30 de nov de 2012

tentando entender

às vezes, lendo alguma coisa, encontro passagens cujo sentido não me parece imediatamente claro e fico querendo entender melhor. por exemplo, leio no fundamental artigo de júnia barreto que vim comentando nos últimos posts:
Algumas das obras de Hugo receberam traduções e/ou reedições brasileiras neste início do século XXI, como os romances O último dia de um condenado (Estação Liberdade, 2002, trad.  de  Dominique Kalifa;* 2010, trad.  de Joana Canedo);  Notre-Dame de Paris (Estação Liberdade, 2011, trad.  de  Ana de Alencar e Marcelo Diniz),  O Corcunda de Notre-Dame (Ediouro, 2003, trad.  de Uliano Tevoniuc; Martin Claret, 2006, trad. de Jean Melville); Os trabalhadores do mar (Martin Claret, 2004, reedição da tradução de Machado de Assis); Os Miseráveis (Martin Claret, 2007, trad. de Regina Célia de Oliveira). Nesse levantamento, não foram consideradas as adaptações ou as edições paradidáticas. 
Entretanto, algumas das traduções atuais preservam parte das traduções feitas para as obras completas nos anos 1950, pelos tradutores Frederico Ozanam Pessoa de Barros (Os miseráveis) e Hilário Correia. Nesses casos, constata-se que tais traduções se prendem a transposições majoritariamente linguísticas e semânticas, comportando, muitas vezes, erros crassos de forma e/ou conteúdo e, por vezes, transfigurando o texto literário ou o próprio projeto do autor. [aqui, p. 86; negrito meu]
o que o trecho em negrito significa concretamente? 1. que a tradução de regina célia de oliveira, pela martin claret, reproduz trechos da tradução de ozanam? 2. como notre dame de paris é a única obra em comum entre as traduções de victor hugo feitas por hilário correia e as traduções atuais citadas por júnia barreto, deduzo que a autora se refere à tradução em nome de jean melville, pela martin claret. então isso significa que o corcunda de notre dame pela claret  tem trechos copiados da tradução de hilário correia pela edameris?

quanto ao item 2., não chega a surpreender, pois é fato sabido que todas as traduções atribuídas pela martin claret ao fictício "jean melville" são espúrias. de todo modo, é interessante a sugestão - se entendi corretamente o trecho citado - de que a fonte pelo menos parcial de mais essa contrafação da claret teria sido a tradução de hilário. agora, que a tradução d'os miseráveis feita por regina célia de oliveira "preserva parte" da tradução de ozanam - e repito: se é que entendi corretamente o trecho citado - me surpreendeu e, a meu ver, é uma afirmação, ainda que um tanto elíptica, que demandaria maiores esclarecimentos.

* estranhei um pouco a menção ao historiador francês dominique kalifa como tradutor d'o último dia de um condenado. até onde sei, a tradução dessa obra por joana canêdo saiu pela estação liberdade já em 2002.

atualização em 17/2/2013: joana canêdo avisa em comentário abaixo que os créditos de suas traduções foram corrigidos pela profa. júnia barreto em seu artigo supracitado.

traduções de les travailleurs de la mer

ainda sobre les travailleurs de la mer, de victor hugo: júnia barreto, em seu luminoso artigo sobre "traições editoriais: os trabalhadores do mar, de victor hugo a machado de assis", disponível aqui, comenta que existiria mais de uma dezena de traduções brasileiras da obra.
Les misérables é o título que ganhou o maior número de traduções brasileiras (cerca de vinte), seguido por Notre-Dame de Paris e Les travailleurs de la mer (mais de uma dezena, cada um), e por último Quatrevingt-treize (em torno de sete). [p. 86]
fiquei curiosa em saber quem foram seus tradutores, além de machado de assis. segue-se o que localizei.

