30 de nov de 2011

ecce homo, martin claret

ecce homo tem sofrido um bom pouco no brasil. houve a fraude descabelada da editora rideel em 2005, que publicou uma cópia atamancada da tradução portuguesa de artur morão, atribuindo-a ao nome de "heloísa da graça burati". ver aqui.

diz a editora que recolheu essa edição espúria após o desmascaramento da fraude, mas alguns milhares de exemplares circularam e foram vendidos, e certamente continuam a integrar bibliotecas pessoais e públicas.



desde 1999, a martin claret publica ecce homo em sucessivas reedições, incansavelmente atribuindo a autoria da tradução a pietro nassetti:

neste caso, o autor da tradução legítima que serviu de base para a fraude nassetti-claretiana é lourival de queiroz henkel. ela foi publicada por volta de 1936 pela edições e publicações brasil, com prefácio de afonso bertagnoli. a brasil lançou quatro edições da obra, até 1959.


mais tarde, a tradução de lourival de queiroz henkel trafegou para a tecnoprint e ediouro, com inúmeras reedições, e agora consta como "temporariamente" esgotada:


veja-se uma rápida comparação entre a tradução de lourival de queiroz henkel e a cópia de pietro nassetti. nietzsche está comentando sua obra a origem da tragédia:
O início é sobremodo singular. Pela minha experiência íntima, fora-me dado descobrir o único símbolo e paralelo que à história é dado possuir, tendo sido o primeiro também a conceber o maravilhoso fenômeno dionisíaco. Ao mesmo tempo, pelo fato de ter reconhecido Sócrates como um decadente, experimentara de maneira indubitável quão pouco o meu instinto psicológico estava ameaçado por qualquer idiossincrasia moral: a própria moral, considerada como sintoma da decadência, é uma inovação, uma particularidade de primeira ordem na história da consciência. Como passara alto, de um só pulo, em todos os dois casos, acima das conversas fiadas do otimismo contra o pessimismo! ... Eu anuncio o advento de uma era trágica: a arte mais sublime na afirmação da vida, a tragédia, renascerá quando a humanidade, sem sofrimento, tiver atrás de si a consciência de ter sustentado as guerras mais rudes e mais necessárias.(LQH) 
Este início é sobremodo singular. Pela minha experiência íntima, fora-me dado descobrir o único símbolo e paralelo que à história é dado possuir, tendo sido o primeiro também a conceber o maravilhoso fenômeno dionisíaco. Ao mesmo tempo, pelo fato de ter reconhecido Sócrates como um decadente, experimentara de maneira indubitável quão pouco o meu instinto psicológico estava ameaçado por qualquer idiossincrasia moral: a própria moral, considerada como sintoma da decadência, é uma inovação, uma particularidade de primeira ordem na história da consciência. Como passara alto, de um só pulo, em todos os dois casos, acima das conversas fiadas do otimismo contra o pessimismo! ... Eu anuncio o advento de era trágica: a arte mais sublime na afirmação da vida, a tragédia, renascerá quando a humanidade, sem sofrimento, terá atrás de si a consciência de ter sustentado as guerras mais rudes e mais necessárias. (PN)
aliás, a edição claretiana do ecce homo traz também o prefácio de afonso bertagnoli à edição de c.1936. a coisa está meio confusa, pois aparentemente o editor da martin claret achou que o prefácio seria do próprio nietzsche e o apresentou em "versão de affonso bertagnoli, adaptada por mauro araujo de souza" (p. 25).

esse patético ecce homo da martin claret se encontra disponível para download em vários sites, por exemplo aqui. se a pessoa quiser uma tradução legítima, o supracitado ecce homo de artur morão, garfado pela rideel, se encontra, por exemplo, aqui.

atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.
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29 de nov de 2011

zaratustra, martin claret

aliás, aproveitando a ocasião, vejamos a edição da martin claret, assim falou zaratustra, em suas várias capinhas:
no começo aparecem "alex marins" e pietro nassetti se revezando como supostos tradutores, 
além de uma "equipe de tradutores" , capa de 1999

a "equipe de tradutores" se intercala com os outros dois e depois some; nassetti fica até 2002; 
depois volta "alex marins", que fica até hoje; capa desde 1999 até 2010

2010 e 2011, constando como "nova edição inteiramente revisada". não sei o que isso pode significar; 
o velho "alex marins" de guerra continua a aparecer como o pretenso tradutor.

