25 de fev de 2012

mrs. dalloway



hoje, o prosa&verso do jornal o globo publicou uma ótima matéria sobre as novas traduções de mrs. dalloway. a íntegra da minha resposta à jornalista foi a seguinte:


A primeira e única versão de Mrs. Dalloway é de 1946 e foi traduzida por Mário Quintana. Qual a importância de Mrs. Dalloway ganhar uma nova tradução?

            Há vários aspectos. O primeiro, e mais genérico, é que toda tradução autoral tem a marca pessoal do tradutor. O segundo, diretamente relacionado a esse primeiro aspecto, é que cada tradução vem muito marcada por sua época: toda tradução é, por definição, mais datada do que a obra original. Assim, é não só natural, mas desejável que periodicamente se renovem as traduções das principais obras do chamado cânone literário ocidental. Em terceiro lugar, e mais especificamente, há uma questão peculiar nessa tradução do Quintana: considero-a muito boa, e até admirável sob diversos ângulos. Há nela, porém, uma leve tendência de arredondar um pouco o texto. A modernidade de Woolf - as invenções estilísticas no plano da escrita e mesmo alguns recursos narrativos utilizados no texto – às vezes parece um pouco atenuada: penso na função muito peculiar da pontuação, na incansável repetição de termos que funcionam como marcadores não só do texto, como também do fluxo mental dos personagens, na estruturação sintática, no uso de uma linguagem muito, muito simples, mas ao mesmo tempo com uma grande elaboração das frases.
            Veja um exemplo que acho bonitinho – há lá a certa altura, falando de Septimus, quando se mudou para Londres: “... there were experiences, again experiences, such as change a face in two years from a pink innocent oval to a face lean, contracted, hostile.” Você nota nos dois blocos de adjetivos como o uso das vírgulas é quase icônico, figurativo? Em pink innocent oval, os adjetivos correm, fluem como se quisessem mostrar como era liso, sem marcas, o rosto do jovem; então vem lean, contracted, hostile (que contraste, como pisa duro!), como se as vírgulas mimetizassem as marcas da experiência. Ninguém há de crer que isso seja por acaso; é de uma grande deliberação, e esse uso da pontuação como uma espécie de encenação visual e emocional desempenha uma função muito interessante em todo o texto, que entendo que deva ser mantida na tradução.
            Ela levou três anos para escrever Mrs. Dalloway: um polimento constante, um esforço incessante em reproduzir no plano da linguagem o discurso mental e mesmo o tropel emocional que avassala os personagens. Não foi fácil. Então, digamos, a tradução do Quintana - que, repito, acho muito boa - se depara com esse "modernismo" dela e, em alguns momentos, prefere contorná-lo. A tradução resultante causa menos estranheza ao leitor – ainda mais pensando no leitor médio dos anos 40. Mas isso significa que, para nós, uma obra que fazia parte da grande onda de renovação literária das primeiras décadas do século XX chegou vazada numa escrita um pouco mais convencional, que não incorporava plenamente alguns de seus aspectos mais inovadores.  Mas também é claro que, setenta anos depois da tradução de Quintana e noventa anos depois do lançamento do original (estou arredondando as décadas), uma tradução mais respeitosa da letra do texto, mais atenta àquilo que era inovador naqueles tempos não vai despertar no leitor contemporâneo – que hoje em dia tem quase um estômago de avestruz – a surpresa que poderia ter despertado no passado. 

a matéria está aqui.


24 de fev de 2012

cícero: si hortum in bibliotheca habes, deerit nihil, carta a terêncio varrão em junho de 46 a.C. (fonte: google). imagem via josélia aguiar, aqui



22 de fev de 2012

luís dolhnikoff e a casa das rosas

não sou poeta, não sou escritora, não moro em são paulo, não conheço círculos de literatos, sou basicamente uma filistina.

posto isso: sou brasileira, tenho cpf, tenho rg, pago meus impostos, acredito na democracia e acredito que vivemos numa democracia. no meu tempo de infância, durante o governo juscelino e jango, tinha uma matéria na escola primária que se chamava "educação moral e cívica". veio o golpe militar, a tal educação moral e cívica, nem lembro o que aconteceu com ela. mas lembro que, aos sete, oito, até os dez anos de idade, a gente aprendia a constituição brasileira, os direitos fundamentais do cidadão etc.

por isso, creio eu, cresci com a convicção e a serenidade de que eu podia - sozinha, como cidadã - me dirigir a qualquer instituição pública dessa nossa república e expor minhas questões, minhas dúvidas, meus questionamentos sobre as coisas de interesse da sociedade.

por isso achei absolutamente natural e mais do que pertinente um artigo de luís dolhnikoff indagando - muito civilmente, muito civicamente e muito civilizadamente - sobre o estado e os rumos da casa das rosas, em são paulo. não tenho muita paciência para me delongar sobre o assunto, que realmente anda beirando as raias da sandice, e remeto o leitor apenas ao artigo - são, sadio, saudável, salubre e todas as redundâncias que se fizerem necessárias - de luís dolhnikoff, que está aqui.