I. traduções






a tradução de machado de assis, que tinha saído serializada em 1866, foi publicada em livro pela typographia perseverança no mesmo ano. ao lado, um exemplar encadernado dessa edição de 1866, disponível na brasiliana.usp.









ela tem sido exaustivamente reeditada no século e meio decorrido desde então: pongetti, tecnoprint/ ediouro, francisco alves, abril cultural, círculo do livro, nova cultural, nova alexandria (e até pela martin claret com os devidos créditos de tradução). aqui algumas capinhas:



depois da tradução de machado de assis, sai outra tradução com o título de os homens do mar, em 1925, pela companhia graphico-editora monteiro lobato. segundo o levantamento do iel/ unicamp, aqui, a tradução teria sido feita pelo próprio monteiro lobato, mas não ponho muito minha mão no fogo quanto a isso.





essa tradução foi reeditada em 1933, em dois volumes, pela sociedade impressora paulista, em sua "colecção econômica". sai também em 1936 ss. pela civilização brasileira, selo da nacional, que passou a abrigar a "colecção econômica sip" (sociedade impressora paulista).






aí, em 1952 vem a w. m. jackson com uma de suas espertezas. em certa época, a jackson gostava bastante de pegar traduções alheias sem dar os créditos e publicá-las como "tradução revista" pela equipe da casa. fiel à sua praxe, publicou uma tradução anônima, que teve algumas reedições posteriores na mesma casa:


Autor:Hugo, Victor,clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes 1802-1885.
Título original:Les travailleurs de la mer.Portugues
Título / Barra de autoria:Os trabalhadores do mar / Vitor Hugo ; [traducao revista e adaptada para esta colecao pelo Departamento Editorial de W. M. Jackson Inc.]. -
Imprenta:Sao Paulo : W. M. Jackson, 1952. 
Descrição física:408p. ; 20cm. -
Série:(Grandes romances universais ; v.17)
Notas:Traducao de: Les travailleurs de la mer.
Classificação Dewey:
Edição:
843
Indicação do Catálogo:VI-431,1,19 
Sigla do Acervo:DRG


em 1957, a editora das américas (edameris) lança obras completas de victor hugo, em 44 volumes. a tradução os trabalhadores do mar ficou a cargo de oscar paes leme. a obra foi dividida em dois tomos, o primeiro no vol. 14, o segundo no vol. 15. essa tradução de oscar paes leme se restringiu, até onde consegui apurar, à própria edameris.


II. adaptações

quanto a adaptações, há algumas. mas um dos problemas das adaptações é que raramente avisam se foram feitas diretamente a partir do original (quase nunca) ou de uma tradução integral previamente existente (quase sempre - e aí não se costuma creditá-la). sobre isso, ver aqui. em todo caso, seguem algumas adaptações de les travailleurs de la mer:




uma bem fininha, com cerca de oitenta páginas, na coleção "edição para a juventude" da editora minerva, em 1951, feita por terra de senna (pseudônimo do jornalista, escritor, chargista e ilustrador lauro carmeliano pereira nunes ou, como era mais conhecido, lauro nunes). aqui na capa de 1953








outra pela minerva, em 1957, na coleção "mundo infantil", vol. 4, um pouco mais extensa, com c. 120 páginas, feita por débora rodrigues. aqui na capa de 1962, pela coleção "tesouro de todos os tempos"









a adaptação de maria jacintha saiu inicialmente pela abril cultural, em 1973, na coleção "clássicos da literatura juvenil", com duzentas e poucas páginas. mais tarde foi reeditada pelo círculo do livro.









claro que não podia faltar uma daquelas adaptações meio espúrias do clube do livro: em 1946, temos os homens do mar, com c. 290 páginas, para variar sem créditos de tradução nem nada








III. concluindo

em suma, quanto a traduções brasileiras de les travailleurs de la mer, consegui localizar apenas quatro: duas com identificação incontestável, a de machado de assis e a de oscar paes leme; uma que acho que é anônima e foi talvez um tanto voluntaristamente atribuída a monteiro lobato, e uma contrafação anônima - aliás, essa tradução espúria da jackson até pode ser portuguesa; não sei, teria de verificar. receio que as demais traduções brasileiras a que alude júnia barreto tenham se esvaído pelo sorvedouro dos tempos: agradeceria muito se alguém tiver e puder me repassar maiores informações sobre elas.

quanto à identificação das traduções nas adaptações condensadas, quem sabe poderia constituir um bom tema para algum trabalho de conclusão de curso. fica dada a sugestão.

uma fonte muito útil para as diversas edições da obra é o levantamento de joana canêdo, aqui.