Clique para ampliar a capa
outra capita de 2011

abaixo segue o texto na pretensa tradução intermitentemente atribuída a pietro nassetti nas edições de 1999 a 2002, disponível aqui
Preâmbulo de Zaratustra  
Aos trinta anos Zaratustra afastou−se da sua pátria e do lago da sua pátria, e dirigiu−se à montanha. Durante dez anos gozou por lá do seu espírito e da sua solidão sem se cansar. Variaram, no entanto, os seus sentimentos, e uma manhã, erguendo−se com a aurora, pôs−se em frente do sol e falou−lhe da seguinte maneira: "Grande astro! Que seria da tua felicidade se te faltassem aqueles a quem iluminas? Faz dez anos que te apresentas à minha caverna, e, sem mim, sem a minha águia e a minha serpente, haver−te−ias cansado da tua luz e deste caminho. Nós, porém, te aguardávamos todas as manhãs, tomávamos−te o supérfluo e bendizíamos−te. Pois bem: já estou tão enfastiado da minha sabedoria, como a abelha quando acumula demasiado mel. Necessito mãos que se estendam para mim. Quisera dar e repartir até que os sábios tornassem a gozar da sua loucura e os pobres, da sua riqueza. Por essa razão devo descer às profundidades, como tu pela noite, astro exuberante de riqueza quando transpôes o mar para levar a tua luz ao mundo inferior. Eu devo descer, como tu, segundo dizem os homens a quem me quero dirigir. Abençoa−me, pois, olho afável, que podes ver sem inveja até uma felicidade demasiado grande! Abençoa a taça que quer transbordar, para que dela jorrem as douradas águas, levando a todos os lábios o reflexo da tua alegria!
Olha! Esta taça quer novamente esvaziar−se, e Zaratustra quer tornar a ser homem". Assim principiou o ocaso de Zaratustra. (PN)
se compararmos com a tradução feita ou revista por josé mendes de souza (1950), disponível para download aqui, é fácil constatar o grau de semelhança:
Preâmbulo de Zaratustra  
Aos trinta anos Zaratustra apartou−se da sua pátria e do lago da sua pátria, e foi-se até a montanha. Durante dez anos gozou por lá do seu espírito e da sua soledade sem se cansar. Variaram, porém, os seus sentimentos, e uma manhã, erguendo−se com a aurora, pôs−se em frente do sol e falou−lhe deste modo: "Grande astro! Que seria da tua felicidade se te faltassem aqueles a quem iluminas? Faz dez anos que te abeiras da minha caverna, e, sem mim, sem a minha águia e a minha serpente, haver−te−ias cansado da tua luz e deste caminho. Nós, porém, esperávamos-te todas as manhãs, tomávamos−te o supérfluo e bemdizíamos−te. Pois bem: já estou tão enfastiado da minha sabedoria, como a abelha que acumulasse demasiado mel. Necessito mãos que se estendam para mim. Quisera dar e repartir até que os sábios tornassem a gozar da sua loucura e os pobres da sua riqueza. Por isso devo descer às profundidades, como tu pela noite, astro exuberante de riqueza quando transpões o mar para levar a tua luz ao mundo inferior. Eu devo descer, como tu, segundo dizem os homens a quem me quero dirigir. Abençoa−me, pois, olho afável, que podes ver sem inveja até uma felicidade demasiado grande! Abençoa a taça que quer transbordar, para que dela manem as douradas águas, levando a todos os lábios o reflexo da tua alegria!
Olha! Esta taça quer de novo esvaziar−se, e Zaratustra quer tornar a ser homem".
Assim principiou o ocaso de Zaratustra. (JMS)
mais um trechinho, na sequência do prólogo:
II  
Zaratustra desceu sozinho das montanhas sem encontrar ninguém. Ao chegar aos bosques deparou−se−lhe de repente um velho de cabelos brancos que saíra da sua sagrada cabana para procurar raízes na selva. E o velho falou a Zaratustra desta maneira: "Este viandante não me é estranho: passou por aqui há anos. Chamava−se Zaratustra, mas mudou. Nesse tempo levava as suas cinzas para a montanha. Quererá levar hoje o seu fogo para os vales? Não temerá o castigo que se reserva aos incendiários? Sim; reconheço Zaratustra. O seu olhar, no entanto, e a sua boca não revelam nenhum enfado. Parece que se dirige para aqui como um bailarino! Zaratustra mudou, Zaratustra tornou−se menino, Zaratustra está acordado. Que vais fazer agora entre os que dormem? Como no mar vivias, no isolamento, e o mar te levava. Desgraçado! Queres saltar em terra? Desgraçado! Queres tornar a arrastar tu mesmo o teu corpo?"
Zaratustra respondeu: "Amo os homens".
"Pois por que − disse o santo − vim eu para a solidão? Não foi por amar demasiadamente os homens? Agora amo a Deus; não amo os homens. O homem é, para mim, coisa sobremaneira incompleta. O amor pelo homem matar−me−ia".
Zaratustra retrucou: "Falei de amor! Trago uma dádiva aos homens".
"Nada lhes dês − disse o santo. − Pelo contrário, tira−lhes algo e eles logo te ajudarão a levá−lo. Nada lhes convirá melhor de que quanto a ti de convenha. E se pretendes ajudar não lhes dês mais do que uma esmola, e ainda assim espera que te peçam".
"Não − respondeu Zaratustra; − eu não dou esmolas. Não sou bastante pobre para isso".
O santo pôs−se a rir de Zaratustra e falou assim:
"Então vê lá como te arranjas para te aceitarem os tesouros. Eles desconfiam dos solitários e não acreditam que tenhamos força para dar. As nossas passadas ecoam solitariamente demais nas ruas. E, ao ouvi−las, perguntam assim como de noite, quando, deitados nas suas camas, ouvem passar um homem muito antes de nascer o sol: Aonde irá o ladrão? Não vás ao encontro dos homens! Fica no bosque! Prefere à deles a companhia dos animais! Por que não queres ser como eu, urso entre os ursos, ave entre as aves?"
"E que faz o santo no bosque?", perguntou Zaratustra.
O santo respondeu: "Faço cânticos e canto−os, e quando faço cânticos rio, choro e murmuro. Assim louvo a Deus. Com cânticos, lágrimas, risos e murmúrios louvo ao Deus que é meu Deus. Mas, deixa ver: que presente nos trazes?".
Ao ouvir estas palavras, Zaratustra cumprimentou o santo e disse−lhe:
"Que teria eu para vos dar? O que tens a fazer é deixar−me caminhar, correndo, para vos não tirar coisa nenhuma".
Separam−se um do outro, o velho e o homem, rindo como riem duas criaturas. Zaratustra, porém, ao ficar sozinho falou assim ao seu coração: "Será possível que este santo ancião ainda não ouviu no seu bosque que Deus já morreu?" (PN) 
II  
Zaratustra desceu sozinho das montanhas sem encontrar ninguém. Ao chegar aos bosques deparou−se−lhe de repente um velho de cabelos brancos que saíra da sua santa cabana para procurar raízes na selva. E o velho falou a Zaratustra desta maneira: "Este viandante não me é estranho: passou por aqui há anos. Chamava−se Zaratustra, mas mudou. Nesse tempo levava as suas cinzas para a montanha. Quererá levar hoje o seu fogo para os vales? Não temerá o castigo que se reserva aos incendiários? Sim; reconheço Zaratustra. O seu olhar, porém, e a sua boca não revelam nenhum enfado. Parece que se dirige para aqui como um bailarino! Zaratustra mudou, Zaratustra tornou−se menino, Zaratustra está acordado. Que vais fazer agora entre os que dormem? Como no mar vivias, no isolamento, e o mar te levava. Desgraçado! Queres saltar em terra? Desgraçado! Queres tornar a arrastar tu mesmo o teu corpo?"
Zaratustra respondeu: "Amo os homens".
"Pois por que − disse o santo − vim eu para a solidão? Não foi por amar demasiadamente os homens? Agora amo a Deus; não amo os homens. O homem é, para mim, coisa sobremaneira incompleta. O amor pelo homem matar−me−ia".
Zaratustra retrucou: "Falei de amor! Trago uma dádiva aos homens".
"Nada lhes dês − disse o santo. − Pelo contrário, tira−lhes qualquer coisa e eles logo te ajudarão a levá−la. Nada lhes convirá melhor, de que quanto a ti de convenha. E se queres dar, não lhes dês mais do que uma esmola, e ainda assim espera que ta peçam".
"Não − respondeu Zaratustra; − eu não dou esmolas. Não sou bastante pobre para isso".
O santo pôs−se a rir de Zaratustra e falou assim:
"Então vê lá como te arranjas para te aceitarem os tesouros. Eles desconfiam dos solitários e não acreditam que tenhamos força para dar. As nossas passadas ecoam solitariamente demais nas ruas. E, ao ouvi−las, perguntam assim como de noite, quando, deitados nas suas camas, ouvem passar um homem muito antes de alvorecer: Aonde irá o ladrão? Não vás para os homens! Fica no bosque! Prefere à deles a companhia dos animais! Por que não queres ser como eu, urso entre os ursos, ave entre as aves?"
"E que faz o santo no bosque?", perguntou Zaratustra.
O santo respondeu: "Faço cânticos e canto−os, e quando faço cânticos rio, choro e murmuro. Assim louvo a Deus. Com cânticos, lágrimas, risos e murmúrios louvo ao Deus que é meu Deus. Mas, deixa ver: que presente nos trazes?".
Ao ouvir estas palavras, Zaratustra cumprimentou o santo e disse−lhe: "Que teria eu para vos dar? O que tens a fazer é deixar−me caminhar, correndo, para vos não tirar coisa nenhuma".
E assim se separaram um do outro, o velho e o homem, rindo como riem duas criaturas. Quando, porém, Zaratustra se viu só, falou assim ao seu coração: "Será possível que este santo ancião ainda não ouvisse no seu bosque que Deus já morreu?" (JMS)