todos os desvarios em torno, manifestações apressadas, desqualificações cruéis, miasmas de sarjeta, capanguismos empreguistas, a pior das piores heranças coloniais deste pobre país: tudo isso que o lúcido artigo de dolhnikoff suscitou - espantosamente! - serve apenas para desviar a atenção do que realmente importa. e a truculência das reações despertadas pelo artigo acima citado no diretor responsável pela entidade chegou a tal ponto que, a meu ver, o que está em questão agora nem é mais a gestão assim-ou-assado da casa das rosas, mas a própria relação entre estado e sociedade, instituição pública e cidadania.

meu ponto é: para sermos cidadãos, temos de agir como cidadãos. luís dolhnikoff está em seu pleno direito ao indagar dos rumos de uma instituição pública como é a casa das rosas, e merece resposta séria e honesta em lugar desses urros que andam ensurdecendo qualquer pessoa de bem. a questão de fundo não pode se perder na barbárie e deve ser vigorosamente defendida: o direito de todos nós, como cidadãos, sermos ouvidos e termos o encaminhamento correto de nossas legítimas cobranças em prol do bom funcionamento, transparente e democrático, de nossas instituições públicas.

fraudes e comissão de apuração da fbn

eu tinha lido no jornal o globo que a fundação biblioteca nacional havia determinado a instituição de uma comissão para se posicionar em relação às fraudes inscritas no Cadastro Nacional de Livros de Baixo Preço - a matéria está aqui.

estou esperando passar esse período do carnaval para retomar o assunto e me informar se, como e quando a comissão terá seu parecer sobre esse assunto absurdamente repulsivo - mas tão grave e urgente devido aos prazos do programa da fbn para abastecimento de 2.700 bibliotecas públicas do país.

nesse meio tempo, encontrei no google o despacho da fbn determinando a instauração do processo de avaliação, publicado no Diário Oficial da União em 02/02/2012.
FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL
DECISÃO EXECUTIVA Nº 3, DE 30 DE JANEIRO DE 2012
A Presidente em Exercício da Fundação Biblioteca Nacional-FBN, no uso das atribuições que lhe confere o art. 16 do Estatuto aprovado pelo Decreto 5.038, de 5 de abril de 2004, publicado no DOU de 08 de abril de 2004, DECIDE:
1 - Instituir uma Comissão para avaliar os questionamentos e denúncias que surgiram e que venham a surgir sobre as obras inscritas pelas editoras e autores no Cadastro Nacional de Livros de Baixo Preço, da Fundação Biblioteca Nacional;
2 - A Comissão será composta por servidores da Fundação Biblioteca Nacional sob a coordenação do Coordenador Geral de Pesquisa e Editoração, Aníbal Bragança, e por membros do Conselho Interdisciplinar de Pesquisa e Editoração, nomeados através da Decisão Executiva nº 208 de 26 de outubro de 2011, publicada em DOU Seção 2, conforme segue abaixo:
a - Área de Biblioteconomia e Ciências de Informação
Célia Ribeiro Zaher
Nanci Elizabeth Oddone
Simone da Rocha Weitzel
b - Área de Ciências Sociais
Marco Antonio da Silva Mello
Ronaldo George Helal
Sílvia Helena Simões Borelli
c - Área de Comunicação
Maria Immacolata Vassalo de Lopes
Paulo Bernardo Ferreira Vaz
Sonia Virgínia Moreira
d - Área de Educação
Célia Frazão Soares Linhares
Francisca Izabel Pereira Maciel
Maria helena Câmara Bastos
e - Área de História
Denis Antônio de Mendonça Bernardes
Lúcia Maria Bastos Pereira das Neves
Nelson Schapochnik
f - Área de Letras
Celina Maria Moreira de Mello
Ivan Prado Teixeira
Maria Teresa Santos Cunha
3 - A Comissão terá um prazo de 15 dias para deliberar sobre os procedimentos cabíveis diante de tais questionamentos e denúncias;
4 - Todas as obras que, por qualquer motivo, infrinjam a legislação em vigor serão excluídas do Cadastro.
5 - Esta Decisão Executiva entra em vigor na data de sua publicação.
LOANA MAIA

aguardemos, pois.

acompanhe esse espantoso imbróglio aqui.

16 de fev de 2012

atualização

Millions of books are waiting to be found and then sold on the Internet

ninguém há de imaginar que eu haveria de transcrever integralmente aqui no blog os exaustivos cotejos que faço entre diferentes traduções e suas relações com o original, num trabalho que envolve muitas centenas de páginas, em alguns casos beirando um milhar de páginas para cada cotejo. mas suponho também que ninguém há de imaginar que exponho as fraudes e encaminho minhas denúncias ao Ministério Público e outros órgãos baseando-me apenas nos parágrafos que publico a título ilustrativo neste blog.

neste espaço, publico alguns trechos escolhidos mais ou menos ao acaso (sistema mais recomendável de amostragem), com as respectivas referências de título, editora, ano de edição e créditos de tradução das obras legítimas e das obras espúrias. naturalmente mantenho toda a documentação e provas pertinentes devidamente catalogadas e arquivadas em meu escritório.

