30 de jun de 2011

tradutores e editoras II

a l&pm tem em seu site uma seção muito legal de entrevistas, várias delas com tradutores de obras publicadas
pela casa. por exemplo:
estas e outras entrevistas estão agrupadas aqui.
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29 de jun de 2011

tradutores e editoras I

acho legal que a companhia das letras venha publicando textos de tradutores de obras lançadas pela casa. eis alguns:
  • alexandre barbosa de souza, orgulho e preconceito, de jane austen (aliás, com um ótimo vídeo com raquel sallaberry, do jane austen em português): aqui
  • rosa freire d'aguiar, os ensaios, de michel montaigne: aqui
  • paulo geiger, traduzindo amós oz: aqui
os posts da companhia das letras sobre as traduções estão agrupados aqui.

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28 de jun de 2011

sim, não, muito pelo contrário

aliás, nessa história de tradução que troca negativa por afirmativa ou viceversa e outros erros de entendimento, além do caso do brenno em o grande gatsby que mencionei no último post, há um caso divertido em que tanto oscar mendes quanto josé paulo paes trocam as bolas: o gato preto, de edgar allan poe. o narrador está falando de sua esposa e diz a certa altura: my wife, who at heart was not a little tinctured with superstition... [not a little: não pouco, muito, bastante].


oscar mendes se saiu com "minha mulher, que no íntimo não tinha nem um pouco de superstição", e josé paulo paes com "minha mulher, que no íntimo não era nem um pouco supersticiosa". nessa brenno silveira não caiu e deu corretamente como "minha mulher, que, no íntimo de seu coração, era um tanto supersticiosa".

em walden, fiz uma bobagem dessas em in a new country, fuel is an encumbrance: dei como "num país novo, combustível é um problema" (p. 71).

tal como nos outros casos, minha gafe também não engatava no contexto - pois thoreau está justamente dizendo que não é preciso se preocupar com o aquecimento das casas. foi só relendo o livro depois de impresso é que me veio num raio: pois claro, denise, que marcada! num país novo, com suas matas, a madeira - para se fazer lenha - é tanta que chega a atravancar! (numa eventual reedição, vou pedir que corrijam para algo como "num país novo, lenha é o que não falta" ou "lenha dá e sobra".)


em suma, às vezes a gente dá uns escorregões...

imagens: google images
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27 de jun de 2011

coleção abril, perplexidades

MANTENHO ESTE POST COMO LEMBRETE E ALERTA PARA MIM MESMA, PARA QUE NÃO VOLTE A ACONTECER: MANIFESTAR-ME SEM TER CHECADO MELHOR AS INFORMAÇÕES.

agradeço a beth, nos comentários, por ter feito o que evidentemente cabia a mim fazer: checar a existência efetiva da edição comentada por um leitor e que constitui o assunto deste post. como ela diz: "Estranho. O título O Grande Gatsby não consta da coleção Clássicos Abril Coleções, lançada em 2010, como pode ser conferido facilmente, consultando o site http://www.abrilcolecoes.com.br/colecoes/classicos-abril-colecoes-536162.shtml"

apenas agora fiz o que devia ter feito desde o começo: uma pesquisa mais apurada e sempre indispensável antes de afirmar qualquer coisa. não consegui localizar a edição da abril, nem mesmo em suas coleções dos anos 70 e 80, correspondente à tradução comentada abaixo. o que localizei foi um lançamento de o grande gatsby em portugal, em 2000, pela Abril/Controljornal, uma joint venture entre a brasileira Abril e a portuguesa Controljornal, com publicações para venda em bancas, atualmente chamada Edimpresa. o livro de fitzgerald faz parte da colecção novis, 5, biblioteca visão, utilizando a tradução de fernanda césar com licenciamento da europa-américa (disponível aqui). peço ao leitor que deixou o comentário inicial se pode confirmar esses dados de edição ou acrescentar outros.


fica aqui registrado meu pedido de desculpas à editora abril pelas bobagens que escrevi, e retiro o que afirmei. e a todos, minhas desculpas por minha irresponsabilidade neste post.

