30 de jan de 2013

artigo

um belo artigo de leonardo pastor, em defesa dos tradutores, aqui.

28 de jan de 2013

"a novela", livraria do globo, 1936-1938

um grande serviço à história da tradução no brasil prestaria o mestrando que se animasse a fazer um levantamento dos contos editados pela revista literária a novela, publicada pela livraria do globo com direção de erico veríssimo, entre 1936 e 1938.

não foram poucos os autores que tiveram seu primeiro ingresso no brasil por meio das páginas d'a novela. e sua equipe de tradutores não era nada de se desdenhar: mario quintana, wilson velloso, erico veríssimo e tantos mais que caberia a um diligente pesquisador rastrear.

o que posso oferecer são algumas capinhas e o conteúdo de alguns números, que se encontram na internet:

 n. 3, dezembro de 1936

 n. 4, janeiro de 1937

 n. 9, junho de 1937

 n. 10, julho de 1937

 n. 11, agosto de 1937
(rohmer, trad. luiza lindau ferreira)


 n. 12, setembro de 1937

n. 14, novembro de 1937

 n. 15, dezembro de 1937

 n. 17, fevereiro de 1938

 n. 18, março de 1938

 n. 22, julho de 1938

n. 23, agosto de 1938

 n. 25, outubro de 1938

n. 26, novembro de 1938

já comentei alhures, por exemplo a propósito do número 22:
Não vou me deter sobre a Livraria do Globo (e a Editora Globo), ou sobre o papel de Érico Veríssimo como seu diretor editorial - há fartíssimo material a respeito. O pertinente aqui é a Revista Mensal de Literatura A Novela, criada em 1936 por Veríssimo. Com número fixo de páginas (192), a cada mês era lançado um número tendo um texto principal - conto, novela ou romance - como chamada e ilustração de capa, geralmente algo de bom apelo comercial naquele momento.
Complementando as 192 páginas do padrão da revista, seguiam-se contos os mais variados, muitos deles de maior qualidade literária. É o caso, por exemplo, de "Amy Foster" de Conrad ou d' "A Aventura de Tse-La", de Villiers de l'Isle-Adam, entre as capas d' O Navio Fantasma do Cap. Fred Marryat, em tradução de Mario Quintana e ilustração de Edgar Koetz, um dos expoentes das artes gráficas gaúchas (n. 22, 1938). ver aqui
ou ainda, sobre a primeira tradução d'a queda da casa de usher, de edgar allan poe:
Foi nas páginas d' A Novela n. 23, de agosto de 1938, com chamada de capa para O Grande Amor de Napoleão, do Conde de Ornano, que encontrei o que me parece ser a primeira tradução brasileira de "A queda da casa de Usher",  de Poe.
O conteúdo deste número era o seguinte: H.C. Nac Neile, "A melodia da morte"; Valentine Gregory, "O crime do ônibus"; Conde de Ornano, "Maria Walewska, O grande amor de Napoleão"; Edgar Wallace, "O homem que odiava as minhocas"; Charles de Coster, "As três donzelas"; Edgar Allan Poe, "A queda da casa de Usher"; Milward Kennedy, "Que é um crime?"; Archemed Abdullah, "Éramos seis... e uma dama"; Suzanne Normand, "Mariposas de papel". Créditos de tradução: Oliveira Abrantes e Wilson Velloso.
O romance do conde de Ornano fora lançado meses antes, ainda em 1938, pela Inquérito de Lisboa, na tradução do lusitano Oliveira Abrantes, num volume de 354 páginas (aqui).* Em vista disso, imagino que o texto publicado na Revista Literária da Globo fosse uma adaptação condensada. Procurei exaustivamente entre a produção tradutória de Abrantes alguma referência a algum dos outros contos publicados neste número d'A Novela, e não localizei qualquer menção.
* interessante notar que, no mesmo ano, a Vecchi tinha lançado no Brasil o romance histórico de Octave Aubry sobre o mesmo tema, Maria Walewska, o grande amor oculto de Napoleão, em tradução de Maria Luiza Barreto Sanz, talvez abrindo caminho para a edição mais popular deste número d'A Novela.
Assim, por exclusão, parece-me plausível supor que os demais contos tenham sido traduzidos por Wilson Velloso (que, posteriormente, veio a se celebrizar em especial por sua tradução de 1984). Velloso, nascido em 1918, contava então com 20 anos. Sua filha Heloísa Velloso não soube informar se foi de fato ele o tradutor d'"A queda da casa de Usher" e/ou dos demais contos, mas declara que o pai já traduzia bastante naquela época. Cabe ainda notar que Wilson Velloso foi prolífico tradutor na Coleção Amarela da Globo e também traduziu para a Catavento, da mesma editora. ver aqui.
é ainda nas páginas d'a novela que temos averchenko, com "o homem da gravata verde", e kúprin, com "a defesa do acusado", no número inaugural da revista, em outubro de 1936.

outros conteúdos que localizei, porém sem os créditos de tradução, são:

n. 4, janeiro de 1937: "lama das trincheiras", de g. sorrow; "as etapas da loucura", de dostoievsky; "o crime do hospital", de m. eberhart; "a ladra de mármore" de edgar wallace; "um crime no expresso de istambul", romance seriado; "em silêncio", de a. de lorde.

n. 10, julho de 1937: "o quarto 404: m.f.h.", de a. bennet; "a caça ao tesouro", de edgar wallace; "vittoria", de stendhal; "o mistério dos sete relógios", de agatha christie; "o beijo", de j. constant; "o degenerado ", de somerset maugham; "mina de prata", de selma lagerlöf.