de qualquer forma, para deixar claro aos leitores do Não Gosto de Plágio que os posts de cotejo são exemplificativos, estou acrescentando ao final de cada um deles o devido esclarecimento.


imagem: aqui

13 de fev de 2012

thoreau traduzido no brasil

Os textos de Henry David Thoreau traduzidos no Brasil são os seguintes, por ordem alfabética dos títulos em português:
  • "A escravidão em Massachusetts" - traduções de José Augusto Drummond, José Geraldo Couto
  • "A vida sem princípio" - traduções de E. C. Caldas, José Paulo Paes, José Augusto Drummond,  José Luiz Perota, José Geraldo Couto
  • "Andar a pé" (também como  "A arte de caminhar", "Caminhada", "Caminhando", "O pequeno livro da sabedoria", novamente "Caminhando", novamente "Caminhada") - traduções respectivas de Sarmento de Beires e José Duarte,  E. C. Caldas,  Aydano Arruda, José Augusto Drummond, Vera Renoldi, Roberto Muggiati, Davi Araújo, José Geraldo Couto
  • "Cartas familiares selecionadas" - tradução de Aydano Arruda
  • "Desobediência civil" (ou "Resistência ao governo civil") - traduções de E. C. Caldas, Aydano Arruda, José Paulo Paes, David Jardim Jr., José Augusto Drummond, Astrid Cabral, Sergio Karam, José Geraldo Couto
  • "Domingo" (segundo dia de A Week on the Concord and Merrimack Rivers) - tradução de Aydano Arruda
  • "O naufrágio" (primeiro capítulo de Cape Cod) - tradução de Aydano Arruda
  • "Onde vivi e a razão por que vivi" (segundo capítulo de Walden) - traduções de Aydano Arruda, José Geraldo Couto
  • "Os lagos Allegash" (terceira parte de The Maine Woods) - tradução de E. C. Caldas
  • "Paraíso (a ser) recobrado" - tradução de José Paulo Paes
  • "Três excertos de A Week on the Concord e Merrimack Rivers" - tradução de José Augusto Drummond
  • "Um apelo em prol do Capitão John Brown" - tradução de José Paulo Paes
  • Excertos variados por Theodore Dreiser - tradução de Lauro Escorel
  • Walden - traduções de E. C. Caldas, Astrid Cabral, Denise Bottmann

As referências bibliográficas são, por ordem cronológica da primeira edição no Brasil:

O pensamento vivo de Thoreau

O pensamento vivo de Thoreau. Coleção Biblioteca do Pensamento Vivo, vol. 15. Seleção, organização e introdução de Theodore Dreiser. Tradução de Lauro Escorel. Contém excertos variados. São Paulo: Livraria Martins, 1939. 181 p.


Ensaístas americanos. Coleção Clássicos Jackson, vol. XXXIII. Tradução de Sarmento de Beires e José Duarte. Contém “Andar a pé”. São Paulo: W. M. Jackson, 1950. 360 p.









Walden e outros escritos. 2 volumes. Introdução de Brooks Atkinson. Tradução de E. C. Caldas. Contém Walden, “Os lagos Allegash”, “A arte de caminhar”, “Desobediência civil”, “Vida sem princípio”. Rio de Janeiro: Revista Branca, 1953. 184 p. (aqui capa do vol. II)


Escritos Selecionados Sobre Natureza e Liberdade






Escritos selecionados sobre natureza e liberdade. Série Clássicos da Democracia, vol. 25. Tradução de Aydano Arruda. Contém: “Desobediência Civil”, “Onde vivi e a razão por que vivi”, “Naufrágio”, “Domingo”, “Caminhada”, "Cartas familiares selecionadas". São Paulo: IBRASA, 1964. 167 p.









A desobediência civil e outros ensaios. Seleção, introdução, tradução e notas de José Paulo Paes. Contém: “A desobediência civil”, “A vida sem princípio”, "Paraíso (a ser) recobrado", "Um apelo em prol do Capitão John Brown". São Paulo: Cultrix, 1968. 130 p.






Walden. Introdução de Brooks Atkinson. Tradução de E. C. Caldas. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1968. 350 p. Não localizei imagem de capa.



Desobedecendo. A desobediência civil & outros escritos. Apresentação de Fernando Gabeira. Seleção, introdução, tradução e notas de José Augusto Drummond. Contém: “A desobediência civil”, “A vida sem princípio”, “Caminhando”, “A escravidão em Massachusetts” e trechos escolhidos de Uma semana nos rios Concord e Merrimack. Rio de Janeiro: Rocco, 1984. 167 p.








Walden, ou a vida nos bosques. Coleção Armazém do Tempo. Introdução e tradução de Astrid Cabral. Contém em apêndice “A desobediência civil”. São Paulo: Global, 1986. 331 p. Reed. Aquariana, 2001 (346 p.); Novo Século, 2007 (288 p.).




Desobediência civil (Resistência ao governo civil) e Walden. Coleção Universidade de Bolso. Introdução de Brooks Atkinson. Traduções respectivas de David Jardim Jr. e E. C. Caldas. Rio de Janeiro: Ediouro, c. 1987. 217 p.


pequeno livro da sabedoria, o






O pequeno livro da sabedoria. Tradução de Vera Maria Renoldi. São Paulo: BestSeller (C.L.C.), 1996; Rio de Janeiro: BestSeller (Record), 2005. 81 p.








