29 de dez de 2011

benjamin, um mimo xamanístico-talismânico

Partindo do inspirado e ardente delírio adâmico-platônico-filocabalístico de Benjamin sobre a tradução, Lucia Castello Branco organizou A tarefa do tradutor, de Walter Benjamin: quatro traduções para o português, que saiu pela FALE/UFMG em 2008, disponível aqui.

uma belezinha


Antologias Bilíngües:
Clássicos da teoria da tradução
Vol. 1   Antologia Bilingüe Alemão/Português 
Organizador: Werner Heidermann
Núcleo de Pesquisas em Literatura e Tradução, 2001

  
ÍNDICE
Prefácio


Johann Wolfgang von Goethe
Drei Stücke vom Übersetzen

Três Trechos sobre Tradução

Tradução de Rosvitha Friesen Blume

Friedrich
 Schleiermacher
Über die verschiedenen Methoden des Übersetzens

Sobre os Diferentes Métodos de Tradução 

Tradução de Margarete von Mühlen Poll

Wilhelm von Humboldt
Einleitung zu Agamemnon

Introdução a Agamêmnon

Tradução de Susana Kampff Lages

August
 Wilhelm von Schlegel
Über die Bhagavad-Gita

Sobre a Bhagavad-Gita

Tradução de Maria Aparecida Barbosa

Johann Christian Friedrich Hölderlin
Anmerkungen zum Oedipus

Observações sobre o Édipo

Anmerkungen zur Antigonä

Observações sobre a Antígona

Briefe an Böhlendorff

Cartas

Tradução de Márcia Sá Cavalcante Schuback

Arthur Schopenhauer
Über Sprache und Worte

Sobre Língua e Palavras

Tradução de Ina Emmel

Friedrich Nietzsche
Zum Problem des Übersetzens

Sobre o Problema da Tradução

Tradução de Richard Zenker

Walter Benjamin
Die Aufgabe des Übersetzers

A Tarefa-Renúncia do Tradutor

Tradução de Susana Kampff Lages

Tradutores – Notas Biográficas

20 de dez de 2011

tradução como obra autoral

entende-se como autor de tradução a pessoa física que cria uma obra artística, científica ou literária a partir de outra obra, dita originária ou primígena, portadora de direitos de autor. o texto traduzido, oral ou escrito, é definido como "obra derivada" e é portador de todos os direitos morais e patrimoniais previstos em lei para toda e qualquer obra de natureza autoral.

NÃO são considerados obras autorais e, portanto, NÃO são portadores de direitos autorais:

I - as idéias, procedimentos normativos, sistemas, métodos, projetos ou conceitos matemáticos como tais;
II - os esquemas, planos ou regras para realizar atos mentais, jogos ou negócios;
III - os formulários em branco para serem preenchidos por qualquer tipo de informação, científica ou não, e suas instruções;
IV - os textos de tratados ou convenções, leis, decretos, regulamentos, decisões judiciais e demais atos oficiais;
V - as informações de uso comum tais como calendários, agendas, cadastros ou legendas;
VI - os nomes e títulos isolados;
VII - o aproveitamento industrial ou comercial das idéias contidas nas obras.

quando se fala em autoria de tradução, não se está falando apenas na criação de um texto literário derivado e/ou a ser publicado em editora. está-se falando de QUALQUER texto oral ou escrito que tenha uma autoria primígena, isto é, que derive de uma obra portadora de direitos autorais na origem.

a distinção entre tradução editorial e tradução não editorial diz respeito às diferenças nas formas de veiculação e/ou nas finalidades de uso, que não afetam absolutamente o caráter autoral ou não autoral da tradução.

quanto à distinção entre tradução literária, tradução técnica, tradução comercial, trata-se, evidentemente, de diferenças de CONTEÚDO, não de sua caracterização jurídica como obra autoral ou não autoral. o tradutor de uma obra de medicina ou ciências contábeis é tão autor quanto o tradutor de uma obra poética ou filosófica.

quanto à identificação do nome da pessoa física criadora de QUALQUER obra autoral, primígena ou derivada, na publicação, enunciação ou forma de divulgação compatível com o suporte de veiculação da obra, não é uma veleidade: além de ser a indicação de responsabilidade um aspecto importante no exercício do ofício, é um direito líquido e certo, intransferível e inalienável.

por outro lado, falar em coautoria entre o autor da obra originária e o autor da obra derivada é um contrassenso e expressa apenas a confusão conceitual em que se encontra quem utiliza o termo.

assim é, segundo o que determina a lei 9610/98, e sobre isso não há muito o que discutir. agora, SE e COMO os termos da lei são respeitados, são outros quinhentos.
.