FIM DA ATUALIZAÇÃO. SEGUE-SE O POST ORIGINAL.

em 2010, saudei a notícia do lançamento da coleção clássicos da abril, mas não cheguei a acompanhá-la. outro dia, um leitor deixou um comentário aqui a respeito de um de seus títulos, o grande gatsby, de scott fitzgerald. diz ele:
denise, vc já viu a tradução de the great gatsby da ed. abril da fernanda césar? pq, sério, acho que nunca vi tradução tão ruim qt aquela. sério, é PÉSSIMA. vou colar um trecho do início (desculpa a má formatação):
"Quando eu era mais novinho, e mais vulnerável, o meu pai deu-me um determinado conselho que ainda hoje me anda às voltas na cabeça.
- De cada vez que te apetecer criticar alguém - disse-me -, lembra-te sempre de que nem toda a gente neste mundo gozou algum dia das vantagens que tu tens tido.
E mais não disse. Mas fomos sempre invulgarmente comunicativos, se bem que de modo algo reservado, e percebi que ele queria dizer muito mais do que disse. Tornei-me, em consequência disso, propenso a reservar todos os juízos, hábito que atraiu a mim muitas índoles curiosas e fez de mim, igualmente, a vítima de não poucos chatos de carreira. A mente anormal é ágil a detectar e a ater-se a esta qualidade, quando ela se revela numa pessoa normal, e assim aconteceu que, quando andava na universidade, vim a ser injustamente acusado de me meter em política, só porque conhecia as angústias secretas de pessoas impulsivas anónimas."
pelo exemplo transcrito acima, a tradução de fernanda césar, publicada pela europa-américa desde os anos 80, não me parece ruim: pelo contrário, respeita bastante o original e, para quem gosta do linguajar lusitano, acho que flui até bem saborosa e escorreita. o que me parece ruim mesmo e totalmente despropositado é que a abril lance uma tradução portuguesa sem qualquer cuidado em adaptá-la, nem mesmo nos acentos, ao português brasileiro, e assim ela acaba nos soando meio arrevesada.


ainda no mesmo post, bem lembra elaphar que no brasil temos a conhecidíssima tradução de brenno silveira, publicada desde 1962 em inúmeras edições pela civilização brasileira, abril cultural, círculo do livro, biblioteca da folha, record, record/altaya, globo.


em 2003 saiu uma nova tradução, agora de roberto muggiati, pela record, reeditada em 2007 pelo selo bestbolso.


como se sabe, a editora abril não tem um catálogo próprio de traduções e apenas adquire a licença de uso de traduções publicadas por outras editoras. até imagino que nem sempre seja fácil fechar alguma negociação, e sem dúvida a abril deve ter tido suas razões para optar por uma tradução estrangeira. mas o estranhamento que um texto de dicção tão marcadamente lusitana causa em leitores brasileiros parece indicar que a editora, na hora de escolher, bem que poderia e deveria ter pensado duas vezes.

p.s.: elaphar, no mesmo link dado acima, coloca um trechinho na tradução de brenno silveira e o original correspondente:
Em meus anos mais juvenis e vulneráveis, meu pai me deu um conselho que jamais esqueci:
- Sempre que você tiver vontade de criticar alguém - disse-me ele - lembre-se que criatura alguma neste mundo teve as vantagens de que você desfrutou.
In my younger and more vulnerable years my father gave me some advice that I’ve been turning over in my mind ever since.
"Whenever you feel like criticizing any one," he told me, "just remember that all the people in this world haven’t had the advantages that you’ve had."
não por nada, mas aí quem está certa é a fernanda e o brenno marcou: all the people... haven't had  quer dizer "nem todo mundo teve" e não "ninguém teve".
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abl - boa notícia

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parabéns, que programação esmerada!


com coordenação de nosso prezado geraldo holanda cavalcanti, grande nome na seara da tradução poética, em 28 de junho se inicia na abl o ciclo "desafios da tradução literária", com conferências de pesos-pesados: andréia guerini, rosa freire d'aguiar, aleksandar jovanovic e mamede jarouche.
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23 de jun de 2011

swift, wilde, yeats, beckett etc.

 

peter o'neill desenvolve um belo trabalho de pesquisa sobre a literatura irlandesa no brasil desde 1888, com levantamento exaustivo de autores, obras, traduções, capas, editoras e datas das edições lançadas entre nós, atualizado até 2011.

dá gosto de ver: irish literature in brazil since 1888.
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que pena!

