonímia”, que mantém a estrutura das frases, trocando apenas algumas palavras por sinônimos, ou variando levemente a ordem delas.
Em azul, marquei o que deveria ser diferente caso se tratasse de dois tradutores. Cotejando com o original francês, como é possível que a frase: “Embasicète ne veut-il pas dire incube”, se transforme em “Não sabes que o papel desse homem é exatamente [ou precisamente] esse”, em duas traduções distintas?
E o que dizer da questão espiritual? Baixou o mesmo espírito em dois tradutores diferentes? Ou nenhum dos dois é um pouco espirituoso? (O encarregado do copidesque parece não ser).
E essas “costelas”? Eu ainda não atinei para o significado delas. Será uma gíria da década de 70 para pederasta? Isso talvez explicasse como dois tradutores se teriam servido de mesma, estranha, entre aspas, expressão? Haveria por aí alguma outra alma iluminada como o Danilo Nogueira (que tão brilhantemente solucionou o problema do canário selvagem de Darwin), que possa nos dar uma luz?
Joana Canêdo
imagens: e-books adelaide, arca da união, mundo dos orixás, webciencia
lançamento
os galápagos caipiras II
aqui seguem alguns exemplos da difusão institucional d'a origem das espécies publicada pela madras, com tradução também espúria.** atualização em 10/12/2009: sobre a falsa atribuição, ver informe. atualização em 14/12/2009: ver solicitação.
http://www.geneticanaescola.com.br/ano3vol2/03.pdf
http://www.foco.fae.ufmg.br/conferencia/index.php/enpec/viienpec/paper/view/771/632
http://www.geografia.fflch.usp.br/graduacao/apoio/Apoio/Apoio_Sueli/2s_2009/Bibliografia_Biogeografia_2009.doc
http://www.rc.unesp.br/igce/simpgeo/307-321paul.pdf
http://www.recife.pe.gov.br/chicoscience/biblioteca.html
http://www.lacertaambiental.com.br/pdf/artigos/barbieri_e_tinoco_semoc_2005.pdf
http://www.marcoaureliobaggio.com/livros/69_etapas_evolutivas.pdf
http://www.biblioteca.pucpr.br/tede/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=601
www.cefetam.edu.br/downloads/relatorio_uned_2005.pdf
http://ciberteologia.paulinas.org.br/portals/44/LivroDigital.pdf
http://webx.sefaz.al.gov.br/licitacao/licitacao/sc158-2005/PREGAO_N%C2%BA_SC-158-2005_LIVROS_FUNESA.pdf
26/10/2009
Satíricon
Quando eu chego a um sebo e, por acaso, bato o olho em 4 edições diferentes de uma mesma obra, fico imediatamente curiosa: serão 4 diferentes traduções, ou a mesma tradução editada por 4 diferentes editoras, enfim, o que há de particular nesses 4 livros?
Foi o que aconteceu na semana passada quando me vi diante do Satíricon, de Petrônio, em edições da Civilização Brasileira (1970), Abril Cultural (1981), Martin Claret (2001) e Escala (s.d.). Quando comentei isso com a Denise, ela me lembrou que justamente a tradução de Cláudio Aquati do Satíricon, pela Cosac Naify (2008), acabara de ganhar o segundo lugar do prêmio Jabuti 2009, na categoria “Tradução”. Não tive dúvida e comprei tudo (menos o da Abril Cultural, que tinha os mesmos créditos de tradução da Civ. Bras.): nunca havia lido Petrônio e seria uma ótima oportunidade para comparar os diferentes trabalhos.
Antes de começar a leitura, no entanto, dei uma olhada mais cuidada nas edições:
Cosac Naify (2008)
Tradução: Cláudio Aquati (professor da UNESP, especialista em literatura latina. Tradução realizada com financiamento da FAPESP)
Fonte: Texto latino estabelecido por Alfred Ernout em 1923 (Paris: Société d’Édition Les Belles Lettres, 1950, 3ª ed.). Segundo o tradutor, uma versão confiável do original latino está disponível no site The Latin Library.