29 de nov de 2012

olhaí

sobre aquele caso surreal da abril cultural, que publicou os trabalhadores do mar na tradução de machado de assis e botou um capítulo do meio no final do livro - ressuscitando gilliatt após seu suicídio ou apresentando seu fantasma em ação - que comentei aqui, taí a foto da última página da edição de 1971, cortesia de nossa querida paula abramo:


para o artigo de júnia barreto, que desvendou o desatino da abril, veja-se aqui.

borges/ bandeira

não sabia, achei interessante: ao que parece, o primeiro jorge luís borges que nos chegou, foi pelas mãos de manuel bandeira. é o poema un patio.
Un patio

Con la tarde
se cansaron los dos o tres colores del patio.
La gran franqueza de la luna llena
ya no entusiasma su habitual firmamento.
Hoy que está crespo el cielo
dirá la agorería que ha muerto un angelito.
Patio, cielo encauzado.
El patio es la ventana
por donde Dios mira las almas.
El patio es el declive
por el cual se derrama el cielo en la casa.
Serena
la eternidad espera en la encrucijada de estrellas.
Lindo es vivir en la amistad oscura
de un zaguán, de un alero y de un aljibe.
Pátio 
Com a tarde
Cansaram-se as duas ou três cores do pátio.
A grande franqueza da lua cheia
Já não entusiasma o seu habitual firmamento.
Hoje que o céu está frisado,
Dirá a crendice que morreu um anjinho.
Pátio, céu canalizado.
O pátio é a janela
Por onde Deus olha as almas.
O pátio é o declive
Por onde se derrama o céu na casa.
Serena
A eternidade espera na encruzilhada das estrelas.
Lindo é viver na amizade obscura
De um saguão, de uma aba de telhado e de uma cisterna.

haverá uma palestra sobre o tema na fundação casa de rui barbosa: ver aqui.


28 de nov de 2012

victor hugo no brasil

aliás, a propósito de victor hugo, joana canêdo gentilmente disponibilizou seu levantamento das traduções publicadas no brasil, até 1998. disponível aqui.

que espanto!


eu estava lendo a revista traduzires, publicação da pós-graduação em tradução da universidade de brasília, e encontrei um artigo interessantíssimo de júnia barreto sobre os trabalhadores do mar, de victor hugo, na tradução de machado de assis. o artigo está aqui e conta o que a tradução de machado sofreu às mãos da editora abril a partir de 1970.

resumindo, o pessoal da abril pegou um capítulo do meio do livro e botou no fim. então ficou uma sandice. pois gilliatt, o protagonista, se mata no final da história, que termina assim: "No momento em que o navio dissipava-se  no horizonte, a cabeça desaparecia debaixo da água. Tudo acabou; só restava o mar".

mas, com esse disparate, o que acontece? está ele lá se suicidando e aí acorda com fome, vai atrás de comida, sobrevive - como fantasma, imagina-se - a uma tempestade, encontra o monstro marinho, bate num recife, passa por aquelas vicissitudes todas e termina o livro cantarolando bonny dundee! - fico até imaginando se não foi algum engraçadinho, meio entediado lá numa mesa da abril, que quis dar um toque de brás cubas a gilliatt.

segundo a articulista, essa sandice perseverou por anos a fio, até 2000. a abril cultural se extinguiu em 1984-1985, mas fiz um rápido levantamento de suas edições d' os trabalhadores do mar desde 1970, e encontrei reedições em 1971, 1972, 1973, 1974, 1979, 1980, 1982 e 1983. como a distribuição da abril era voltada para bancas de jornal, suas tiragens eram altíssimas, de 70 mil exemplares para cima, e não raro com reimpressões no mesmo ano. quanto a outras edições entre 1984 e 2000 em outras editoras, não sei dizer.

na partilha de 1985, coube a richard civita o catálogo da extinta abril cultural, bem como o círculo do livro (empresa em sociedade entre a bertelsmann alemã), e assim encontramos uma edição d'os trabalhadores do mar pelo círculo em 1986. não sei como está. a partir de 1987, a nova cultural passa a publicar uma adaptação infantojuvenil feita por maria jacintha. não vi, não conheço, mas imagino que esteja correta, em vista de se tratar de ninguém menos que maria jacintha. a partir de 1993, a nova cultural volta a publicar o texto integral, mas não faço ideia se usou a edição da abril ou não: seguem-se reedições em 1994, 1999, 2002 e 2003. aí teria de ver; em todo caso, júnia barreto nos tranquiliza avisando que as edições de 2000 em diante estão normais.

de qualquer forma, se a abril cultural inaugurou sua sandice em 1970 e nela persistiu até seu encerramento, isso vai somar pelo menos nove edições até 1983, sem contar as reimpressões num mesmo ano. é só fazer as contas: mesmo feito por baixo, o cálculo dá um resultado assustador.

minhas saudações e parabéns a júnia barreto pelo belo artigo e pelo alerta fundamental.

atualização em 29/11/12: rodrigo avisa que a edição da nova cultural de 1994 está ok, e a de 2002, avisa thiago, também ok. ver também aqui.