A desobediência civil. Coleção L&PM Pocket. Tradução de Sergio Karam. Porto Alegre: L&PM, 1997. 80 p.









Caminhando. Coleção Sabor Literário. Introdução e tradução de Roberto Muggiati. Rio de Janeiro: José Olympio, 2006. 126 p.




Walden. Coleção L&PM Pocket. Apresentação de Eduardo Bueno. Tradução de Denise Bottmann. Contém em apêndice "Thoreau", necrológio de Ralph Waldo Emerson. Porto Alegre: L&PM, 2010. 335 p.








Caminhada. Tradução de Davi Araújo. Içara: Dracaena. 56 p.










Vida sem princípio. Tradução de José Luiz Perota. Içara: Dracaena, 2011. 48 p.


A desobediência civil. Tradução de José Geraldo Couto. Contém "A desobediência civil", "Onde vivi, e para quê", "A escravidão em Massachusetts", "Caminhar", "Vida sem princípios". São Paulo: Penguin/ Companhia, 2012. 152 p.








Online encontram-se disponíveis: "Andar a pé" (Beires/Duarte) e "A desobediência civil" (Drummond) no EbooksBrasil, a coletânea Desobedecendo (Drummond) e Walden ou a vida nos bosques (Cabral) no Scribd.

Existe uma edição da Martin Claret que, a meu ver, não merece consideração e é indigna de constar em qualquer bibliografia séria. Ver aqui, aqui e aqui.

a lagarta muito grávida



Diz Darwin, a certa altura da Origin of Species (cap. VIII, sobre o instinto), que, se a gente pega uma lagarta que já fez seu casulo até, digamos, a sexta etapa e põe o bichinho num casulo feito até a terceira etapa, ele vai e retoma o trabalho desde a quarta etapa. Mas que, se você pega uma lagarta que ainda está construindo a terceira fase de seu casulinho e põe num envoltório que esteja construído até a sexta fase, ela se atrapalha toda, fica meio desorientada - much embarrassed, diz Darwin - e se põe a refazer o trabalho que já está pronto.
... Huber found it was with a caterpillar, which makes a very complicated hammock; for if he took a caterpillar which had completed its hammock up to, say, the sixth stage of construction, and put it into a hammock completed up only to the third stage, the caterpillar simply re-performed the fourth, fifth, and sixth stages of construction. If, however, a caterpillar were taken out of a hammock made up, for instance, to the third stage, and were put into one finished up to the sixth stage, so that much of its work was already done for it, far from deriving any benefit from this, it was much embarrassed, and, in order to complete its hammock, seemed forced to start from the third stage, where it had left off, and thus tried to complete the already finished work.
... Huber observou que assim ocorria numa lagarta que faz uma coberta, a modo de rede complicadíssima; pois diz que, quando pegava uma lagarta que tinha terminado sua coberta, suponhamos, até o sexto período da construção, e a punha numa coberta feita até o terceiro, a lagarta voltava simplesmente a repetir os períodos quarto, quinto e sexto; mas se pegava uma lagarta de uma coberta feita, por exemplo, até o período terceiro, e se punha numa feita até o sexto, de maneira que muito da obra estivesse já executado, longe de tirar disso algum benefício, via-se muito grávida e, para completar sua coberta, parecia obrigada a começar desde o período terceiro, onde tinha deixado seu trabalho, e deste modo tentava completar a obra já finda. (A origem das espécies, pág. 222)
A fonte da prenhez da lagarta só podia ser o espanhol (embarazada) - não foi difícil localizar: trata-se de uma tradução de 1921, feita pelo biólogo Antonio de Zulueta, disponível aqui:
Huber observó que así ocurría en una oruga que hace una cubierta, a modo de hamaca complicadísima; pues dice que, cuando cogía una oruga que había terminado su cubierta, supongamos, hasta el sexto período de la construcción, y la ponía en una cubierta hecha sólo hasta el tercero, la oruga volvía simplemente a repetir los períodos cuarto, quinto y sexto; pero si se cogía una oruga de una cubierta hecha, por ejemplo, hasta el período tercero, y se la ponía una hecha hasta el sexto, de modo que mucho de la obra estuviese ya ejecutado, lejos de sacar de esto algún beneficio, se veía muy embarazada, y, para completar su cubierta, parecía obligada a comenzar desde el período tercero, donde había dejado su trabajo, y de este modo intentaba completar la obra ya terminada.

E é essa "lagarta muito grávida" que a Editora Escala está se oferecendo para vender às 2.700 bibliotecas públicas inscritas no Cadastro Nacional do Livro de Baixo Preço?

Agradeço a Marcos Gomes por essa história do mais autêntico rir-para-não-chorar.

imagem: lagartas e casulos

álvaro antunes

Montando o levantamento das obras de Henry James no Brasil, deparei-me com Os papéis de Aspern em tradução de Álvaro Antunes e me lembrei de grandes elogios que eu ouvira, anos atrás, à sua tradução dos Cantos de Leopardi. Acho sempre interessantes essas traduções por paixão à ourivesaria da coisa: costumam ser autênticas preciosidades.