Estrutura do texto: na p. 241, o tradutor fala sobre a estrutura da tradução: “As lacunas estão indicadas por asteriscos. [...] A divisão em vinte partes também se deve ao tradutor, bem como sua denominação. Cada parte está dividida em capítulos (141 no total), indicados por algarismos arábicos entre colchetes”.
Apresentação: Raymond Queneau (traduzido por Paulo Werneck)
Posfácio: Cláudio Aquati (sobre a obra, sobre o autor, sobre a tradução, imagens e sugestões de leitura)
Escala (s.d.)
Tradução: Miguel Ruas (tradutor também de Platão, pela editora Atena. Direitos cedidos pela Ediouro.)
Fonte: Não indicada.
Estrutura do texto: 15 capítulos com títulos
Introdução: G. D. Leoni
Outras edições desta tradução: Atena (1949), Ediouro (1965), Tecnoprint (1980)
Civilização Brasileira (1970)
Tradução: Marcos Santarrita (autor de 12 romances e tradutor de Pirandello, H. G. Wells, Henry James, Alexandre Dumas, Eric Hobsbawm, Philip Roth, Dashiell Hammett, Charles Bukowski, entre outros)
Fonte: Do original francês Le Satyricon (não há informação sobre qual tradução francesa)
Estrutura do texto: 141 capítulos em algarismos romanos.
Apresentação: Carlos Nelson Coutinho
Orelha: Mário da Silva Brito
Outras edições desta tradução: Editora Três (1974), Abril Cultural (1980)
Martin Claret (2001)
Tradução: Alex Marins (plagiador de Monteiro Lobato, Moacyr Werneck de Castro, Adolfo Casais Monteiro, Godofredo Rangel, entre outros)
Fonte: Não indicada.
Estrutura do texto: 141 capítulos em algarismos romanos.
Introdução: Mário da Silva Brito (interessante, o mesmo texto da orelha da edição da Civilização Brasileira)
Adicionais: perfil biográfico, complemento de leitura (Cristina Spechoto)
O que eu mais gosto na edição da Martin Claret é a menção “Texto Integral” desde a capa. É como uma marca registrada da editora, que a imprime (no piloto automático) na grande maioria de seus livros: uma jogada de marketing para dizer que seria um trabalho completo, sério. O curioso é que nunca se faz menção à fonte desse texto “integral”: vem direto do latim; por interposição de uma tradução francesa; qual, dentre tantas? No caso específico do Satíricon, o que caracteriza o texto é que chegou aos tempos modernos em FRAGMENTOS!!! Desde a Antiguidade, ninguém nunca viu um texto “integral” da obra de Petrônio. No entanto, a Martin Claret parece ter conseguido manuscritos inéditos, pois além da menção na capa, comenta em seu complemento à leitura: “Acreditando no poder da leitura, a Editora Martin Claret traz, do século I, mais uma obra prima para você”.
Identifiquei ainda as seguintes traduções do Satíricon para o português do Brasil e de Portugal:
- Jorge de Sampaio, Europa-América (Lisboa), 1973.
- Paulo Leminski, Brasiliense, 1985. Tradução, introdução, notas e posfácio.
- Sandra Braga Bianchet, Crisálida, 2004. Tradução, introdução, notas e posfácio.
- Delfim F. Leão, Cotovia (Lisboa), 2005.
Vou agora ler as traduções aqui de casa e volto com um cotejo.
Joana Canêdo
obs: Obrigada, Denise, pelo espaço em seu blog.
Imagens: Cosac Naify, Submarino, CotaCota, Gojaba
25/10/2009
leituras
24/10/2009
pateau à l'orange
esta violenta mutação, ivone benedetti demonstrou que se deu por um fator muito bem analisado por darwin, a saber, o uso ou hábito. veja aqui: o pato afinal quem somos?
danilo nogueira aborda o fenômeno mostrando como a evolução do pato fringillizado apresenta pequenas modificações decorrentes das variações de seu habitat, como forma de adaptação ambiental. veja aqui: edição extra, quanto mais mexe mais fede.
e alessandro martins dá uma nota considerando que tal mutação caminha em sentido contrário. veja aqui: evolução às avessas.
outra hipótese é que foi o tempero que estragou o prato: tradução ruim transforma pato em canário.