18 de dez de 2011

resedás malditos

ingleses e americanos são (ou eram) bem mais respeitadores do que nós em relação ao ditame bíblico contra as blasfêmias. não deixavam de usá-las, mas davam uma aliviada morfológica: daí o darn para damn, por exemplo.

o inglês também faz muita contração que se incorpora mesmo à língua escrita, geralmente mantendo traços coloquiais ou dialetais.

outra coisa legal é a existência de sistemas de classificação universal, por exemplo o de lineu - claro que ninguém nasce sabendo, mas são coisas que a gente aprende na escola. e mais legal ainda, nas últimas décadas, é a gigantesca biblioteca universal ao alcance de dois dedos, com a internet e a busca pelo google.

assim, voltando ao tema dos estudos de tradução no nível da graduação e da pós-graduação, repito, creio que talvez até possam ser muito úteis e produtivos. mas que se defenda uma tese, e esta seja aprovada por toda uma banca de examinadores, com coisas do gênero:
"Para o substantivo 'crapemyrtle' que é utilizado para designar uma planta, e para o qual não foi encontrado termo correspondente, o recurso utilizado foi a tradução explicativa: 
...comtemplating the inscrutable desolation of cedar and brier and crapemyrtle...(p.140)
...contemplando o inescrutável abandono do cedro e urze e arbustos vindos do leste da Índia...
                 
[O]s acréscimos que ocorreram nos exemplos acima, não são  vazios  de significados, foram necessários devido à ausência de uma palavra na língua de chegada para efetuar a tradução."

mesmo sem levar em conta que há uma grande diferença entre "não foi encontrado termo correspondente" e "ausência de uma palavra ... para efetuar a tradução", esse é o tipo de coisa que me causa surpresa e me desperta um pouco de pena.


digo isso porque crapemyrtle é nosso lindo, vagabundo, corriqueiro resedá, e bastaria fazer uma busca cruzada pelo nome científico Lagerstroemia indica.




e fico compungida ao ler no mesmo estudo:
      "As palavras 'offen' e 'durn' também não foram traduzidas até o momento, pois não foram encontradas nos dicionários pesquisados.  A palavra 'offen' poderia ser retirada da narrativa sem prejudicar o sentido da frase, porém se assim procedêssemos estaríamos apagando a obra original. 
     Well if Flem knowed any way to make anything offen that old place... 
     Bem se Flem soubesse algum jeito de fazer alguma coisa por aquele lugar velho... 
     Já, a palavra 'durn' faz parte do contexto da frase em que está inserida e a opção pela não tradução da mesma empobreceria o contexto, pois manifesta um sentimento do personagem em relação ao outro. 
     Be durn if you don't look like …
     Be durn se você não parece..."
ora, durn é uma simples variante do darn, suavização acima mencionada do damn: raios me partam se você não parece; que raios, você está parecendo; seu danado, você isso ou aquilo, qualquer coisa assim, em função de interjeição.

e não creio que offen "poderia ser retirada da narrativa sem prejudicar o sentido da frase": é uma contração de of from, fazer alguma coisa "daquilo", alguma coisa "com aquilo".

naturalmente espera-se de um aspirante a um título de pós-graduação que dê o melhor de si, mas não há dúvida de que ao orientador cabe uma boa parcela de responsabilidade e à banca cabe mais do que o papel de simples homologação. se é muito bom termos mestrado e doutorado em estudos de tradução em nossas universidades, creio que seria bom se houvesse também uma compreensão mais clara e um exercício mais efetivo dos papéis que, em princípio, supõe-se que caibam às várias partes envolvidas.


honras e vazas

domesticação, estrangeirização, tantos nomes bonitos e pomposos para descrever ou prescrever o partido que se adota ou que se deveria adotar numa tradução.

acontece que muitas vezes as coisas são bem mais simples e chãs. não é preciso ter nenhuma grande erudição para saber, por exemplo, que o bridge é um jogo inglês de cartas - e um dos passatempos favoritos entre as classes altas britânicas no século XIX era, justamente, jogar bridge. teremos de invocar são jerônimo, berman, nord para nos iluminar sobre reis e damas, vazas e contratos? e também não é preciso profundo conhecimento de retórica, estilística, teoria literária para saber que o uso de metáforas é a coisa mais usual do mundo, na mais simples conversa coloquial ou no mais grandioso épico universal.

então fico perplexa não só que oscar mendes (1961), ao traduzir lady windermere's fan, de oscar wilde, transponha essas linhas do diálogo:
LORD DARLINGTON.  It’s a curious thing, Duchess, about the game of marriage - a game, by the way, that is going out of fashion - the wives hold all the honours, and invariably lose the odd trick. 
DUCHESS OF BERWICK.  The odd trick?  Is that the husband, Lord Darlington? 
LORD DARLINGTON.  It would be rather a good name for the modern husband.
como:
DAR: É curioso, duquesa, o jogo em torno do casamento... Um jogo, seja dito em parêntesis, que está ficando fora de moda... As esposas gozam de todas as honras e invariavelmente perdem a jogada vantajosa.
DSA: A jogada vantajosa? É ao marido que se refere, Lorde Darlington?
DAR: Seria talvez um nome bom demais para o marido moderno.
e doris goettems (2011) como:
DAR: É uma coisa curiosa, Duquesa, sobre o jogo do casamento – um jogo, aliás, que está saindo de moda – as esposas recebem todas as honras e sempre escapam da armadilha resultante.
DSA: Armadilha resultante? Está se referindo ao marido, Lorde Darlington?
DAR: Seria um nome bastante bom para o marido moderno.
mas também e principalmente que uma pesquisadora universitária, dedicando-se à análise comparada das duas traduções "em termos dos ... recursos linguísticos utilizados, como a manutenção da ironia, paradoxos e jogos de palavras na expressão da crítica social do autor", confunda léxico com semântica, erros palmares com escolhas deliberadas:
A escolha lexical foi bastante diversa entre os dois tradutores, optando Mendes por “perdem a jogada vantajosa” e Goettems por “escapam da armadilha resultante”. Na primeira versão, o papel da mulher no casamento parece perder uma possibilidade de sobressair-se. Soa mais como uma crítica à inabilidade das mulheres de se apropriarem de uma vantagem que têm no jogo do amor, que é o marido. No segundo caso, a escolha tradutória aponta para um jogo armado por parte do marido, do qual escapam as mulheres. A armadilha, nesse caso, é o marido e as mulheres têm sucesso em sua fuga. 
e ao final conclua que "houve pouca discrepância no efeito atribuído ao texto original e suas traduções, pois a ironia, o jogo de palavras, e os paradoxos foram traduzidos adequadamente ao seu tempo e contexto social"!