Álvaro Antunes publicou quatro traduções pela Interior Edições, de Além Paraíba, em Minas Gerais (imagino até que era uma editora pessoal sua...).

Os papéis de Aspern, de Henry James, em 1984:



A caça ao turpente, de Lewis Carroll, também em 1984:



Cantos de Giacomo Leopardi, em 1985 (primeira tradução integral):



Tudo que restou, de Safo, em 1987:



Alguma editora poderia licenciar essas traduções e reeditá-las, penso eu...

Obs.: Essas belas capas são criações da designer Regina Fernandes e podem ser vistas em seu site aqui. Para este post, utilizei as imagens disponíveis em sites de sebos e livrarias. Espero que ela me perdoe a liberdade.


12 de fev de 2012

charlotte brontë traduzida no brasil

Aqui consolido num único post as traduções de obras de Charlotte Brontë que comentei em outros posts, aqui.

Começo por Jane Eyre, com nada menos de oito traduções (além de um plágio) entre nós.

I.
A primeira delas saiu pela Vozes, com o nome de Joanna Eyre: não consta a data nem o crédito de tradução, mas há um "prefacio do traductor" datado de 1916, em Porto Alegre. Abaixo, página de rosto da segunda edição, em 1926:



Foi reeditada em 1953, tirando um "n":


II.
Em 1942, veio a tradução de Sodré Viana pela Pongetti (reed. em 43, 44, 46, 54, 56, 58, 60 e 65). Aqui em capa de 1946:


A partir dos anos 70, passa a ser editada pela Ediouro, onde continua em catálogo. O espanto aqui fica por conta da coleção em que foi incluída a obra - Clássicos de Bolso Franceses (!):


III.
Em 1945, sai a tradução de Virginia Silva Lefreve [sic; leia-se Lefèvre], pela Edições e Publicações Brasil, com o título de Jane Eyre (a mulher sublime).



IV.
Em 1971, a Ediouro lança a adaptação infanto-juvenil para a Coleção Elefante, por Miécio Tati:

Jane Eyre-charlotte Bronte- 1971

V.
Em 1983, sai a tradução de Marcos Santarrita, pela Francisco Alves:


VI.
Em 1996, a tradução de Lenita Esteves e Almiro Pisetta sai pela Paz e Terra:


VII.
Em 2008, a Itatiaia lança uma pretensa tradução em nome de Waldemar Rodrigues de Oliveira, na verdade cópia fiel da tradução de Sodré Viana. Veja aquiaqui.


VIII.
Em 2010, sai pela Landmark a tradução de Doris Goettems, em edição bilíngue:


IX.
Em 2011, é lançada a tradução de Heloísa Seixas pela BestBolso:

JANE EYRE



(A título de curiosidade, em 1953 sai uma quadrinização pela Ebal, em Edição Maravilhosa, n. 69.)
Revista Hq Edição Maravilhosa Jane Eyre Charlotte Bronte


Passemos a outro romance de Charlotte Brontë: Shirley. Foi lançado em 1949, pela Editora Brasileira, numa esquecida tradução de Fábio Valente:

Shirley - CHARLOTTE BRONTE



The Professor, de publicação póstuma, teve um pouco mais de sucesso entre nós:

I.
Sua primeira tradução, de Raul Lima, saiu pela José Olympio em 1944:


E foi reeditada pela Global em 1983:


II. 
Há outra edição pela Saraiva em 1958, cujo tradutor não consegui descobrir, num curioso volume duplo, junto com A lenda de Ulenspiegel, de Charles de Coster:

O Professor C Bronté e a Lenda de Ulenspiegel, C de Coster

III. 
O professor também saiu pelo Clube do Livro em 1958, com tradução em nome de José Maria Machado, o que, porém, não esclarece muita coisa ("José Maria Machado" significava basicamente uma sapecada do Clube do Livro em traduções alheias, e pronto).

O Professor - Charlotte Brontë


Em 1993, a Nova Fronteira lança dois textos da juvenília de Brontë, O segredo & Lily Hart, em tradução de Maria Ignez Duque Estrada:



Em 2006, sai "Napoleão e o espectro" em O grande livro de histórias de fantasmas, pela Suma de Letras, com tradução de Cristina Cupertino:



Por outro lado, Villette, o terceiro de seus três romances publicados em vida, continua inédito entre nós. 

Aos apreciadores das irmãs Brontë, recomendo Leituras Brontëanas, da Carolina, aqui.


henry james traduzido no brasil

Em Henry James, o peso da tarraxaaqui, apresentei uma rápida listagem das obras de James traduzidas entre nós. Passo agora às traduções individuais e suas primeiras edições.