27 de nov de 2012

camus traduzido no brasil

na sequência do levantamento das obras de sartre traduzidas no brasil, que apresentei aqui
veio a curiosidade: e camus?

camus parece ter chegado em tradução brasileira no ano de 1949, 
com "a europa e o morticínio"  na revista trimestral da globo, província de são pedro, n. 14. 
é o extrato de sua conferência em porto alegre, coligida por jean roche. 


sua obra fundamental, a peste, sai em 1950 pela josé olympio, na coleção "fogos cruzados",
com tradução de graciliano ramos, relançada pela delta em 1964 ss.e pela opera mundi em 1970 ss.

em 1958, a agir lança sua adaptação teatral de faulkner, oração para uma negra, peça em sete quadros, em tradução de guilherme figueiredo

em 1963, calígula, peça em quatro atos, pela civilização brasileira,
na coleção universitária de teatro, vol. 2, com tradução de maria da saudade cortesão

em 1964, sai bodas em tipasa, pela difel,
em tradução de sérgio milliet

em c. 1975, as mais belas palavras pronunciadas por ocasião da entrega do prêmio nobel,
pela hemus, seleção de eli behar e tradução de agatha m. auersperg

a partir de 1976, a abril lança estado de sítio em várias coleções suas,
a começar pela "teatro vivo", em tradução de maria jacintha

em 1978, sai diário de viagem - a visita de camus ao brasil pela record,
em tradução de valerie rumjanek chaves

em 1979, núpcias e o verão, pela nova fronteira,
em tradução de vera queirós da costa e silva

incrivelmente, parece que apenas em 1980 sai uma tradução brasileira d' o estrangeiro,
de valerie rumjanek, pelo círculo do livro (as várias edições anteriores pela abril 
traziam a tradução portuguesa de antónio quadros). agora está na record

em 1981, o exílio e o reino pela record,
tradução de valerie rumjanek

em 1982, também incrivelmente tardio, sai a queda pelo círculo do livro,
em tradução de valerie rumjanek (agora na record)

em 1983, uma nova tradução d'a peste pelo círculo do livro,
também de valerie rumjanek (agora na record)

em 1989, o mito de sísifo - ensaio sobre o absurdo, pela guanabara,
com tradução e apresentação de mauro gama

em 1994, o primeiro homem pela nova fronteira,
com tradução de teresa bulhões carvalho da fonseca e maria luísa newlands silveira

em 1995, o avesso e o direito, pela record,
em tradução de valerie rumjanek

em 1996, o homem revoltado, pela record,
em tradução de valerie rumjanek

em 1998, a inteligência e o cadafalso e outros ensaios, pela record,
em tradução de manuel da costa pinto e cristina murachco. ver aqui.

em 1998, a morte feliz, pela record,
em tradução de valerie rumjanek


em 2002, uma nova tradução de estado de sítio, pela civilização brasileira,
agora de alcione araújo e pedro hussack

em 2004, nova tradução de o mito de sísifo, pela record,
agora de ari roitman e paulina wacht

em 2007, os justos pela deriva, em sua coleção de teatro,
em tradução de robson dos santos
atualização em 18/8/2015: afinal, revela-se suspeitíssima essa edição.
veja aqui


atualização em 14/6/2015

em 2014, a hedra lança seus cadernos, distribuídos em três volumes - esperança do mundoa desmedida na medida e a guerra começou - onde está a guerra?, todos em tradução de samara geske e raphael araújo:






23 de nov de 2012

sartre traduzido no brasil



parece que sartre em livro chegou a nós inicialmente pelo instituto progresso editorial (ipe), em 1948, com o muro, em tradução de alcântara silveira. em 1957, essa tradução passa a ser publicada pela civilização brasileira. aqui na capa de 1963.