finalmente, federico carotti sugere como almoço de domingo:
des pateaux et des canariaux
bingo, não deu outra! a tradução de mesquita paul foi feita por interposição do francês, na tradução de edmond barbier, de 1876. veja aqui a edição de schleicher frères, de 1906.
edmond barbier (1876):
Le changement des habitudes produit des effets héréditaires ; on pourrait citer, par exemple, l’époque de la floraison des plantes transportées d’un climat dans un autre. Chez les animaux, l’usage ou le non-usage des parties a une influence plus considérable encore. Ainsi, proportionnellement au reste du squelette, les os de l’aile pèsent moins et les os de la cuisse pèsent plus chez le canard domestique que chez le canard sauvage. Or, on peut incontestablement attribuer ce changement à ce que le canard domestique vole moins et marche plus que le canard sauvage. Nous pouvons encore citer, comme un des effets de l’usage des parties, le développement considérable, transmissible par hérédité, des mamelles chez les vaches et chez les chèvres dans les pays où l’on a l’habitude de traire ces animaux, comparativement à l’état de ces organes dans d’autres pays. Tous les animaux domestiques ont, dans quelques pays, les oreilles pendantes ; on a attribué cette particularité au fait que ces animaux, ayant moins de causes d’alarmes, cessent de se servir des muscles de l’oreille, et cette opinion semble très fondée.
joaquim dá mesquita paul (1913):
A mudança dos hábitos produz efeitos hereditários; poderia citar-se, por exemplo, a época da floração das plantas transportadas de um clima para outro. Nos animais, o uso ou não uso das partes tem uma influência mais considerável ainda. Assim, proporcionalmente ao resto do esqueleto, os ossos da asa pesam menos e os ossos da coxa pesam mais no canário doméstico que no canário selvagem. Ora, pode incontestavelmente atribuir-se esta alteração a que o canário doméstico voa menos e marcha mais que o canário selvagem. Podemos ainda citar, como um dos efeitos do uso das partes, o desenvolvimento considerável, transmissível por hereditariedade, das mamas das vacas e das cabras nos países em que há o hábito de ordenhar estes animais, comparativamente ao estado desses órgãos nos outros países. Todos os animais domésticos têm, em alguns países, as orelhas pendentes; atribui-se esta particularidade ao fato de estes animais, tendo menos causas de alarme, acabarem por se não servir dos músculos da orelha, e esta opinião parece bem fundada.
edição da madras (2009):*
A mudança dos hábitos produz efeitos hereditários; poderíamos citar, por exemplo, a época da floração das plantas transportadas de um clima para outro. Nos animais, o uso ou não-uso das partes tem uma influência mais considerável ainda. Assim, proporcionalmente ao resto do esqueleto, os ossos da asa pesam menos e os ossos da coxa pesam mais no canário doméstico que no canário selvagem. Ora, incontestavelmente, pode-se atribuir esta alteração ao fato de que o canário doméstico voa menos e marcha mais que o canário selvagem. Podemos citar, ainda, como um dos efeitos do uso dos membros, o desenvolvimento considerável, transmissível por hereditariedade, das mamas das vacas e das cabras nos países em que se tem por hábito ordenhar estes animais, comparativamente ao estado destes órgãos em outros países. Todos os animais domésticos têm, em alguns países, as orelhas pendentes; atribui-se esta particularidade ao fato de estes animais, por terem menos motivos para alarmar, acabarem por não se servir dos músculos da orelha, e esta opinião parece bem fundada.
* atualização em 10/12/2009: sobre a atribuição dessa tradução, ver informe. atualização em 14/12/2009: ver solicitação.
e eu tinha perguntado espantada: "Algumas coisas chamam a atenção. Por que, ó céus, não se poderia traduzir duck por pato? Ou como duas traduções, com quase um século de distância entre elas, conseguem se afastar do texto original exatamente da mesma maneira? Como ambas conseguem pegar uma frase tão simples e direta como: 'thus I find in the domestic duck that the bones of the wing weigh less and the bones of the leg more, in proportion to the whole skeleton, than do the same bones in the wild duck', e lhe dar tal idêntica torção a ponto de transformá-la em 'Assim, proporcionalmente ao resto do esqueleto, os ossos da asa pesam menos e os ossos da coxa pesam mais no canário doméstico que no canário selvagem'?"