considero importante que nossas pós-graduações implantem e desenvolvam programas de estudos de tradução. mas indispensável para o sucesso deles é o acompanhamento dos orientadores e, da parte dos estudantes, um constante aperfeiçoamento ao qual jamais poderiam faltar realismo e bom senso.


15 de dez de 2011

Black and WTF
The LA Public Library’s bookmobile for the sick, 1928
via federico carotti, aqui

14 de dez de 2011

billy budd e hannah arendt

Melville, Herman. Billy Budd. Ms Am 188 (363), p. 52

indispensável artigo de alfredo monte sobre a novela "billy budd" de herman melville, a leitura deste conto feita por hannah arendt em sobre a revolução, além de comentários sobre as várias traduções comparadas de "billy bud" - http://armonte.wordpress.com/2011/12/14/quando-abel-mata-caim-os-valores-absolutos-e-as-instituicoes-duradouras-em-billy-budd/

imagem: manuscrito de billy budd

11 de dez de 2011

atualização

Agradecemos o apoio de todos à petição hospedada em http://naogostodeplagio.blogspot.com/2011/12/premio-de-traducao-peticao-fbn.html, com 250 assinaturas de profissionais diretamente atuantes nas áreas de teoria, crítica e prática de tradução, recebidas até às 20 horas de 11/12/2011. Será entregue por ocasião da outorga do Prêmio Paulo Rónai de Tradução 2011, na FBN, a seu presidente Galeno Amorim.
.

sempre é bom lembrar e atualizar - fala flanela paulistana: 
http://flanelapaulistana.com/2011/12/plagios-de-traducao-eles-continuam/

9 de dez de 2011

prêmio paulo rónai 2011

o prêmio paulo rónai de tradução, pela fundação biblioteca nacional, foi concedido este ano a:
1o. luis carlos cabral, malá strana, de jan neruda
2o. andré vallias, heine, hein?, antologia de poesia e prosa de heinrich heine
3o. sérgio tellaroli, jakob von gunten, de robert walser

parabéns!


a cerimônia de premiação vai ser no dia 15/12, quinta-feira próxima, às 19,00 horas, na fbn.




8 de dez de 2011

experiência única e irrepetível

Wooden billboard with blank paper vector

o mundo da produção editorial é vasto e variado: a "cozinha" do livro, digamos assim, é cheia de episódios picarescos, dramáticos ou simplesmente rotineiros. de modo geral, tudo transcorre num clima afável, cortês e civilizado entre todas as partes. vez por outra, há alguma exceção, claro, mas, como o próprio nome diz, é exceção.

se a relação profissional do tradutor se dá com a editora e os vários participantes na cadeia editorial, a relação primeira, a relação essencial do tradutor é com a obra de origem. assim, quando um leitor abre um livro e vê o nome do tradutor, entende ser ele o responsável por ter colocado aquela obra estrangeira em português. alterações, correções, melhorias feitas na fase posterior à tradução, seja pelo editor, pelo preparador e/ou pelo revisor, fazem parte do processo de controle de qualidade do livro que chegará ao leitor. a responsabilidade pela obra traduzida continua a ser, para todos os efeitos, do autor da tradução.

insisto nisso porque responsabilidade não é coisa pouca. o sujeito responsável por uma obra, seja de arquitetura, de computação, de pintura ou de tradução,  responde civil e criminalmente por ela.

então, quando assino uma tradução, estou declarando na forma da lei que eu a fiz supostamente respeitando os direitos intrínsecos da obra originária: basicamente, seu direito de integridade. neste sentido, ao me responsabilizar por uma tradução, automaticamente estou declarando que não omiti, não cortei, não acrescentei, não editei, não mudei a meu bel-prazer o texto de origem.

claro que eu não seria processada se pulasse uma frase ou infringisse alguma dessas obrigações, mas não é apenas disso que se trata: trata-se ainda de uma questão de credibilidade. o texto tem sua materialidade própria sobre a qual opera também o crivo do destinatário final da obra, o leitor - imagine-se a surpresa se se constatassem coisas do gênero: "esta tradução cortou tal e tal parágrafo; mudou tal e tal conceito; adaptou tal e tal terminologia; acrescentou tal e tal passagem". ora, a qualidade literária de minhas traduções pode merecer críticas e reparos, mas quero crer que pelo menos respeitam a integridade do texto originário. e é isso o que entendo por credibilidade.