para essa curiosa indecisão nos créditos de tradução de assim falou zaratustra pela martin claret, vejam-se alguns exemplos colhidos no google:
NIETZSCHE, Friedrich. Assim falou Zaratustra. Tradução Pietro Nassetti. São Paulo: Martin Claret, 1999
NIETZSCHE, Frederich. Assim falou Zaratustra. Trad. Alex Marins. São Paulo: Martin Claret, 1999.
NIETZSCHE, F. W. Assim Falou Zaratustra. Tradução: Equipe de tradutores da editora Martin Claret – São Paulo, SP. Editora: Martin Claret – 2000.
NIETZSCHE, Friedrich. Assim falou Zaratustra, tradução Pietro Nassetti. São Paulo. Martin Claret, 2002
NIETZSCHE, Friedrich. Assim falou Zaratustra. Trad. De Alex Marins. São Paulo, SP. Martin Claret, 2002
NIETZSCHE, Friedrich. Assim Falou Zaratustra. Trad. Alex Marins. São Paulo:Martin Claret, 2003.
NIETZSCHE, Friedrich. "Assim falou Zaratustra". Tradução de Alex Marins. São Paulo: Martin Claret, 2004.
NIESTZCHE, Friedrich. Assim Falou Zaratustra. Tradução Alex Marins.São Paulo: Ed.Martin Claret, 2005
NIETZSCHE, Friederick. Assim falou Zaratustra. Tradução: Alex Marins. São Paulo: Martin Claret, 2006
Assim falou Zaratustra. Tradução Alex Marins. São. Paulo: Martin Claret, 2007
NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Assim falou Zaratustra. Trad. Alex Marins. 2. reimp. São Paulo: Martin Claret, 2008. 

atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.



28 de nov de 2011

zaratustra, editora escala IV

aqui mostrei alguns exemplos de inexplicável identidade entre as duas traduções de assim falava zaratustra, uma feita ou revista por josé mendes de souza e outra em nome de ciro mioranza.

agora apresento outro tipo de caso, que parece indicar alguma manipulação deliberada no começo e no fim de um aforismo, enquanto todo o corpo principal mantém a identidade do texto de base. o exemplo dado abaixo é o aforismo 30 de "das antigas e das novas tábuas":

      Ó tu, vontade, necessidade minha, trégua de toda a miséria! Livra-me de todas as pequenas vitórias!
      Azar da minha alma a que chamo destino! Tu que estás em mim e sobre mim, livra-me e reserva-me para um grande destino!
      E tu, última grandeza, vontade minha, conserva-a para um fim, para que sejas implacável na tua vitória! Ai! Quem não sucumbirá à sua vitória?
      Ai! Que olhos se não têm turvado nessa embriaguez de crepúsculo? Que pé não tem tropeçado e perdido sua firmeza na vitória?
      A fim de estar preparado e maduro quando chegar o Grande Meio-Dia, preparado e maduro como o bronze reluzente, como a nuvem cheia de relâmpagos e o seio cheio de leite.
      Preparado para mim mesmo e para a minha vontade mais oculta. Um arco anelante da sua flecha, uma flecha anelante da sua estrela.
      Uma estrela preparada e madura no seu meio-dia, ardente e trespassada, satisfeita da flecha celeste que a destrói.
      Sol e implacável vontade de sol, pronta a destruir na vitória.
      Ó vontade, necessidade minha, trégua de toda a miséria! Reserva-me para uma grande vitória!"
      Assim falava Zaratustra. (JMS) 
    Ó minha vontade, vértice de todas as necessidades, necessidade minha, livra-me de todas as vitórias pequenas!
      Ó sorte de minha alma, a que chamo destino! Tu que estás em mim e sobre mim, livra-me e reserva-me para um grande destino!
      E tu, última grandeza, vontade minha, conserva-a para um fim, para que sejas implacável em tua vitória! Ai! Quem não sucumbirá à sua vitória?
      Ai! Que olhos não se têm turvado nessa embriaguez de crepúsculo? Que pé não tem tropeçado e perdido sua firmeza na vitória?
      A fim de estar preparado e maduro quando chegar o grande meio-dia, preparado e maduro como o bronze reluzente, como a nuvem cheia de relâmpagos e o seio cheio de leite.
      Preparado para mim mesmo e para minha vontade mais oculta. Um arco anelante de sua flecha, uma flecha anelante de sua estrela.
      Uma estrela preparada e madura em seu meio-dia, ardente e trespassada, satisfeita da flecha celeste que a destrói.
      Sol e implacável vontade inexorável de sol, pronta a destruir na vitória.
      Ó vontade, vértice de toda necessidade, ó minha necessidade! Reserva-me para uma só grande vitória!"
      Assim falava Zaratustra. (CM)
imagem: aqui
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Escritablog: Entrevista

Escritablog: Entrevista: Jornalista e esritor, ele traduz obras do inglês e do espanhol. Quando o assunto é tradução Com a palavra Wladir Dupont, que já t...