a resposta é dupla, e a primeira parte dela está aqui: "Ainsi, proportionnellement au reste du squelette, les os de l’aile pèsent moins et les os de la cuisse pèsent plus chez le canard domestique que chez le canard sauvage". a tradução de mesquita paul é por interposição do francês, o que não é crime nenhum, mas explica as torções da linguagem e mostra que o francês de nosso amigo era bem fraquinho. a segunda parte da resposta é que a pretensa tradução publicada pela madras nem do inglês seria, a despeito do que está estampado na imprenta do livro: "Traduzido originalmente do inglês sob o título On the origen [sic] of Species by means of Natural Selection".
agradeço o ótimo toque de danilo.
imagem: ooops
23/10/2009
isso lá é comemoração?
* atualização em 10/12/2009: sobre a atribuição dessa tradução, ver informe. atualização em 14/12/2009: ver solicitação. atualização em 04/10/2011: em 2011, a madras lançou nova tradução, de soraya freitas - veja aqui.
trata-se de uma cópia levemente modificada da provecta tradução de joaquim dá mesquita paul (1913, lello & irmão, portugal), já indevidamente utilizada pela editora hemus e várias vezes reeditada pela ediouro em nome de eduardo nunes fonseca.
Joaquim Dá Mesquita Paul (1913):
A mudança dos hábitos produz efeitos hereditários; poderia citar-se, por exemplo, a época da floração das plantas transportadas de um clima para outro. Nos animais, o uso ou não uso das partes tem uma influência mais considerável ainda. Assim, proporcionalmente ao resto do esqueleto, os ossos da asa pesam menos e os ossos da coxa pesam mais no canário doméstico que no canário selvagem. Ora, pode incontestavelmente atribuir-se esta alteração a que o canário doméstico voa menos e marcha mais que o canário selvagem. Podemos ainda citar, como um dos efeitos do uso das partes, o desenvolvimento considerável, transmissível por hereditariedade, das mamas das vacas e das cabras nos países em que há o hábito de ordenhar estes animais, comparativamente ao estado desses órgãos nos outros países. Todos os animais domésticos têm, em alguns países, as orelhas pendentes; atribui-se esta particularidade ao fato de estes animais, tendo menos causas de alarme, acabarem por se não servir dos músculos da orelha, e esta opinião parece bem fundada.
Edição da Madras (2009):
A mudança dos hábitos produz efeitos hereditários; poderíamos citar, por exemplo, a época da floração das plantas transportadas de um clima para outro. Nos animais, o uso ou não-uso das partes tem uma influência mais considerável ainda. Assim, proporcionalmente ao resto do esqueleto, os ossos da asa pesam menos e os ossos da coxa pesam mais no canário doméstico que no canário selvagem. Ora, incontestavelmente, pode-se atribuir esta alteração ao fato de que o canário doméstico voa menos e marcha mais que o canário selvagem. Podemos citar, ainda, como um dos efeitos do uso dos membros, o desenvolvimento considerável, transmissível por hereditariedade, das mamas das vacas e das cabras nos países em que se tem por hábito ordenhar estes animais, comparativamente ao estado destes órgãos em outros países. Todos os animais domésticos têm, em alguns países, as orelhas pendentes; atribui-se esta particularidade ao fato de estes animais, por terem menos motivos para alarmar, acabarem por não se servir dos músculos da orelha, e esta opinião parece bem fundada.