por isso hoje fiquei perplexa ao receber um contrato de cessão de direitos autorais sobre uma tradução que fiz para uma editora com a qual nunca tinha trabalhado antes (e cujo nome não vem aqui ao caso), e lá havia uma cláusula nos seguintes termos:

O Tradutor desde já autoriza a Editora a alterar o texto da Tradução, submetendo-a a adaptações, cortes, acréscimos, edições, a exclusivo critério da Editora ... sem que seja necessária a aprovação do Tradutor ao texto final a ser publicado ou de outras formas utilizado pela Editora

avisei à editora que não iria me responsabilizar por algo que não sei o que pode vir a se tornar, ainda mais com base em critérios inexplícitos e sem minha aprovação - pois, como disse, acho responsabilidade uma coisa muito séria e não assino promissória em branco. estou aguardando que eliminem esta cláusula, mas, de qualquer maneira, para mim esta foi e será uma experiência única e irrepetível.

atualização em 9/12, 11:15h: prevalece o bom senso - recebi a resposta da editora a meu e-mail:  "estamos de acordo com o seu comentário. Vou verificar aqui como podemos adaptar a cláusula da melhor forma possível"

imagem: aqui
.

(n.t.) revista literária em tradução

(n.t.) cosmopolita.jpg

Chamada para colaboração:
(n.t.) Revista Literária em Tradução n° 4 (março/2012)
Normas para publicação em: www.notadotradutor.com/publicar

Recepção de textos: até 15/01/2012
.

7 de dez de 2011

scientia traductionis 10

Cabeçalho da página

outro lançamento recente é o n. 10 da scientia traductionis, da ufsc, disponível aqui.

tradterm 18


saiu o n. 18 da tradterm, revista do centro interdisciplinar de tradução e terminologia (citrat) da usp. está disponível aqui.

4 de dez de 2011

entrevista


hoje saiu uma entrevista minha ao cidadão quem? - está disponível aqui. agradeço muito ao pessoal do CQ pelo espaço e pela divulgação dessa praga que ainda não desapareceu, a cópia fraudulenta de traduções.

Entrevista da Semana: Denise Bottmann - Ela não gosta de plágio.


Desde que o homem aprimorou a escrita a fim de expressar suas idéias, o plágio inferniza autores ao redor do globo. Toda sorte de criação artística que se possa registrar, está sujeita a esta verdadeira praga. Com o advento da internet a coisa ganhou ares dramáticos e novos contornos. Os chamados "apócrifos" podem causar tantos danos quanto o plágio e consistem em atribuir texto a autores prestigiados a fim de conferir credibilidade, às vezes simplesmente trocam o autor indiscriminadamente, pegando o texto de um autor e atribuindo a outro. Muitas editoras inescrupulosas utilizam velhas traduções esgotadas, que já poderiam estar disponíveis em Domínio Público, e inventam nomes de tradutores fantasmas na hora de publicá-las, prejudicando leitores que muitas vezes adquirem uma obra grotesca, tradutores que deixam de receber trabalho e a imagem do país no mercado editorial internacional. A tradutora Denise Bottmann mantém o blog "Não Gosto de Plágio", faz questão de citar os críticos literários Ivo Barroso, Alfredo Monte e Euler Belém que vêm documentando e denunciando vários plágios de tradução desde 2001, mas em seu espaço luta implacavelmente contra todo tipo de plágio e até já foi processada por suas pertinentes denuncias e conversa agora com "CQ?"


CQ? -Denise, como você começou sua cruzada contra o plágio?


Olá, Cidadão Quem. Foi em 2007, quando vi na imprensa e numa comunidade do Orkut denúncias contra cópias fraudulentas de traduções publicadas pela Nova Cultural e pela Martin Claret. No caso da Nova Cultural, era uma denúncia da cópia descarada de uma tradução deIvanhoé, de Walter Scott, e na Martin Claret era A República de Platão. Achei aquilo bizarro e muito absurdo, não tanto pelo lado profissional como tradutora, mas como leitora mesmo. Eu tinha em casa vários livros de literatura publicados pela Nova Cultural, inclusive o próprio Ivanhoé, e me senti uma idiota como leitora, pensando: “Mas por que isso? O que esse povo quer? Por que estão agindo assim? Qual o interesse?” Aí comecei a analisar a coleção “Obras-Primas” da Nova Cultural, todinha (50 volumes!) e descobri cerca de 20 fraudes destas! Depois comecei a analisar a coleção “A Obra-Prima de Cada Autor” da Martin Claret (uns 300 títulos!), onde a coisa é ainda pior. Na Martin Claret já desmascarei mais de cem fraudes. E aí uma coisa puxa a outra, pois nessas pesquisas você acaba tropeçando em traduções iguais em outras editoras, e  vai vendo que a extensão da fraude é muito maior. Assim cheguei também à editora Rideel, à Madras, à Germinal, à Hemus e outras mais. Uma tristeza sem fim.
Pois entende, Cidadão Quem, o prejuízo principal é da cidadania: como esse pessoal das editoras ishpertas escava traduções antigas, muitas vezes elas já estariam disponíveis para Domínio Público, com acesso social livre. Agora, se vem uma editora dessas, pega uma tradução antiga, simplesmente copia ou troca uma palavrinha aqui e ali, inventa um nome qualquer (ou mesmo usa nomes de pessoas existentes, de funcionários da firma), com isso ela cria falsamente todo um novo ciclo de direitos autorais privados para a própria editora, que abocanha esse falso copyright e lucra em cima dele. Não acho isso certo. 