27 de nov de 2011

zaratustra, editora escala III



vejam-se alguns exemplos entre a tradução feita ou revista por josé mendes de souza (JMS) e da tradução que saiu pela editora escala, atribuindo-a a ciro mioranza (CM):





DA REDENÇÃO:
 Desde que vivo entre os homens, porém, o que menos me importa é ver que a este falta um olho, àquele um ouvido, a um terceiro a perna, ou que haja outros que perderam a língua, o nariz ou a cabeça. (JMS
 Desde que vivo entre os homens, porém, o que menos me importa é ver que a este falta um olho, àquele um ouvido, a um terceiro a perna, ou que haja outros que perderam a língua, o nariz ou a cabeça. (CM
 Quando, ao sair da minha soledade, atravessava pela primeira vez esta ponte, não dei crédito aos meus olhos, não cessei de olhar e acabei por dizer: “Isto é uma orelha! Uma orelha do tamanho de um homem!” Acercava-me mais, e por trás da orelha movia-se algo tão pequeno, mesquinho e débil que fazia compaixão. (JMS
 Quando, ao sair de minha solidão, atravessava pela primeira vez esta ponte, não dei crédito a meus olhos, não parei de olhar e acabei por dizer: “Isto é uma orelha! Uma orelha do tamanho de um homem!” Acercava-me mais e, por trás da orelha, movia-se algo tão pequeno, mesquinho e débil que dava dó. (CM
 DA CONVALESCENÇA: 
           Uma manhã, pouco tempo depois do regresso à sua caverna, Zaratustra saltou do leito como um louco: começou a gritar com voz terrível, gesticulando como se alguma pessoa deitada ainda se não quisesse levantar. E a voz de Zaratustra troava em termos tais, que os seus animais se lhe aproximaram espantados e de todos os esconderijos próximos da caverna de Zaratustra todos os animais fugiram, voando, revoando, arrastando-se e saltando, consoante tinham patas ou asas. Zaratustra, porém, pronunciou estas palavras:
            “Sobe, pensamento vertiginoso, sai de minha profundidade! Eu sou o teu galo e o teu crepúsculo matutino, adormecido verme! Levanta-te! A minha voz acabará por te despertar!
            Varre dos teus olhos o sono e tudo o que é míope e cego! Escuta-me também com os teus olhos. Minha voz é um remédio até para os cegos de nascença.
            E quando chegares a acordar, acordado ficarás eternamente. Eu não costumo despertar dorminhocos para que tornem a adormecer.” (JMS
           Uma manhã, pouco tempo depois do regresso à sua caverna, Zaratustra saltou do leito como louco. Começou a gritar com voz terrível, gesticulando como se alguma pessoa deitada ainda não quisesse se levantar. E a voz de Zaratustra troava em termos tais, que seus animais acorreram espantados e de todos os esconderijos próximos da caverna de Zaratustra, todos os animais fugiram, voando, revoando, arrastando-se e saltando, consoante tinham patas ou asas. Zaratustra, porém, pronunciou estas palavras:
            “Sobe, pensamento abissal, sai de minha profundidade! Eu sou teu galo e teu crepúsculo matutino, adormecido verme! Levanta-te! Minha voz acabará por te despertar!
            Tira os tampões de teus ouvidos e escuta! Porque eu quero te ouvir! Levanta-te! De pé! Há aqui trovoadas suficientes para que os túmulos também ouçam!*
            Varre de teus olhos o sono e tudo o que é míope e cego! Escuta-me também com teus olhos. Minha voz é um remédio até para os cegos de nascença.
            E quando chegares a acordar, acordado ficarás eternamente. Eu não costumo despertar dorminhocos para que tornem a adormecer.” (CM
 * Curiosamente, na edição da Guimarães, com tradução de resto muito diferente, encontra-se “Tira os tampões dos ouvidos, escuta! Porque te quero ouvir. A pé, a pé! Há aqui trovoada bastante para que os próprios túmulos ouçam”. 
 CONVERSAÇÃO [DIÁLOGO] COM OS REIS 
             “...Quando as espadas se cruzavam como serpentes tintas de vermelho, os nossos pais amavam a vida. O sol da paz parecia-lhes brando e tíbio, mas a paz prolongada envergonhava-os.
            Como os nossos pais suspiravam quando viam na parede espadas lustrosas e enxutas! Tinham sede de guerra, à semelhança dessas espadas. Porque uma espada quer beber sangue e cintila com seu ardente desejo.”
            Quando os reis falaram tão calorosamente da felicidade de seus pais, Zaratustra sentiu grandes tentações de zombar daquele ardor: porque evidentemente eram reis muito pacíficos os que via diante de si, com seus velhos e finos semblantes. (JMS
             “...Quando as espadas se cruzavam como serpentes tintas de vermelho, nossos pais amavam a vida. O sol da paz parecia-lhes brando e morno, mas a paz prolongada os envergonhava.
            Como nossos pais suspiravam quando viam na parede espadas lustrosas e enxutas! Tinham sede de guerra, à semelhança dessas espadas. Porque uma espada quer beber sangue e cintila com seu ardente desejo.”
            Quando os reis falaram tão calorosamente da felicidade de seus pais, Zaratustra sentiu grande vontade de zombar daquele ardor, porque evidentemente eram reis muito pacíficos os que via diante de si, com seus velhos e finos semblantes. (CM
 O SINAL 
             Entrementes tinham os homens superiores acordado na caverna, e dispunham-se a ir em procissão ao encontro de Zaratustra, para o saudar, porque já haviam reparado na sua ausência.Quando chegaram, porém, à porta da caverna, o leão, ao ouvir-lhes os passos, afastou-se rapidamente de Zaratustra e precipitou-se para a caverna rugindo furiosamente. Ouvindo-o rugir, os homens superiores começaram a gritar como uma só boca e, retrocedendo, desapareceram num abrir e fechar de olhos. (JMS
... Entrementes tinham os homens superiores acordado na caverna e dispunham-se a ir em procissão ao encontro de Zaratustra, para o saudar, porque já haviam reparado em sua ausência.Quando chegaram, porém, à porta da caverna, o leão, ao ouvir-lhes os passos, afastou-se rapidamente de Zaratustra e precipitou-se para a caverna rugindo furiosamente. Ouvindo-o rugir, os homens superiores começaram a gritar como se fossem uma só boca e, retrocedendo, desapareceram num abrir e fechar de olhos. (CM)