seguiu-se em 1949 a idade da razão, pelo mesmo ipe. ignoro o tradutor.











em 1949, guilherme de almeida traduz entre quatro paredes (huis clos) para a montagem teatral de adolfo celi em 1950 no tbc. essa tradução vem a ser publicada em livro apenas em 1977, na coleção "teatro vivo" da abril cultural.









em 1951 sai sua peça o diabo e o bom deus, pela difusão europeia do livro (difel), em tradução de maria jacintha. aqui em capa de 1964.










em 1957, a idade da razão, os caminhos da liberdade I, em tradução de sérgio milliet pela difel











em 1958, sursis, os caminhos da liberdade II, também em tradução de sérgio milliet pela difel.









ainda em 1958, sai "o muro" na antologia titãs da literatura, vol. VII da coleção "os titãs" da el ateneo do brasil, em tradução de a. barbosa rocha. como se trata de uma coleção organizada originalmente em espanhol por lázaro liacho, imagino que a tradução tenha sido feita a partir do espanhol.






em 1959, com a morte na alma, os caminhos da liberdade III, idem, idem.











também em 1959, temos seu texto prefaciando a tortura de henri alleg, pelas edições zumbi, em tradução de armando gimenez.


dados e imagem extraídos do álbum de dainis karepovs no facebook








em 1960, inaugurando a editora do autor, sai furacão sobre cuba, acrescido de artigos de fernando sabino e rubem braga sobre suas visitas a cuba








em 1960, pela tempo brasileiro, crítica e história literária, anais do congresso brasileiro, com palestra de sartre, que era o convidado especial do congresso.



em 1960, sai reflexões sobre o racismo (com "reflexões sobre a questão judaica" e "orfeu negro"), em tradução de jacó guinsburg, pela difel.










em 1961, temos a prostituta respeitosa em tradução de miroel silveira, pela civilização brasileira










em 1964, sai a imaginação, também pela difel, em tradução de luiz roberto salinas fortes.










no mesmo ano e pela mesma editora, temos as palavras, em tradução de jacó guinsburg.








em 1965, temos esboço de uma teoria das emoções pela zahar, com tradução de fernando de castro ferro.



ainda em 1965, sai o fantasma de stálin pela paz e terra.











em 1966, as troianas (adaptado de eurípides), pela difel, em tradução de rolando roque da silva










também em 1966, pela tempo brasileiro, temos marxismo e existencialismo, controvérsia sobre a dialética (sartre e outros), em tradução de waltensir dutra.










ainda em 1966, sai questão de método pela difel em tradução de bento prado jr.











em 1968, pela tempo brasileiro, temos colonialismo e neocolonialismo em tradução de diva vasconcelos.











também em 1968, sai "vietnã: eua culpados de genocídio" na revista civilização brasileira, vol. IV, n. 17










ainda em 1968, o caso debray, um crime monstruoso, pela dorell, em tradução de carlos t. simões










em 1969, sai "determinação e liberdade" em moral e sociedade, pela paz e terra, em tradução de nice rissone a partir do italiano











em 1970, a paz e terra lança estados unidos no banco dos réus com sartre et al. (tribunal internacional de guerra), em organização e tradução de maria helena kunher






em 1975, pela inúbia, sai "autorretrato aos setenta anos", entrevista de sartre a michel contat, em cadernos de opinião 2 - o autoritarismo e a democratização necessária (número apreendido pela polícia federal).



em 1980, temos "um coração na proa do tempo" em encontros com a civilização brasileira 22










também em 1980, inaugurando sua coleção série oitenta, a l&pm publica o testamento de sartre, com "quinze anos de opiniões", em tradução de j. a. pinheiro machado, bem como sua última entrevista (a benny levy), em tradução da agência estado,  e textos de outros autores.