CQ? -Quais as dificuldades que você encontra nesta luta?


DB - No início foi muito engraçado, pois muitos leitores, que são os principais prejudicados, pareciam não se dar muito conta do problema. “Plágio de tradução? Mas o que é isso? E o que tem de mais?” Não enxergavam o insulto à própria inteligência, ao lerem uma tradução de, sei lá, Monteiro Lobato apresentada como se tivesse sido feita por Pietro Nassetti (como é o caso de O Lobo do Mar, de Jack London); muita gente também não enxergava o saque a traduções que já deveriam pertencer efetivamente ao nosso patrimônio público. Isso sem falar na malandragem  empresarial da coisa, o “enriquecimento ilícito”, digamos assim, a concorrência desleal entre uma editora que não paga custos de tradução e uma editora honesta que os paga; e sem falar na depreciação da importância de uma tradução legítima, no espezinhamento de uma atividade muito importante, como é a tradução.

Outra dificuldade foi a seguinte: como os tradutores espoliados já eram falecidos, em sua imensa maioria, corri atrás de vários herdeiros que pudessem cuidar do assunto. Tirando raras exceções, praticamente não se interessaram nem um pouco pelo problema. Isso, aliás, acabou reforçando para mim a ideia de que essas traduções eram de fato abandonadas, e mereciam integrar nosso domínio público, em vez de ficar mofando por aí, à mercê de saqueadores de sebos e fundos de baú. Afora os leitores meio sei-lá-o-quê que diziam: “ah, mas os livros da editora Tal-e-Tal são baratinhos, vale a pena”. Começa que nem é verdade, pois existem  editoras sérias, com traduções de ótima qualidade, com livros na mesma faixa de preço da Tal-e-Tal. E outras editoras com edições fraudadas cobram (cobravam) bem caro por títulos vergonhosamente fraudados. Afora uns leitores cínicos que diziam: “ora, se é cópia de uma boa tradução, qual é o problema? bom pra mim e ponto pra editora, que está usando essa tradução”. Eia nóis – como você vai explicar qualquer coisa para um cara desses?

Mas, com a mobilização de centenas de tradutores, o apoio da imprensa, a solidariedade de várias editoras sérias, essa dificuldade inicial diminuiu muito.


CQ? -Quantas vezes você foi processada e qual o andamento dos processos?


DB -Recebi alguns contatos informais meio na base do cala-boca, mas até aí, como dizem, morreu Neves. Sofri intimidações extrajudiciais, com notificações de advogados de duas editoras denunciadas. Num dos casos, o próprio advogado da editora recuou sem que eu precisasse tomar providências; no outro caso, meu advogado contranotificou. Depois enfrentei uma ação por calúnia e danos morais, e a outra parte perdeu, inclusive no recurso. Houve também um pedido de liminar para exclusão do blog, mas o juiz indeferiu o pedido da editora. Há ainda uma ação em andamento, por danos morais e materiais, que está em fase pericial.


CQ? -Como o leitor leigo pode identificar o plágio em traduções? Existe alguma fonte oficial para consulta?


DB -Não, Cidadão Quem, não existe fonte oficial para consulta. E os leitores nunca vão ficar isentos do perigo de cair em alguma arapuca. Às vezes descobre-se por mero acaso. E “leitor leigo” é um termo muito genérico. Os melhores e mais argutos “localizadores” das fraudes são os leitores. Por exemplo, houve a fraude descoberta por uma leitora fã de Jane Austen, num grupo de leitura de Persuasão. Cada leitora estava com uma edição diferente, e essa moça constatou que seu volume de uma editora brasileira era praticamente igual à edição portuguesa. Como, ao contrário do que essas editoras parecem pensar, os leitores não são idiotas, ela achou aquilo bizarro e fez circular a notícia. Da mesma forma, foi uma leitora aficionada de Charlotte Brontë que descobriu a fraude de Jane Eyre na editora Itatiaia. Foi um leitor que descobriu a fraude das Meditações de Marco Aurélio na Martin Claret; foi uma leitora que descobriu uma fraude do Clube do Livro, e assim por diante. Outras vezes é um professor que constata a fraude durante o curso, ao consultar várias edições da mesma obra, seja de literatura, de filosofia, de ciência política etc. No blog, fiz uma listinha das obras que pessoalmente não recomendo, além da relação dos cotejos comparativos que fiz. Não é oficial, claro, mas acho que pode servir como base de consulta informal.


CQ? -O Jornal Folha de S. Paulo ofereceu a seus leitores obras plagiadas e você denunciou isto. Faltou repercussão na grande imprensa? A Folha agiu corretamente após as denúncias?


DB -A Coleção Folha se manifestou com transparência e correção, mas não vi nenhuma medida prática: ela continuou a distribuir as edições fraudadas, em particular A origem das espécies, de Darwin. É uma situação muito complicada, porque a montagem dessas coleções é inteiramente terceirizada para empresas especializadas nisso. A Folha, nessa história, também caiu feito patinho: encomendou uma coleção à empresa especializada, que lhe forneceu essa coisa absurda. Outros jornais não avisaram seus leitores deste fato, o que é uma pena – mas imagino que devam ter suas políticas de convivência, que talvez incluam uma dose de discrição em certos casos. Claro que a responsabilidade final cabe sempre ao Grupo Folha, e espero que mostre mais discernimento em suas próximas coleções, que costumavam ser de boa e até ótima qualidade.