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encafifada com a impressão de que a editora martin claret estaria tentando dar uma no cravo e outra na ferradura ao cadastrar uma tradução de mário laranjeira (flores do mal) e depois uma suposta tradução de um suposto "rodolfo schaefer" (crítica da razão prática) - veja aqui -, fiz um levantamento de seus dez últimos registros oficiais na agência do isbn, na fundação biblioteca nacional. são eles (clique nos títulos para ver as fichas):

978-85-7232-817-3 As flores do mal - trad. Mário Laranjeira
978-85-7232-818-0 Memórias de Sherlock Holmes - trad. Joaquim Machado
978-85-7232-819-7 As aventuras de Huckleberry finn - trad. Alex Marins
978-85-7232-820-3 Dos delitos e das penas - trad. Torrieri Guimarães
978-85-7232-821-0 A arte da guerra - trad. Pietro Nassetti
978-85-7232-822-7 Os melhores contos de Lovecraft - trad. Lenita Esteves
978-85-7232-823-4 Os melhores contos de Edgar Alan Poe - trad. Katia Orberg e Eliane Fittipaldi
978-85-7232-824-1 A arte da prudência - trad. Pietro Nassetti
978-85-7232-825-8 Crítica da razão prática - trad. Rodolfo Schaefer
978-85-7232-826-5 Os arquivos de Sherlock Holmes - trad. Casemiro Linarth

entre os tradutores da lista acima, mário laranjeira e lenita esteves são ambos docentes da usp e autores de traduções sérias e respeitadas. casemiro linarth, jornalista paranaense, tem se dedicado nos últimos anos a traduzir conan doyle para a editora, e não conheço nada que possa desabonar suas traduções. o mesmo em relação a kátia orberg e eliane fittipaldi, esta última também tradutora experiente, docente e conhecedora de poe.
torrieri guimarães, advogado já falecido, traduzia pelo espanhol e, apesar de ter feito e assinado várias traduções ao longo da vida, não chegou propriamente a criar respeitabilidade entre leitores e profissionais.

pietro nassetti, dentista também falecido poucos anos atrás, virou motivo de indignação, espanto e piada em inúmeros veículos de comunicação por dar seu nome a mais de uma centena de cópias e plágios de tradução na editora martin claret. alex marins, que comparece como autor de dezenas de traduções espúrias, não passa de uma figura de fantasia, e tampouco "rodolfo schaefer" parece ser mais do que um simples nome de cobertura.

joaquim machado, tradutor português, era publicado no brasil pela editora melhoramentos, a qual declarou que jamais cedeu os direitos dessa tradução para a martin claret. sua tradução tinha sido adulterada e copiada com o nome de "john green", o mesmo que assina a estupefaciente edição d' a origem das espécies pela editora claret. mas talvez, quem sabe, pode ser que esta tenha vindo a adquirir a licença em data mais recente. a ver.

das dez obras citadas acima, cinco delas, eivadas de irregularidades e/ou inexplicáveis peculiaridades, já foram comentadas no nãogostodeplágio.
  • memórias de sherlock holmes: veja aqui e aqui
  • as aventuras de huckleberry finn: aqui e aqui
  • a arte da guerra: denúncia do jornalista adam sun, na revista piauíaqui; ver também aqui
  • a arte da prudência: aqui e aqui
  • crítica da razão prática: aqui e aqui
mas esses registros recentes na agência do isbn na fundação biblioteca nacional parecem sugerir que a editora martin claret não renunciou a suas bizarras práticas que se estendem por mais de uma década. lamentavelmente, não vejo como a pequena minoria de traduções sérias e honestas conseguiria escapar aos respingos dessa política editorial.

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22 de jun de 2011

muito prático

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para traduzir kant, os claretistas devem ter achado que um nome de ressonância teutônica iria melhor do que um macarrônico pietro nassetti. deve ter sido assim que nasceu "rodolfo schaefer". essa criatura - um golem, talvez? - então parece ter pegado a conhecida tradução de artur morão (edições 70, 1984), e botado uns temperos da tradução mais antiga de afonso bertagnoli (brasil editora, 1959; depois na ediouro).
















[POST ORIGINALMENTE PUBLICADO EM 06/04/2009 - desnecessário dizer que qualquer tradutor de kant, seja diretamente do alemão ou por interposição de outra língua, há de ter alguma bagagem, seja acadêmica, seja tradutória. "rodolfo schaefer", porém, parece não apresentar outras credenciais além de ser o nome de uma rua na cidade de guabiruba em santa catarina.]

a quem se interessar pela crítica da razão prática na tradução de afonso bertagnoli, ela se encontra disponível para download no site do ebooksbrasil, aqui.

apresento abaixo morão, bertagnoli, "schaefer" e kant. é fácil ver que a base da cópia é o texto de morão, e os vários enxertos de bertagnoli são evidentes. além da cópia literal, que nem é preciso apontar, destaquei alguns exemplos mais curiosos em que "schaefer" repete soluções meio esdrúxulas de bertagnoli ou mistura as duas fontes em português, estropiando o sentido das frases.

ahn, ahn

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comemorei no post anterior, se não o lançamento (pois não encontrei ainda à venda nas livrarias), pelo menos o cadastramento da tradução de mário laranjeira d' as flores do mal de baudelaire pela editora martin claret. veja aqui.