Algumas coisas chamam a atenção. Por que, ó céus, não se poderia traduzir duck por pato? Ou como duas traduções, com quase um século de distância entre elas, conseguem se afastar do texto original exatamente da mesma maneira? Como ambas conseguem pegar uma frase tão simples e direta como: “thus I find in the domestic duck that the bones of the wing weigh less and the bones of the leg more, in proportion to the whole skeleton, than do the same bones in the wild duck”, e lhe dar tal idêntica torção a ponto de transformá-la em “Assim, proporcionalmente ao resto do esqueleto, os ossos da asa pesam menos e os ossos da coxa pesam mais no canário doméstico que no canário selvagem”?Joaquim Dá Mesquita Paul (1913):
Pode dizer-se, metaforicamente, que a seleção natural procura, a cada instante e em todo o mundo, as variações mais ligeiras; repele as que são nocivas, conserva e acumula as que são úteis; trabalha em silêncio, insensivelmente, por toda a parte e sempre, desde que a ocasião se apresente para melhorar todos os seres organizados relativamente às suas condições de existência orgânicas e inorgânicas. Estas transformações lentas e progressivas escapam-nos até que, no decorrer das idades, a mão do tempo as tenha marcado com o seu sinete e então damos tão pouca conta dos longos períodos geológicos decorridos, que nos contentamos em dizer que as formas viventes são hoje diferentes do que foram outrora.
Edição da Madras (2009):
Pode-se dizer, metaforicamente, que a seleção natural procura, a cada instante e em todo o mundo, as variações mais sutis; repele as [] nocivas, conserva e acumula as que são úteis; trabalha em silêncio, insensivelmente, por toda a parte e sempre, desde que se apresente a ocasião para melhorar [] os seres organizados relativamente às suas condições de existência orgânicas e inorgânicas. Essas transformações lentas e progressivas fogem à nossa percepção até que, com o tempo, as mãos dos mesmos [sic] as tenham marcado com [] seu sinete e, então, damos tão pouca conta dos longos períodos geológicos decorridos que simplesmente nos contentamos em dizer que as formas viventes são hoje diferentes do que foram outrora.
damos tão pouca conta dos longos períodos geológicos decorridos, que nos contentamos em dizer que as formas viventes são hoje diferentes do que foram outrora.
damos tão pouca conta dos longos períodos geológicos decorridos que simplesmente nos contentamos em dizer que as formas viventes são hoje diferentes do que foram outrora.
[Ch. V] The eyes of moles and of some burrowing rodents are rudimentary in size, and in some cases are quite covered by skin and fur. This state of the eyes is probably due to gradual reduction from disuse, but aided perhaps by natural selection. In South America, a burrowing rodent, the tuco-tuco, or Ctenomys, is even more subterranean in its habits than the mole; and I was assured by a Spaniard, who had often caught them, that they were frequently blind. One which I kept alive was certainly in this condition, the cause, as appeared on dissection, having been inflammation of the nictitating membrane. As frequent inflammation of the eyes must be injurious to any animal, and as eyes are certainly not necessary to animals having subterranean habits, a reduction in their size, with the adhesion of the eyelids and growth of fur over them, might in such case be an advantage; and if so, natural selection would aid the effects of disuse.
aqui segue-se um exemplo de "tradução por sinonímia", como diz meu amigo saulo von randow jr.
Joaquim Dá Mesquista Paul (1913):
As toupeiras e alguns outros roedores cavadores têm os olhos rudimentares, algumas vezes mesmo completamente cobertos de uma película e de pêlos. Este estado dos olhos é provavelmente devido a uma diminuição gradual, proveniente do não uso, aumentando sem dúvida pela seleção natural. Na América Meridional, um roedor chamado Tucu-Tuco ou Ctenomys tem costumes ainda mais subterrâneos que a toupeira; asseveravam-me que estes animais são freqüentemente cegos. Observei um vivo e realmente este era cego; dissequei-o depois da morte, e descobri então que a cegueira provinha de uma inflamação da membrana pestanejante. A inflamação dos olhos é necessariamente nociva ao animal; ora, como os olhos não são necessários aos animais que têm hábitos subterrâneos, uma diminuição deste órgão, seguida da aderência das pálpebras e da proteção pelos pêlos, poderia neste caso tornar-se vantajosa; se é assim, a seleção natural vem completar a obra começada pelo não uso do órgão.