CQ? -Os apócrifos são tão perniciosos quanto o plágio e costumam deixar  autores embaraçados ou indignados, como textos atribuídos a Luis Fernando Verissimo, Drauzio Varela e Millor Fernandes que já causaram situações inusitadas e criticas indevidas. O professor Pasquale Cipro Neto, por exemplo, não cansa de explicar que nada tem a ver com a "correção" na grafia do provérbio 'Quem tem boca vai a Roma' atribuída a ele em diversos fóruns e blogues da internet (seria segundo a versão 'Quem tem boca vaia Roma'), o que ele mesmo afirma não passar de bobagem. É preciso regulamentar o uso da internet por autores?


DB -Não, não, de maneira alguma. Não é uma política proibicionista que garantirá a integridade de qualquer coisa. Os chamados “espíritos de porco” sempre existirão, em maior ou menor número: o que tem de aumentar é a capacidade de discernimento e senso crítico das pessoas. E os autores podem e devem reagir, consoante julgarem mais acertado.


CQ? - Lentamente seu trabalho vem sendo reconhecido pela imprensa e volta e meia encontramos publicações citando sua luta contra o plágio. A forma tímida com que se trata o assunto, entretanto, faz parecer que não existe boa vontade da mídia em denunciar a prática. Como você vê a relação da grande mídia com o plágio?


DB -Olha, Cidadão Quem, na verdade acho que, na medida de suas limitações, os jornais deram uma boa cobertura ao problema. Penso em A Folha de S.Paulo, O Globo, Correio Braziliense, Diário do Nordeste, Opção, Jornal do Comércio, O Tempo etc. Silêncio ensurdecedor foi o do Estado de São Paulo e, quando ainda circulava em formato impresso, do Jornal do Brasil. O que acontece é que, depois de quatro anos de denúncias, o tema “plágio de tradução” deixa de ser uma notícia quente para a imprensa – acaba sendo visto como mais uma daquelas inúmeras “mazelas” que tanto afetam a vida dos brasileiros. Quando surge algum fato novo, a imprensa ou pelo menos alguns jornais continuam a dar cobertura.

Por outro lado, alguns detalhes me parecem interessantes: novos lançamentos de algumas editoras que se mostram ou se mostraram inescrupulosas já não encontram tanto espaço na mídia; além do mais, observa-se um cuidado muito maior nas matérias em dar os nomes dos responsáveis pelas traduções das obras resenhadas. Essa cultura da informação e da transparência me parece excelente, muito importante no sentido de consolidar o respeito das editoras pelo público leitor por intermédio da veiculação correta da mídia. Num balanço geral, acredito sinceramente que os plágios e contrafações editoriais diminuíram muito nos últimos anos, justamente devido a todas essas denúncias em blogs, sites, jornais e mesmo rádios (vide a CBN). Então perde-se o bombástico da coisa, mas o trabalho continua e os frutos vão surgindo, discretamente, como é natural que seja, e vão se firmando como boa prática estabelecida.


CQ? - O ECAD é confiável?


DB -Ih, não faço ideia. É mais da área musical, não?


CQ? - O que falta o estado fazer para combater o plágio?


DB -Uma coisa que dificulta muito – e aqui volto à questão inicial – é a seguinte: quem pode tomar providências contra o plágio autoral? Falo aqui não de música, pintura etc., mas apenas de obras escritas, em suporte impresso ou digital. Segundo a lei atualmente vigente, a 9610/98, apenas o detentor dos direitos autorais, a saber, o autor e seus herdeiros ou a editora pode tomar alguma providência em caso de lesão a seus direitos. Então, no caso desses plágios e contrafações de tradução, apenas o tradutor/herdeiro e/ou a editora poderia ingressar com alguma ação contra os fraudadores. Ora, os autores das traduções legítimas, quando não são de Portugal, em sua maioria estão mortos; muitas das editoras já fecharam; as traduções abandonadas são saqueadas e republicadas com falsa autoria – como fica? Não sou a tradutora lesada, não sou herdeira de nenhum tradutor lesado, não tenho nada a ver com as editoras – e aí, o que posso fazer?
Nas providências que tomei, isto é, a montanha de petições que enviei ao Ministério Público denunciando os fatos e pedindo representação, tive de me amparar no Código do Consumidor, pois eram informações errôneas ao consumidor. E em geral essas petições foram aceitas com base nos direitos do consumidor a informações corretas e idôneas. Houve uma petição minha que foi aceita com base na lei que protege os interesses difusos da coletividade.
Mas entende? Como é que uma lei de direitos autorais não reconhece o destinatário final, o usuário, o leitor, como parte sujeita a eventuais lesões de seus direitos e que, portanto, deveria ser capaz de se proteger contra tais lesões?

Pois veja outro aspecto: sei de quatro ou cinco editoras honestas que foram lesadas e tomaram suas providências contra algumas fraudadoras, e a coisa nem precisou ir para a esfera judicial. Houve acordo entre as partes na fase extrajudicial, com cláusulas de confidencialidade. Ou seja, entre quatro portas, uma ressarciu a outra e pronto. Mas na imensa maioria das obras em que houve esses acordos extrajudiciais, os títulos fraudados continuaram em circulação até o final do estoque da editora malandra. Caramba... e os leitores? Continuam a financiar a fraude? Aí é ruim.