mas parece mesmo que, como dizem, alegria de pobre dura pouco ou, alternativamente, o lobo perde o pelo, mas não perde o vício; pau torto não endireita, e outras máximas da sabedoria popular. eis que entre os novos livros da editora cadastrados no isbn aparece este aqui: Crítica da razão prática. clicando no título, aparece o cadastro, que é o seguinte:

ISBN: 978-85-7232-825-8
TÍTULO: Crítica da razão prática
COLEÇÃO: A obra-prima de cada autor
VOLUME DA COLEÇÃO: 126
AUTOR: Immanuel Kant
TRADUTOR: Rodolfo Schaefer
EDIÇÃO: 3
ANO DE EDIÇÃO: 2011
LOCAL DE EDIÇÃO: SÃO PAULO
TIPO DE SUPORTE: PAPEL
PÁGINAS: 400
EDITORA: MARTIN CLARET

aí vira brincadeira. começa que essa suposta tradução desse suposto "rodolfo schaefer" nem seria a terceira, como está registrado, e sim a nona, pois encontram-se à venda edições de 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010.


o mais grave, porém, é a tradução, que já comentei aqui em abril de 2009 e vou republicar no próximo post.
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nova tradução de flores do mal?

vejo que a editora martin claret cadastrou recentemente no isbn/fbn uma nova edição das flores do mal de baudelaire, agora com tradução de ninguém menos que mário laranjeira.
ISBN: 978-85-7232-817-3
TÍTULO: As flores do mal
COLEÇÃO: A obra-prima de cada autor
VOLUME DA COLEÇÃO: 52
AUTOR: Charles Baudelaire
TRADUTOR: Mário Laranjeira
EDIÇÃO: 1
ANO DE EDIÇÃO: 2011
LOCAL DE EDIÇÃO: SÃO PAULO
TIPO DE SUPORTE: PAPEL
PÁGINAS: 272
EDITORA: MARTIN CLARET
mário laranjeira é um dos grandes tradutores atuais do brasil, mestre no ofício - procurei essa nova edição da claret em alguns sites de livrarias para comprar, mas pelo jeito ainda não saiu.

imagino que a nova edição da martin claret (isbn 978-85-7232-817-3) provavelmente vem para substituir sua edição anterior, de 2001 (isbn 85-7232-405-4, imagem da capa abaixo). essa edição de 2001, que a editora ainda divulga em seu site (veja aqui), foi um escândalo: tratava-se de uma cópia atamancada da tradução de jamil almansur haddad, que a editora tinha publicado atribuindo-a a "pietro nassetti" - quem denunciou a fraude já em 2002 foi o grande tradutor, poeta e crítico literário ivo barroso, insigne mestre do ofício, em seu artigo "flores roubadas do jardim alheio" publicado na revista agulha. o artigo de ivo barroso mostra com vários exemplos a apropriação feita e os toscos disfarces estropiando os poemas, na tentativa de mascarar o plágio. veja aqui.


resta ainda que a editora martin claret retire rapidamente de circulação e catálogo as sobras dessa edição espúria e lance logo a nova tradução, agora de mário laranjeira. não seria mau de todo se a editora também se prontificasse a ressarcir os leitores que foram ludibriados com a velha edição, trocando-a pela edição de 2011 já cadastrada na fbn.
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17 de jun de 2011

tradução vira original

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L’arte di scrivere i libri degli altri, ovvero i furbi dell'editoria: impressionante! a tradução italiana do romance de patrick süskind, il profumo, feita por giovanna agabio, vira um livro italiano chamado sí no, de autoria de um tal "alberto canetto", mudando um nominho aqui, outro nominho ali.


agradeço o toque de tamara barile, via facebook
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16 de jun de 2011

prêmio abl de tradução 2011: ufa!

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a abl não deu vexame no prêmio de tradução 2011: ganha sergio flaksman com sua tradução o amante de lady chatterley, de david herbert lawrence. parabéns ao sergio, tradutor com extensa relação de obras publicadas, todas de alto nível.

aqui a lista completa dos prêmios literários da abl em 2011, com meus votos para que a abl, pelo menos nos prêmios de tradução, não se extravie mais pelas sendas escusas do compadrio.

aqui o arquivo abl, prêmio de tradução 2010.
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6 de jun de 2011

por que quero premiações de verdade

aproxima-se a data do prêmio de tradução da abl para obras literárias publicadas em 2010.

gostaria de explicar por que acho importante que esse prêmio de fato premie boas traduções.