I. O primeiro James
Até onde sei, o primeiro escrito de James a sair no Brasil foi o conto "Four Meetings", "Quatro encontros", em tradução de Vinícius de Moraes. Saiu na coleção "Contos do Mundo", volume 3, Os norte-americanos: antigos e modernos, com organização do próprio Vinícius, pela editora Leitura, em 1945. Foi incluído em Contos norte-americanos pela BUP, em 1963; a Ediouro tem reeditado o volume completo da Leitura, com o título de Contos norte-americanos: os clássicos:



imagem: aqui

II. O primeiro romance
Em 1955, sai o primeiro romance de Henry James entre nós, Washington Square, com o título de A Herdeira, em tradução de Ondina Ferreira, na Coleção Saraiva, vol. 82:*


III. A amusette, como dizia H. James
A seguir vem a menina dos olhos das editoras, The Turn of the Screw, título este que costuma ser vertido ao pé da letra, resultando num abstruso A volta do parafuso ou Outra volta do parafuso ou ainda A outra volta do parafuso. Há editoras que usam o título Os inocentes, na esteira do filme The innocents, com roteiro de Truman Capote. O aparecimento dessa novela entre nós foi tardio: lançada em 1898, só chegou aqui em 1961. Talvez para compensar o atraso, em menos de cinquenta anos sucederam-se nada menos de dez traduções e três adaptações. A primeira delas, e de longe a mais conhecida e reeditada até hoje, é a de Brenno Silveira. Apresento abaixo suas várias edições em várias editoras.

Brenno Silveira, Civilização Brasileira, 1961:


Em 1969, a capa muda para:


Na 3a. edição, em 1972, passa para:

Fotos de  Livro - Outra Volta do Parafuso - Henry James

Em 1970, a Abril Cultural licencia a tradução de Brenno
e acrescenta o conto Lady Barberina, em tradução de Leônidas Gontijo de Carvalho,
em sua coleção "Imortais da Literatura Universal" (reed. em 71, 72, 74, 76):

Fotos de  Livro - Lady Barberina / Outra Volta do Parafuso - Henry James

Em 1980, a Abril muda a cor da capa e acrescenta um "A" ao título
(reed. em 81, 82, 83):


Em 1985, sai pelo Círculo do Livro, com o título inicial
(reed. em 90):


Em 2002, sai pela Nova Cultural, novamente com Lady Barberina
e o "A" no título (reed. em 2003):


Em 2010, a Clássicos Abril retoma o título inicial:


IV. Volta a herdeira
Em 1967, a BUP (Biblioteca Universal Popular, vol. 66) publica A herdeira (Washington Square) em tradução de Berenice Xavier:



A tradução de Berenice Xavier é licenciada para a Abril Cultural, na coleção "Grandes Romancistas", em 1984:


V. Volta a amusette
Infelizmente não sei em que ano sai A volta do parafuso em tradução de Olívia Krähenbühl, pela Cultrix, tradução esta que é licenciada em 1969 para a Ediouro (então Tecnoprint), onde se mantém até hoje:

Livro: VOLTA DO PARAFUSO, A

E, surpreendentemente, sai também pelo Clube do Livro em 1971, reed. 72, com os devidos créditos de tradução:**


Em 1979, o Clube do Livro troca o título para Os inocentes, mantendo a mesma tradução de Olívia Krähenbühl:

Clique para ampliar a capa

Em 1987, o mesmo Clube do Livro volta ao título inicial adotado pela tradutora:


VI. Um pouco de novidade
Em 1971 sai A roda do tempo, trazendo também "Lady Barberina" e "O mentiroso", em tradução de Leônidas Gontijo de Carvalho, na Coleção Sempreviva, v. 10, da Civilização Brasileira:

A Roda do Tempo


VII. Começam as adaptações infanto-juvenis
Em 1972, The Turn of the Screw sai com o título de Os inocentes, em adaptação infanto-juvenil de Marques Rebelo, na Coleção "Elefante" da Ediouro:


VIII. A versão espírita
Em 1980, sai mais um Os inocentes, por uma pequena editora de Matão, O Clarim, em tradução de Wallace Leal Rodrigues, com um prefácio expondo sua abordagem kardecista da obra:


IX. Mais um pouco de variedade
Em 1984, finalmente sai um terceiro romance de James, Os papéis de Aspern, em tradução de Maria Luiza Penna, na Coleção "Armazém do Tempo" da Global:


X.
Também em 1984, sai uma tradução de Os papéis de Aspern, de Álvaro A. Antunes, pela pequena editora Interior, de Além Paraíba.


XI. Outros contos
Em 1985, sai A fera na selva, pela Rocco, na Coleção "Novelas Imortais", em tradução de Fernando Sabino:


XII. Prossegue o James contista
Em 1986, o Clube do Livro lança Os quatro encontros, incluindo o conto de mesmo título e mais "O discípulo" e "O mentiroso", em tradução de Aristides Barbosa (é de se notar que esta tradução segue outra edição, bem diferente da usada por Vinícius de Moraes):


XIII. Agora no segmento dos didáticos
Em 1987, a Scipione lança Os inocentes, com o subtítulo em corpo menor de A volta do parafuso, numa adaptação infanto-juvenil por Cláudia Lopes, na Série Reencontro, para compras do governo de livros didáticos (reedições anuais ininterruptas, até hoje):


XIV. Opa
Em 1991, a Imago lança Daisy Miller / Um incidente internacional, em sua Coleção Lazúli, em tradução de Onédia Célia Pereira de Queiroz:


XV. Agora vai
Em 1993, saem cinco contos enfeixados em A morte do leão: histórias de artistas e escritores, pela Companhia das Letras, em tradução de Paulo Henriques Britto. Traz "A morte do leão", "A lição do mestre", "A coisa autêntica", "Greville Fane" e "O desenho no tapete".