Então, quando o governo abriu a consulta pública para sua proposta de revisão da lei dos direitos autorais, este foi um ponto em que insisti muito: em vez de ser uma lei tão patrimonialista, tão voltada apenas para os interesses privados, ela deveria também contemplar os direitos da sociedade em usufruir das obras autorais. O usuário precisa ser reconhecido como parte legítima nessa legislação, visto que a lesão aos direitos autorais da obra também prejudica seus interesses e seu direito de acesso a uma obra íntegra e honesta.
Esse ponto foi acatado na fase inicial da consulta pública. Mas, com a mudança do MinC, esse projeto de revisão da lei vem se arrastando muito, e não sei se sua nova versão preserva esse aspecto de proteção da sociedade diante das obras autorais. A meu ver, seria esta a grande contribuição que o estado poderia dar e que diminuiria muito o grau de impunidade que viceja nessa área.


Suas palavras a nossos leitores:

DB -Tradução é tudo de bom. A boa tradução é tudo de ótimo. É como a gente pode conhecer mais do mundo. Valorize a boa tradução, e você estará valorizando sua própria formação cultural.


O blog Não Gosto de plágio está em nossa página "Os blogs que você não pode deixar de ler"



Read more: http://cidadaonews.blogspot.com/2011/12/entrevista-da-semana-denise-bottmann.html#ixzz3WxauAkTE

.

prêmio de tradução: petição à fbn

À Presidência da Fundação Biblioteca Nacional

Exmo. Sr. Presidente Galeno Amorim:

Todos sabemos como é importante a mais ampla difusão do conhecimento em escala mundial. É nesse processo de difusão que se patenteia a enorme relevância do trabalho de tradução. E todos sabemos como é grato que haja um reconhecimento institucional da relevância da tradução, como trabalho de criação intelectual que propicia a universalização da cultura e do saber.

Atualmente, existem no Brasil as seguintes premiações a obras de tradução: Paulo Rónai (FBN), Jabuti (CBL), Monteiro Lobato (FNLIJ), União Latina (UL) e ABL (ABL, por sistema de indicação).

Nota-se que um segmento fundamental – as traduções de obras da área de humanidades ou de grandes clássicos do pensamento universal – é contemplado apenas uma vez a cada três anos, e por iniciativa de uma instituição transnacional, a União Latina.

Uma das provas do enriquecimento e amadurecimento editorial brasileiro consiste na publicação de obras clássicas, de importância fundamental na história cultural: exemplos precípuos de lançamentos em data recente são, entre outros, a grandiosa empreitada de tradução das Vidas de Vasari e do Livro da Alma de Avicena. Obras de produção mais recente também são da maior importância, como os escritos de Nietzsche, Freud e tantos outros.

Cremos que a Fundação Biblioteca Nacional, pelo próprio escopo de sua atuação, poderia contribuir para preencher tal lacuna. Assim, sugeriríamos o desdobramento do Prêmio Paulo Rónai, que passaria a contemplar as duas modalidades: tradução de literatura e tradução de humanidades em geral.

Confiantes de que a presidência da FBN será sensível à importância de um gesto de reconhecimento pela contribuição cultural da tradução de humanidades em nosso país,