inacreditavelmente, parece que apenas em 1980 sai a náusea entre nós. a tradução é de rita braga, pela nova fronteira










também em 1980, pela paz e terra sai sartre no brasil, texto de sua conferência em araraquara, em tradução de luiz roberto salinas fortes










em 1982, sai a cerimônia do adeus de simone de beauvoir, acompanhada de entrevistas com sartre, pela nova fronteira, em tradução de rita braga










em 1983, sai diário de uma guerra estranha (a drôle de guerre"), pela nova fronteira, em tradução de aulyde soares rodrigues










em 1984, também pela nova fronteira, sai freud, além da alma, em tradução de jorge laclette









em 1984, temos o existencialismo é um humanismo, na coleção "os pensadores" da abril cultural, em tradução de rita correia guedes











em 1987, sai a conferência de sartre na universidade mackenzie, em 1960, na revista discurso 16, disponível aqui










também em 1987, sai áden arábia de paul nizan com prefácio de sartre, em tradução de bernadette lyra, pela marco zero (reeditado em 2003 pela estação liberdade)









em 1990, a nova fronteira lança verdade e existência, texto de 1948 publicado postumamente, em tradução de marcos bagno










em 1992, a papirus lança os dados estão lançados em tradução de lucy risso moreira césar









em 1992, a nova fronteira publica a esperança agora, últimas entrevistas de sartre a benny lévy, em tradução de maria luiza x. de a. borges



em 1993, sai pela ática que é a literatura? em tradução de carlos felipe moisés











em 1994, também pela ática, temos em defesa dos intelectuais em tradução de sérgio paulo de góes










também em 1994, é lançada a coletânea o perigo da hora - o século vinte nas páginas do the nation, com artigos de sartre et al., pela scritta, com tradução de hamilton santos e daniel piza









em 1995, sai nova tradução de a questão judaica, agora de mário vilela, com apresentação de moacyr scliar, pela ática










em 1996, sai o imaginário: psicologia fenomenológica da imaginação, pela ática, com tradução de duda machado










finalmente, em 1997 sai o ser e o nada - ensaio de ontologia fenomenológica, pela vozes, com tradução e notas de paulo perdigão










em 1998 sai um daqueles abomináveis "livros-clipping" da martin claret, uma colcha de retalhos sobre vida e pensamentos de sartre, apenas aproveitando excertos de traduções publicadas por outras editoras.








então, em 2002, temos a crítica da razão dialética, precedida por questões de método, tomo I, teoria dos conjuntos práticos, em tradução de guilherme joão de freitas teixeira, pela dp&a (agora lamparina)










em 2002, saint genet: ator e mártir é lançado pela vozes, em tradução de lucy magalhães










também finalmente, em 2005 a cosac naify lança situações I - críticas literárias em tradução de cristina prado e prefácio de bento prado jr.










ainda em 2005, a cosac naify lança o sequestrado de veneza em tradução de eloísa araújo ribeiro e notas de luiz marques











no mesmo ano, pela nova fronteira, temos as moscas em tradução de caio liudvik











em 2007, pela l&pm, sai a nova tradução de esboço para uma teoria das emoções, de paulo neves












em 2008, sai nova tradução de a imaginação, também pela l&pm, também de paulo neves










em 2009, a rainha albermarle ou o último turista, pela globo livros, em tradução de júlio castañon guimarães










em 2010, mais uma nova tradução, agora de o existencialismo é um humanismo, por joão batista kreuch, pela vozes. (agradeço a everton marcos grison pela informação correta sobre a imagem de capa.)











em 2012, a wmf publica alberto giacometti, em tradução de célia euvaldo








para 2013, a l&pm programa o lançamento de o idiota da família, o monumental estudo de sartre sobre flaubert.

este é um apanhado geral: devem existir inúmeros textos de sartre em coletâneas e revistas, que acrescentarei à medida que eu for localizando as referências.

outros:



em maio de 68, pela azouge, lançado em 2008, tem algum texto de sartre - não sei qual é, mas tenho a impressão de que é sartre entrevistando cohn-bendit









em nossa senhora das flores de jean genet, publicado no brasil pela nova fronteira em 1983, em tradução de newton goldman, sai um bom trecho de saint genet: comédien et martyr (pp. 497-535) - agradeço a informação a thiago cândido.








em 1958, a martins publica "o muro" em obras-primas do conto francês, com seleção de jacob penteado, sem créditos de tradução.












a título de curiosidade: ao que parece, o primeiro sartre romancista a sair entre nós foi um longo trecho de sursis, pela revista joaquim, de curitiba, em seu número 17, em março de 1948. a tradução foi feita por waltensir dutra, então um dos jovens integrantes da chamada geração de 45. ao que parece, antes disso haviam sido publicadas em periódicos algumas outras coisas de sartre, mas apenas do sartre ensaísta.





atualizado em 27/01/2013