XVI. Até que enfim
Também em 1993, o Círculo do Livro lança Retrato de uma senhora, em tradução de Gilda Stuart:


Esta tradução é licenciada em 1995 para a Companhia das Letras, onde permanece até hoje:


em edição de bolso, 2007


XVII. Variando um pouco
Em 1994, é lançada uma coletânea de contos selecionados e traduzidos por José Paulo Paes, pela Companhia das Letras, Até o último fantasma: contos fantásticos. Traz "Sir Edmund Orme", "A coisa realmente certa", "Os amigos dos amigos", "O grande e bom lugar" e "A bela esquina":

Até o Último Fantasma

XVIII. Mais um romance
Também em 1994, a mesma editora lança Pelos olhos de Maisie, em tradução de Paulo Henriques Britto:

Pelos olhos de Maisie

Em 2011, sai pela Penguin-Companhia uma versão revista dessa mesma tradução, em formato de bolso:


XIX. Mais novidades
Ainda em 1994, a Ediouro, em sua coleção Clássicos de Bolso, lança Os europeus, em tradução de Laura Alves:


XX. Suspiro...
Em 1995, sai pela Nova Fronteira uma nova tradução de Washington Square, também com o título de A herdeira, feita por Newton Goldman:


Essa tradução de Newton Goldman é licenciada em 1996 para o Círculo do Livro (reed. 97, 99):


XXI. Começam a se repetir os contos
Ainda em 1995, a Nova Alexandria publica A vida privada e outras histórias, em seleção e tradução de Onédia Célia Pereira de Queiroz (reed. 2001). Contém "A vida privada", "A lição do mestre" e "O desenho no tapete" (uma pena: já dispúnhamos destes dois contos desde 1993).


XXII. Alvíssaras
Continuando em 1995, sai A arte da ficção, excertos de The Art of Novel selecionados por Antonio Paulo Graça e traduzidos por Daniel Piza, pela Imaginário, na Série Olhar Crítico (reed. 1996):


Em 2011, é reeditada pela Novo Século:


XXIII. Mais alvíssaras
Em 1996, sai pela Sette Letras o estudo Gustave Flaubert, em tradução de Léa Viveiros de Castro, abaixo em capa na reedição de 2000, quando a editora já passara a se chamar 7Letras:


XXIV. Outra repetição
Em 1996, reed. 1997, sai mais uma A lição do mestre, agora pela Paz e Terra, Seção Leitura, em tradução de Afonso Teixeira Filho e Rui Costa Pimenta:


XXV. Boas novas
Em 1997, a Imago publica A Madona do futuro, um dos contos favoritos do próprio autor, em tradução de Arthur Nestrovski:

A Madona do Futuro

XXVI. Mais boas novas
Em 1998, sai aquele portento que é As asas da pomba, em tradução de Marcos Santarrita, pela Ediouro:


XXVII. Variando um pouco
Em 2000, sai uma edição bilíngue de The Pupil, O pupilo, em tradução de André Cardoso, na Coleção Biblioteca Alumni, da Imago/ Alumni:


XXVIII. Ufa!
Em 2002, finalmente sai The Golden Bowl, A taça de ouro, pela Record, em tradução de Alves Calado:


Em 2009, é reeditada pela BestBolso:


XXIX. Continuam as alvíssaras
Em 2003, sai pela Globo A arte do romance: antologia de prefácios, em seleção, apresentação e tradução de Marcelo Pen, com oito textos.

Henry James: A arte do romance, I.S.B.N.: 8525036420

XXX. Mais uma retradução
Em 2004, sai o conto "A decisão correta" na coletânea Clássicos do sobrenatural, em seleção e tradução de Enid Abreu Dobránszky, pela Iluminuras:


XXXI. Ainda The Turn
Em 2005, a Companhia das Letras lança Contos de horror do século XIX, onde comparece A volta do parafuso em tradução de Marcelo Pen - que, aliás, lucidamente comenta em seu prefácio que a tradução do título, embora a tenha mantido como tal, é "um grande equívoco" e, "a rigor, não quer dizer nada em português":


XXXII. Mais um
Ainda em 2005, a Landmark publica em edição bilíngue A volta do parafuso, em tradução de Chico Lopes:


XXXIII. Novidades
Também em 2005, a Planeta lança Um peregrino apaixonado e outras histórias (as outras são "Eugene Pickering" e "O último dos Valérios"), em tradução de Marcelo Pen:


XXXIV. Mais uma adaptação
Em 2005, a Rideel publica A volta do parafuso na adaptação de Ana Carolina Vieira Rodriguez (reed. 2010):


XXXV. 
Em 2006, sai pela Cosac Naify  A fera na selva, em tradução de José Geraldo Couto:

Título do Livro

XXXVI. Mais do mesmo
Ainda em 2006, outra A volta do parafuso, pela editora Martin Claret, em tradução de Luciano Alves Meira (reed. 2007, 2010):