em primeiro lugar, creio ser inegável que as obras de tradução têm um peso considerável no brasil. se - segundo dados que vejo na internet - nos estados unidos as traduções literárias correspondem a menos de 4% da produção editorial e, na europa, a cerca de 12-14%, no brasil alguns pesquisadores como heloísa barbosa e lia wyler estimam uma proporção que chega aos 80%.

apesar dessa presença significativa de obras traduzidas no país, o reconhecimento do ofício de tradução está muito aquém do que se poderia esperar. uma das formas de reconhecimento público, em todo o mundo, é a outorga de prêmios a obras de destacada qualidade. no brasil, porém, conta-se nos dedos de uma das mãos o número de prêmios de tradução. e refiro-me apenas à tradução literária, pois a tradução não literária é ainda menos reconhecida.

veja-se como está a situação dos prêmios de tradução literária no brasil:
  • o prêmio açorianos deixou de existir desde o ano retrasado;
  • agora em 2011, a cbl eliminou uma das duas categorias de tradução no prêmio jabuti;
  • com isso, restam apenas o jabuti (em apenas uma categoria, câmara brasileira do livro), o paulo rónai (fundação biblioteca nacional) e o da abl (academia brasileira de letras). a fundação nacional de literatura infanto-juvenil mantém o monteiro lobato tradução criança e o monteiro lobato tradução jovem.
em tradução não literária, temos apenas um prêmio, o da união latina, a cada três anos!

é por isso que acho que temos tanto mais razão em esperar que esses poucos, minguados, rarefeitos prêmios de tradução de fato premiem os praticantes de um ofício que responde por grande parte das publicações e das leituras do país.

e é por isso que acho uma pena enorme que a abl tenha descarrilado totalmente no ano passado, ao conceder um desses raríssimos prêmios a uma obra que não tinha as qualidades mínimas necessárias para ser sequer indicada.

ademais, não podemos esquecer que, antes desse triste episódio na abl em 2010, seu histórico de premiações era digno e louvável. veja-se:
2003 – Boris Schnaiderman
2004 – Bruno Palma e Marcos Santarrita
2005 – Ivo Barroso e Eduardo Brandão
2006 – Geraldo de Holanda Cavalcanti
2007 – Bárbara Heliodora
2008 – Leonardo Fróes e Agenor Soares dos Santos
2009 – Paulo Bezerra
[2010:  Milton Lins]
quanto ao velho argumento de que a abl, sendo uma fundação de direito privado, premia quem ela bem quiser, já expus longamente minha opinião: resumindo, por seu papel institucional, ela tem, sim senhor, de dar algum tipo de satisfação pública pelas escolhas culturais que faz.
 
então, a quem considera tola e inglória essa minha briga para se ter uma premiação legítima na abl, eu respondo: não, muito pelo contrário! temos é de torcer para que a abl volte a reconhecer devidamente a importância das boas traduções.

a quem afirma que essa minha esperança na verdade seria uma cruzada em proveito próprio, só posso lembrar que não costumo fazer tradução literária e me sinto bastante tranquila para defender desinteressadamente prêmios para traduções literárias meritórias.
 
e por fim, a quem pensa que eu não deveria criticar premiações francamente equivocadas porque estaria ferindo colegas de ofício, bom, só posso dizer que o corporativismo nunca foi uma coisa muito saudável em qualquer ofício que seja.
 
atualização: ao que parece, a comissão de tradução da abl já se reuniu e já tem suas indicações para este ano. seria legal se divulgassem.

quem quiser se informar sobre os descaminhos da abl em sua premiação de 2010, ver aqui.
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5 de jun de 2011

"se tirar nota zero, eu furo o céu": o shakespeare de milton lins

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o despropósito que é a tradução dos sonetos de shakespeare cometida por milton lins, aquele mesmo da acintosa premiação da abl em 2010, continua a espantar seus leitores. menos mau que esse crime de lesa-letras não passe em branco, como mostra uma lúcida resenha publicada recentemente: veja aqui.

entre maio e junho de 2010, este blog se manifestou longamente sobre o assunto: a bofetada pública que a abl desferiu simbolicamente contra o digno ofício de tradução ao premiar uma obra de tradução que apenas demonstrava a incompetência linguística de seu autor; o jogo de influências dentro da abl; o silêncio ou desconversa de vários imortais; a cobertura da imprensa sobre esse escândalo; a manifestação de muitos tradutores sérios e intelectuais probos, além de vários exemplos ilustrando os incríveis disparates perpetrados por milton lins. veja aqui os posts publicados a esse respeito.

imagem: voodoo pen-holder, google images
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