Atenciosamente subscrevemo-nos,

Adail Sobral
Adriana Lisboa
Alba Olmi
Alexandre Barbosa de Souza
Alice Xavier
Ana Resende
Ana Singule
Ana Carolina Arruda de Toledo Murgel
Ana Helena Souza
Ana Paula Macedo
Andréia Guerini
Andityas Soares de Moura
André Malta Campos
André Medina Carone
André Vallias
Angela Tourinho Nery
Ângela Xavier de Brito
Anita Di Marco
Antonio Engelke
Antonio Ribeiro de Azevedo Santos
Ari Roitman
Beatriz Godoi
Beatriz Viégas-Faria
Bento Prado Neto
Braulio Tavares
Bruno Murtinho
Carlos Daghlian
Carlos Alberto da Fonseca
Carlos S. C. Teixeira
Carmem Cacciacarro
Caroline Chang
Cássio de Arantes Leite
Cecília Mussi
Celina Portocarrero
Celso R. Braida
Celso Mauro Paciornik
Claudia Abeling
Claudia Berliner
Claudia Drucker
Cláudia Santana Martins
Claudio Alves Marcondes
Claudio Willer
Cristiana Cocco Carvalho
Cristina L. S. Boa
Cristina Macedo
Daniel Dago
Daniela de Oliveira Souza
Davi Pessoa Carneiro
David Yann Chaigne
Débora Landsberg
Denise Bottmann
Denise Lopes Rodrigues
Dilma Machado
Dinaura M. Julles
Dirce Waltrick do Amarante
Donaldson M. Garschagen
Doralice Lima
Dorival Santos Scaliante
Douglas Diegues
Duda Machado
Ebréia de Castro Alves
Eduardo Sterzi
Elaine Alves Trindade
Eleonora G. Bottmann
Elizabeth Thompson
Eloísa Araújo Ribeiro
Elvira Serapicos
Eric Nepomuceno
Erick Ramalho
Eugênio Vinci de Moraes
Euler de França Belém
Fabiana Leone Zardo
Fábio Fernandes
Fábio de Souza Andrade
Fabíola Werlang
Fabrizio Lyra
Fal Azevedo
Fátima Vasco
Federico Carotti
Felipe Lindoso
Fernanda Miguens
Fernando Santoro
Flávia Nascimento
Flavia da Rocha Spiegel Linck
Flávia Souto Maior
Francine Novo
Francisco Araujo da Costa
Gabriel Perissé
Gaby Friess Kirsch
Geraldo Cavalcanti
Gisele Alves Lobo
Gisele Amaral
Gleiton Lentz
Heloísa Gonçalves Barbosa
Heloisa Jahn
Heloísa Mafra Ferdinandt
Hildegard Feist
Hilton F. Santos
Hugo da Gama Cerqueira
Ingrid Campregher
Isa Mara Lando
Ivo Barroso
Ivone C. Benedetti
Jaa Torrano
Janaína Marcoantonio
Jean Cristtus Portela
Jiro Takahashi
Joana Canêdo
João Batista Esteves Alves
John Milton
Jorge Furtado
Jorio Dauster
José Eisenberg
José Lira
José Antônio Arantes
José Alexandre da Silva
José Eduardo Lohner
José Ignacio Coelho Mendes Neto
Josely Vianna Baptista
Julián Fuks
Júlio César Gonçalves
Karel Sobota
Leila Cristina de Melo Darin
Leila Rosane Kommers
Lenita Rimoli Esteves
Leonardo Fróes
Leonardo Gonçalves
Lia Levy
Lilian Og
Lina C. Cerejo
Lourdes Sette
Lucas Angioni
Lúcia Lopes
Luís Dolhnikoff
Luís Fragoso
Luís Alberto de Boni
Luís Felipe Bellintani Ribeiro
Luiz Barros Montez
Luiz Costa Lima
Luiz Marques
Luiz Carlos do Nascimento
Luiz Roberto Guedes
Mamede Jarouche
Marcelo Backes
Marcelo Câmara
Marcelo Del'Anhol
Marcelo Jacques de Moraes
Márcia Frazão
Márcia A.Peixoto Martins
Márcio H. Badra
Márcio Seligmann-Silva
Márcio Suzuki
Marcos R. B. Lima
Marcos Siscar
Marcus Mazzari
Margaret Seabra
Maria Adélia Vasconcelos Barros
Maria Alzira Brum Lemos
Maria Beatriz de Medina
Maria Betânia Amoroso
Maria Clara Castellões de Oliveira
Maria Constança Peres Pissarra
Maria de Fátima Oliva do Coutto
Maria José Silveira
Maria Lucia Cumo
Maria Rita Drumond Viana
Mariarosaria Fabris
Marija Rosa Savelli Braga
Marilise Rezende Bertin
Mário Alves Coutinho
Mario M. González
Marion Luiza Pfeffer
Marisa Ashikawa
Marlova Aseff
Martha Gouveia da Cruz
Matteo Raschietti
Mauri Furlan
Maurício Mendonça Cardozo
Mauricio Santana Dias
Mauro Gama
Mauro Pinheiro
Michel Sleiman
Milana Penavski
Monica S. Martins
Mônica Cristina Corrêa
Olívia A. Niemeyer Santos
Oséias Silas Ferraz
Otacílio Nunes
Pablo Cardellino Soto
Patricia Chittoni Ramos Reuillard
Paula Glenadel
Paulina Wacht
Paulo Bezerra
Paulo César de Souza
Paulo Henriques Britto
Paulo Roberto Licht dos Santos
Pedro de Quadros du Bois
Pedro Maciel
Pedro Maia Soares
Petê Rissatti
Peter Naumann
Priscila Molina
Raquel Abi-Sâmara
Rejane Janowitzer
Renata Christovão Bottino
Renata Guerra
Renato Aguiar
Renato Guimarães
Renato Motta
Ricardo Nassif
Robert Finnegan
Roberto Gomes
Roberto Grey
Rodolpho Pajuaba
Rodrigo Farias de Araújo
Rodrigo Mudesto
Rogério Bettoni
Rosa Freire d'Aguiar
Rosalia Munhoz
Roseli Dornelles dos Santos
Rubem Mauro Machado
Rubens Figueiredo
Sandra Guardini T. Vasconcelos
Saulo von Randow Júnior
Selvino José Assmann
Sérgio Caponi
Sérgio de Castro Pinto
Sérgio F. G. Bath
Sergio Flaksman
Sérgio Medeiros
Sergio Pachá
Sheila Kurc
Sheyla Barretto de Carvalho
Silnei S. Soares
Simone Vieira Resende
Sonia Augusto
Stella Machado
Susana Kampff Lages
Susana Termignoni
Tamara Barile
Tarcísio Góes
Telma Franco Diniz
Telma Miranda Gomes
Thereza Christina Rocque da Motta
Valter Mendes Junior
Vera Ribeiro
Virna Teixeira
Wladir Dupont
Zé Pedro Antunes


o recebimento de assinaturas foi encerrado dia 11/12, às 20 horas. ver atualização aqui.
obrigada a todos.