zaratustra, editora escala II

release da obra na edição "série filosofar", aqui:



página inicial da obra na "coleção grandes obras do pensamento universal", tradução de ciro mioranza:


tirando alguns torneios específicos como "a abelha que acumulasse demasiado mel" e um "olho afável" que podem ser mera coincidência, são visivelmente duas traduções independentes, o que prova uma vez mais a grande questão de qualquer autoria: obras de lavra diferente são necessariamente diferentes.

eu teria me dado por satisfeita, e provavelmente acharia que o release havia sido retirado de outra tradução, por descuido, preguiça ou negligência em relação à questão autoral.

acontece, porém, que fui folheando a edição da escala, tendo ao lado a tradução feita ou revista por josé mendes de souza. começou a aparecer uma quantidade de, digamos, coincidências que pareciam numerosas demais para ser, de fato, meras coincidências. e mais adiante, começaram a aparecer semelhanças e identidades que jamais poderiam ser consideradas coincidências. passo aos exemplos no próximo post.
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zaratustra, editora escala I


ASSIM FALAVA ZARATUSTRA - SERIE FILOSOFAR ( 0 - Edição 1 ) - ISBN. 9788576665045
eu tinha apontado aqui que o trecho inicial de assim falava zaratustra no release da editora escala para sua edição na "série filosofar", com tradução em nome de ciro mioranza, era absolutamente idêntico à antiga tradução feita ou revista por josé mendes de souza.



encomendei um exemplar, mas, ao invés da edição da "série filosofar", o livreiro enviou outra, integrante da coleção "grandes obras do pensamento universal", da mesma editora, também em tradução de ciro mioranza. não me importei muito, pois imaginei que o conteúdo seria um só. 

a primeira constatação é que a abertura de zaratustra no volume das "grandes obras" é muito diferente do que consta no release da "série filosofar" (transcreverei no próximo post). mas logo adiante começam a surgir coisas bizarras: frases idênticas às de josé mendes de souza, intercaladas com frases bem diferentes; frases muito similares às de josé mendes, apenas com um ou outro termo diferente; depois, longos trechos, até páginas inteiras praticamente iguais às de josé mendes. em outro post a seguir, documentarei essas minhas afirmativas com vários exemplos ilustrativos. 

diante de muitos indícios estranhos, fiquei com uma dúvida: afinal, de onde teria surgido o texto do release, apresentado como tradução de ciro mioranza, se não é o que consta no volume das "coleção grandes obras"? numa dessas, será que ele não constaria na edição da ''série filosofar"? assim, resolvi encomendar um exemplar desta última (mas a outro livreiro!), que deve chegar na próxima semana. por ora, passemos ao que temos em mãos.
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26 de nov de 2011

via federico carotti, aqui

25 de nov de 2011

nietzsche no brasil, complementos interessantes

a tradução portuguesa de araújo pereira - de 1913 até a data presente, pela guimarães - afinal foi publicada no brasil, circa 1936, pela cultura moderna:


é esta tradução portuguesa que julgo ser a "tradução revista e atualizada por josé mendes de souza", que saiu pela brasil em 1950 e depois, em 1967, passou para a ediouro como "tradução de josé mendes de souza", assim permanecendo pelo menos até 1995.