XXXVII. Mais um
Em 2007, a L&PM publica A volta do parafuso (seguido de Daisy Miller), em tradução de Guilherme Braga e Henrique Guerra (reed. 2008, 2010):


XXXVIII. Novidades
Em 2008, Os espólios de Poynton saem pela Companhia das Letras em tradução de Onédia Célia Pereira de Queiroz:


XXXIX. 
Finalmente sai em 2010 o aguardado Os embaixadores, pela Cosac Naify, em tradução de Marcelo Pen:


XL. Mais uma volta
Em 2010, a Hedra lança A volta do parafuso em tradução de Marcos Maffei:



XLI. Tantas voltas...
Em 2011, pela Penguin-Companhia, sai A outra volta do parafuso, em tradução de Paulo Henriques Britto:


XLII. Quase espanando
Em 2011, a Atual, em sua Coleção Três por Três, lança um volume de adaptações infanto-juvenis com o título Três fantasmas, contendo "O capote", "A volta do parafuso" e "Alavasto ou Morrer não é bonito":


XLIII.
Em 2012, temos Vida de artista, quatro contos sobre pintores (The history of a masterpiece/ The Madonna of the Future/ The Liar/ The Beldonald Holnein - não sei como ficaram os títulos em portugês), em tradução de Cláudio Figueiredo, pela José Olympio:



* Localizei uma referência a 1950, mas não pude comprová-la.
** Digo isso porque o Clube do Livro era notório por suas "traduções especiais", isto é, traduções portuguesas apenas adaptadas ao português brasileiro, ou antigas e apenas com a grafia atualizada, porém atribuídas a colaboradores da editora, sendo o mais constante deles José Maria Machado.

É visível que na década de 1990 há entre nós um salutaríssimo boom jamesiano, embora não suficiente, nem de longe, para preencher as grandes e várias lacunas. Onde está, por exemplo, A princesa Casamassima? E Roderick Hudson? E Os bostonianos? Além disso, certamente há mais coisas publicadas entre nós, mas que ainda não localizei: por exemplo, tenho uma vaga lembrança de ter lido The Golden Bowl em português no começo dos anos 80 - que edição seria? E O altar dos mortos, só saiu em Portugal?

Atualização: Legal! Jonas Lopes me informa que "O altar dos mortos" está em Contos de amor do século XIX, em tradução de José Rubens Siqueira, pela Companhia das Letras, 2007:


Encontro ainda "O romance de uns velhos vestidos", em Obras-primas do conto de terror, seleção de Jacob Penteado, sem indicação de tradutor (possivelmente de Portugal), Livraria Martins, 1958. Aqui em capa de 1962:

Obras primas do conto de terror Martins

E também "Um peregrino apaixonado" na coletânea organizada por Sérgio Milliet, Obras-primas do conto norte-americano, também pela Martins, 1958 (não sei quem é o tradutor):

OBRAS-PRIMAS DO CONTO NORTE-AMERICANO

Em 1967, na coletânea 7 novelas clássicas, com tradução de Márcio Cotrim e outros, sai pela Imago/ Lidador o conto "Um episódio internacional":


Há também "Brooksmith" no volume "Caminhos Cruzados" do Mar de histórias, em seleção e tradução de Aurélio Buarque de Holanda e Paulo Rónai. Aqui na capa da edição de 1982:


Toque de Ricardo Duarte: em 2003, sai "O banco da desolação" em A selva do dinheiro, coletânea com seleção e tradução de Roberto Muggiati, pela Record:


Ainda Ricardo Duarte avisa: em 2003, sai pela Record A selva do amor, coletânea organizada por Roberto Muggiati, com "Diário de um homem de cinquenta". Não sei ainda o tradutor (Zoia Prestes, Pedro Süssekind ou o próprio Muggiati):

A SELVA DO AMOR: CONTOS CLASSICOS DA GUERRA DOS SEXOS


Em 2004, um surpreendente Viver com sabedoria: mensagens para a busca da felicidade eterna, pela Reader's Digest do Brasil, com mensagens de Kafka, Jane Austen e outros, entre eles Henry James:

Viver com Sabedoria  Mensagem para a busca da felicidade eterna


Outro toque de Ricardo Duarte: a editora Autêntica de Belo Horizonte está com previsão de lançamento de Viagens à Itália ainda neste primeiro semestre. Ver aqui.

Uma hora, vou ter de reordenar este post: mais um Henry James, seu segundo texto publicado no Brasil, o ensaio sobre "Balzac", em 1954, como introdução ao volume XVII da Comédia Humana de Balzac, pela Globo, em tradução de Berenice Xavier.




Atualização em 14/12/12: um achado sensacional de Raquel Sallaberry Brião, do Jane Austen em Português: a tradução de Margarida Patriota, Pobre herdeira da Washington Square, pela Alhambra, 1991.

Sobre a pequena e efêmera Alhambra, ver a menção de Ivo Barroso, aqui.








atualização em 16/8/2015:"Sir Edmund Orme", em Góticos II: lúgubres mistérios, pela Melhoramentos, em tradução de Domingos Demasi, 2014.