Edição da Madras (2009):
As toupeiras e alguns outros roedores cavadores têm os olhos rudimentares, algumas vezes [] totalmente cobertos por uma película e pelos. Esta situação dos olhos é devida, talvez, a uma diminuição gradual, ocasionada pelo não-uso, aumentado sem dúvida pela seleção natural. Na América meridional, um roedor chamado tuco-tuco ou Ctenomys tem hábitos ainda mais subterrâneos que a toupeira; asseveraram-me que, em geral, estes animais são [] cegos. Observei um exemplar vivo e na realidade este era cego; dissequei-o depois de morto e descobri [] que a cegueira provinha de [] inflamação da membrana pestanejante. A inflamação dos olhos é absolutamente nociva ao animal; ora, como os olhos não são essenciais aos animais que têm costumes subterrâneos, uma diminuição deste órgão, acompanhada da aderência das pálpebras e da proteção pelos pelos, poderia tornar-se vantajosa neste caso; se assim for, a seleção natural vem completar o trabalho iniciado pelo não-uso do órgão.
[Ch. VIII] The possibility, or even probability, of inherited variations of instinct in a state of nature will be strengthened by briefly considering a few cases under domestication. We shall thus be enabled to see the part which habit and the selection of so-called spontaneous variations have played in modifying the mental qualities of our domestic animals. It is notorious how much domestic animals vary in their mental qualities. With cats, for instance, one naturally takes to catching rats, and another mice, and these tendencies are known to be inherited.
Joaquim Dá Mesquista Paul (1913):
O exame rápido de alguns casos observados nos animais domésticos permitir-nos-á estabelecer a possibilidade ou mesmo a probabilidade de transmissão por hereditariedade das variações do instinto no estado de natureza. Poderemos apreciar, ao mesmo tempo, o papel que o hábito e a seleção das variações chamadas espontâneas têm gozado nas modificações que sofreram as aptidões mentais dos nossos animais domésticos. Sabe-se o quanto variam a este respeito. Certos gatos, por exemplo, atacam naturalmente as ratazanas, outros lançam-se sobre os ratos, e estes caracteres são hereditários.
Edição da Madras (2009):
O exame rápido de alguns casos constatados nos animais domésticos nos permitirá estabelecer a possibilidade, ou mesmo a probabilidade, de transmissão por hereditariedade das variações do instinto no estado natural. Poderemos apreciar, ao mesmo tempo, o papel que o hábito e a seleção das variações chamadas espontâneas têm desfrutado nas modificações que sofreram as capacidades mentais dos nossos animais domésticos. Sabe-se o quanto variam a este respeito. Alguns gatos, por exemplo, atacam naturalmente as ratazanas, outros lançam-se sobre os ratos, e estes caracteres são hereditários.
[Ch. VIII] One cat, according to Mr. St. John, always brought home game birds, another hares or rabbits, and another hunted on marshy ground and almost nightly caught woodcocks or snipes. A number of curious and authentic instances could be given of various shades of disposition and taste, and likewise of the oddest tricks, associated with certain frames of mind or periods of time.
Joaquim Dá Mesquista Paul (1913):
Um gato, segundo M. Saint-John, espreitava sempre a capoeira, outro a repartição das lebres e dos coelhos; um terceiro caçava nos terrenos pantanosos e apanhava quase todas as noites alguma narceja. Poderia citar-se um grande número de casos curiosos e autênticos indicando diversas modalidades de caráter e de gosto, assim como hábitos exóticos, em relação com certas disposições de tempo ou de lugar, e tornados hereditários.
Um gato, segundo M. Saint-John, espreitava sempre a capoeira, outro, a região das lebres e dos coelhos; um terceiro caçava nos terrenos pantanosos e caçava quase todas as noites alguma narceja. Poder-se-ia citar um sem-número de casos curiosos e autênticos apresentando diversas modalidades de caráter e de gosto assim como hábitos bizarros em relação a certas disposições de tempo ou de lugar, e tornados hereditários.
copidesque é uma função importantíssima no trabalho editorial, mas não se confunde com tradução. quando o copidesque se apresenta como se fosse uma nova tradução, deixa de ser copidesque e passa a ser plágio, contrafação, roubo intelectual ou como se queira chamar. é importante que as editoras tenham essa clareza e que revisores e copidesquistas não se prestem ao papel de pseudotradutores. é ruim para todo mundo, sobretudo para os leitores e a cultura geral da sociedade.
para o original, usei a 6a. edição, considerada a definitiva, disponível em gutenberg.org
imagens: livraria cultura; canário-preto; sinete; catbird



