num entendimento muito acertado, a cultura moderna também lançou um volume com assim falava zaratustra acompanhado de os super-homens de ralph waldo emerson, cuja tremenda influência sobre nietzsche às vezes parece um pouco negligenciada em nossos estudos. (aliás, até já comentei como nietzsche e thoreau parecem irmãos a este respeito, o caçula e o primogênito disputando numa arena ideal a concretização vitalista do transcendentalismo paterno.)


nietzsche traduzido no brasil IV

após 76 anos do ingresso de nietzsche na bibliografia brasileira, chegamos a 2000. nos onze anos desse novo século, há uma enorme proliferação de traduções e retraduções, muitas de boa e ótima qualidade; muitas outras, porém, medíocres, duvidosas ou francamente espúrias. mantém-se ainda um fluxo incessante de reedições de outros anos.

acompanhe o histórico anterior em:


em 2000, sai crepúsculo dos ídolos (ou como filosofar com o martelo), em tradução de marco antônio casa nova, pela relume dumará, atualmente pertencente ao grupo ediouro:



e também em sua coleção "conexões", volume 8:*


*agradeço a informação e imagem de capa a everton grison

em 2000, a companhia das letras lança humano, demasiado humano: um livro para espíritos livres, na tradução de paulo césar de souza:


ainda em 2000, a martin claret lança suas suspeitas traduções em nome de pietro nassetti, agora:

ecce homo:
o anticristo:

em c.2001, sai além do bem e do mal: prelúdio de uma filosofia do futuro, em tradução de armando amado jr. e coordenação de márcio pugliesi, pela wvc.


em 2001, a landy lança breviário de citações, ou para conhecer nietzsche: fragmentos e aforismos, em seleção, organização e tradução de duda machado:


ainda em 2001, a martin claret lança para além do bem e do mal atribuindo a tradução a "alex marins":


em 2002, a editora da unb lança fragmentos finais, em seleção e tradução de flávio r. kothe:


também em 2002, sai uma edição didática da scipione de para a genealogia da moral, em tradução e adaptação infantil (?) de oswaldo giacóia jr.:


em 2003, sai a tradução de ivo barroso para o prólogo integral de zaratustra, em o "zaratustra" de nietzsche, de pierre héber-suffrin, pela jorge zahar:


em 2003, noéli correia de melo sobrinho lança sua seleção e tradução de escritos sobre educação, pela loyola e puc-rio:

Escritos sobre Educação

também em 2003, a segunda consideração intempestiva: da utilidade e desvantagem da história para a vida sai em tradução de marco antonio casanova, pela relume dumará:


ainda em 2003, ecce homo: de como alguém se torna o que a gente é, em tradução anotada de marcelo backes, sai pela l&pm:


em c.2003 ainda, a planeta deagostini lança a tradução portuguesa de alfredo margarido para assim falava zaratustra. não localizei imagem de capa, mas há um exemplar em nossa biblioteca nacional:


em 2003, martin claret lança a gaia ciência, em suspeita tradução atribuída a um espúrio "jean melville":


em 2004, fragmentos do espólio: julho de 1882 ao inverno de 1883-1884, sai pela edunb em seleção e tradução de flávio r. kothe:


em 2005, a martins fontes lança sabedoria para depois de amanhã, seleção dos fragmentos póstumos por heinz friedrich, em tradução de karina jannini:


ainda em 2005, a martins fontes publica a visão dionisíaca do mundo e outros textos de juventude, em tradução de marcos sinésio pereira fernandes e maria cristina dos santos de souza:


em 2005, noéli correia de melo sobrinho lança sua seleção e tradução de escritos sobre história, pela loyola e puc-rio:


ainda em 2005, a centauro lança a genealogia da moral com tradução pouco confiável em nome de josé ângelo de faria:

A GENEALOGIA DA MORAL

em 2005, a madras lança a origem da tragédia, proveniente do espírito da música, atribuindo a autoria da tradução ao nome de márcio pugliesi. trata-se, porém, de cópia maquiada da tradução de erwin theodor rosenthal (1949, cupolo; veja aqui). a editora admitiu a irregularidade e retirou a obra de catálogo, embora ainda se encontre à venda em algumas livrarias. 



também em 2005, sai uma batelada de nietzsches pela rideel, todos com pretensa tradução atribuída ao nome de heloísa da graça burati (já retirados de circulação pela editora, após admitir a fraude - veja aqui). seguem-se eles:
a gaia ciência: 
ecce homo:
o nascimento da tragédia:
humano, demasiado humano: 
além do bem e do mal: 
assim falou zaratustra:
acerca da verdade e da mentira/ o anticristo:



em 2006, pela zahar sai introdução à tragédia de sófocles, na tradução anotada de ernani chaves:


em 2006, a achiamé publica o anticristo em tradução de robson achiamé:

O Anticristo

também em 2006, a landy lança uma antologia de vários autores, o amor, receitas práticas e sábias, em tradução de renata cordeiro. não sei qual é o texto de nietzsche.


no mesmo ano, aparece pela centauro, em tradução de lilian salles kump, além do bem e do mal:

ALEM DO BEM E DO MAL

em 2007, sai nova edição de anticristo, incluindo agora ditirambos de dionisio, em tradução de paulo césar de souza, pela companhia das letras:


em 2007, noéli correia de melo sobrinho lança sua seleção e tradução de escritos sobre política, em dois volumes, pela loyola e puc-rio:


ainda em 2007, sai a vontade de poder:tentativa de uma transvaloração de todos os valores, na tradução de marcos sinésio pereira fernandes e francisco josé dias de moraes, pela contraponto:


em 2007, a hedra lança sobre verdade e mentira, na tradução de fernando de moraes barros:


ainda em 2007, a centauro lança assim falava zaratustra, com tradução atribuída ao nome de sílvio ferreira leite:


em 2008, pela l&pm, sai além do bem e do mal: prelúdio a uma filosofia do futuro, na tradução anotada de renato zwick:


ainda em 2008, a l&pm lança também o anticristo: maldição contra o cristianismo, na tradução anotada de renato zwick:
Clique para ampliar a capa

em 2008, a hedra lança a filosofia na era trágica dos gregos, na tradução de fernando de moraes barros:

Filosofia na Era Trágica dos  Gregos, A  (Bolso) - Ed. Hedra

ainda em 2008, fragmentos do espólio: primavera de 1884 a outono de 1885, em seleção e tradução de flávio r. kothe, sai pela edunb:


no mesmo ano, a dpl/ golden books lança o crepúsculo dos ídolos, como filosofar com o martelo, em tradução de jacqueline valpassos:


no mesmo ano, a edipro publica além do bem e do mal, em tradução de edson bini:


entre 2005 e 2008, a escala lança em rápida sequência vários outros títulos, que com suas edições anteriores comporão uma "biblioteca nietzsche" em vinte volumes. aqui apresento a coleção já formada, entre parênteses os nomes que constam como autores das respectivas traduções:



Assim Falava Zaratustra (ciro mioranza)
A Genealogia da Moral (antônio carlos braga) 
Crepúsculo dos Ídolos (antônio carlos braga) 
Além do Bem e do Mal (antônio carlos braga) 
Humano, Demasiado Humano (antônio carlos braga) 
A Gaia Ciência (antônio carlos braga) 
O Anticristo (antônio carlos braga) 
Ecce Homo (antônio carlos braga) 
Aurora (antônio carlos braga) 
O Nascimento da Tragédia (antônio carlos braga) 
O Livro do Filósofo (antônio carlos braga) 
O Viajante e sua Sombra (antônio carlos braga e ciro mioranza) 
Miscelânea de Opiniões e Sentenças (antônio carlos braga) 
 O Caso Wagner/ Nietzsche contra Wagner (antônio carlos braga e ciro mioranza) 
Da Utilidade e do Inconveniente da História para a Vida (antônio carlos braga e ciro mioranza) 
Schopenhauer Educador (antônio carlos braga e ciro mioranza)
Filosofia na Época Trágica dos Gregos (antônio carlos braga) 
David Strauss - Sectário e Escritor (antônio carlos braga e ciro mioranza)
Vontade de Potência em 2 vols. (mário d. ferreira santos)

em 2009 sai quarta consideração extemporânea: wagner em bayreuth, em tradução anotada de anna hartmann cavalcante, pela zahar:


em 2009, noéli correia de melo sobrinho lança sua seleção e tradução de escritos sobre direito, pela loyola e puc-rio:

Capa do livro "Escritos sobre Direito"

em 2009, sai o crepúsculo dos ídolos (ou como se filosofa com o martelo) na tradução anotada de renato zwick, pela l&pm:


depois de uma adaptação infantil, não poderia faltar uma edição em quadrinhos: o escolhido foi zaratustra, em assim falava zaratustra: dos céus aos quadrinhos, pela devir. ignoro quem fez a adaptação do texto.


em 2011, sai a filosofia na era trágica dos gregos na tradução de gabriel valladão silva, pela l&pm:


pela leya, sai uma coletânea de citações e pensamentos de nietzsche, em tradução a confirmar (org. paulo neves da silva):

CITAÇOES E PENSAMENTOS DE NIETZSCHE

em 2011, a portuguesa babel (grupo editorial que inclui a guimarães) se instala no brasil e lança um lote de três nietzsches, imagino que aproveitando as traduções da guimarães (a confirmar):


o anticristo: ensaio de uma crítica do cristianismo, pedro delfim pinto dos santos (a confirmar):
O ANTICRISTO: ENSAIO DE UMA CRITICA DO CRISTIANISMO

assim falava zaratustra, a verificar:
ASSIM FALAVA ZARATUSTRA

para além de bem e mal, em tradução de hermann pflüger (a confirmar):
PARA ALEM DE BEM E MAL

em post futuro, esboçarei uma rápida síntese desses onze anos e arriscarei uma avaliação geral de 1934 a 2011.
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