n. 11, agosto de 1937: "os heróis - perseu", de charles kingsley; "lua de loucura", de sax rohmer; "mackintosh", de somerset maugham; "no país dos suplícios", andré de lorde; "rip van winkle", de washington irving; "os acionistas", de edgar wallace; "vanka", de anton checov; "perfil biográfico de emil ludwig", de nansen.

n. 14, novembro de 1937: "os sapatinhos vermelhos", de a. varaldo; "o pacífico", de somerset maugham; "a quadrilha do deserto", de karl may.

n. 15, dezembro de 1937: "o telegrama", de oscar wilde; "o capitão kaiman", de karl may; "os passos misteriosos", de g. k. chesterton; "o homem edênico", de emil ludwig; "nicolau, o filósofo", de alexandre dumas; "o dia de mr. peacock", de katherine mansfield; "o tio saudade", de edgar wallace; "a história da irmã agata", de aldous huxley.

n. 17, fevereiro de 1938: "o diabo no colégio", de sintair steeman; "túneis verdes", de aldous huxley"; "o médico e o monstro", de robert louis stevenson.

n. 19, abril de 1938: "um cowboy em nova york", de macleod raine; "eu os vi morrer", de shirley millard; "a capa" de nikolai gogol; "história de anandi, a vaishnavi", de rabindranath tagore; "koro e mana", de konrad barcovici.

n. 22, julho de 1938: "o homem que sonhava demais" de quenton reynolds; "a aventura de tse-la", de villiers de l'isle-adam; "o navio fantasma", do cap. fred marryat; "o máscara de ferro", de henry robert; "o crime do canhoto", de roy paterson; "amy foster", de joseph conrad; " dois magos da medicina - semmelweis e banting", de paulo de kruif; "uma novela de amor", de riunosuke akutagaua; "mil anos", de boris pilniak. (no caso deste número, a tradução é de mário quintana.)

n. 23, ver conteúdo no texto citado mais acima.

n. 26, novembro de 1938: "o colar roubado", de roy paterson; "a espantosa aventura", de john buchan; "nada", de leonide andreiev.

essa mescla de textos mais populares e literatura de maior qualidade era uma estratégia deliberada, como disse acima. entre obras mais duradouras, certamente vittoria de stendhal, o médico e o monstro de stevenson, amy forster de conrad, o dia de mr. peacock de mansfield e outras tiveram seu primeiro ingresso entre nós por meio dessa revista da globo.

não sei quando se encerrou a publicação d'a novela.

fontes: traça (aqui), consultas no google.

atualização em 28/01/2013: graças à incrível gentileza de braulio tavares, eis os conteúdos de mais quatro números d'a novela, com capinha e tudo!


Fevereiro 1937, # 5
Ilustração de capa para O tigre de Caiena
ROMANCE: O tigre de Caiena (A E W Mason), trad. ???
O sorriso da Gioconda (Aldous Huxley), trad. Erico Veríssimo
Um crime no Expresso de Stambul (Sir Ronald MacMunn), (continuação), trad. ???
A entrevista (Guy de Maupassant), trad. ???
Grafologia (Zsolt Harsanyi), trad. ???

 

Abril 1937, # 7
Ilustração de capa para O chinês misterioso
ROMANCE: O chinês misterioso ( J S Fletcher), trad. Pepita de Leão
O romance de Laura (Francis Jammes), trad. Eduardo Guimarães
Os evadidos (John Russell), trad. ???
O amigo ideal (um ato e dois tempos) (E. Della Pura), trad. ???
Seis pence (Katherine Mansfield), trad. ???
O prisioneiro de si mesmo (Giovani Papini), trad. ???
Soeur Philomène (Axel Munthe), trad. ???
Adeus Noturno (Camillo Maudair), trad. ???




Outubro 1937, # 13
Ilustração de capa para O filho do forçado
ROMANCE: O filho do forçado (Alexandre Dumas), trad. Juvenal Jacinto
Honolulu (Somerset Maugham), trad. Leonel Vallandro
Falk (Joseph Conrad), trad. Queiroz Lima



Janeiro 1938, # 16
Ilustração de capa para Aconteceu em Hamburgo
ROMANCE: Aconteceu em Hamburgo (Annemarie Lande), trad. Alcides Rössler
A boneca japonesa (Claude Farrere), trad. ???
O egoísta (Alexandre Dumas), trad. ???
A mulher velada (Edgar Wallace), trad. Pepita de Leão
Amanhã (Joseph Conrad), trad. Queiroz Lima
Visão de Carlos IX (Prosper Mérimée), trad. Celestino Leal
O melhor amor (Villiers de l’Isle Adam), trad. Jarbas Chaves
Astrid (Selma Lagerlof), trad. Pepita de Leão
O drama da virtude (René Fülöp-Miller), trad. Mário Quintana e René Ledoux (trecho do livro “Os Grandes Sonhos da Humanidade”, Ed. Livraria do Globo)


atualização em 24//12/15:
graças à supergentileza de angelo giardini, do site/blog marginália, mais notícias:



Junho 1937, # 9
Ilustração de capa para A aventura de Doris Hart
A Aventura de Doris Hart – Vicky Baum (tradução de Gilberto Miranda*);
Markheim – R.L. Stevenson;
O Caolho – Karl May (em continuação);
De Murzuk a Kairwan – Karl May;
4 Cães Fizeram Justiça – Giovani Papini;
Sempre Bela – Jacques Constant

* sobre as traduções em nome de "gilberto miranda", ver "o caso dos 'nomes de conveniência'", aqui.

o fabuloso neste número 9 de A Novela é que Um crime no Expresso de Stambul (Sir Ronald MacMunn), que fora publicado em partes em números anteriores (vide o número 5, acima, por exemplo) é na verdade Um crime No Expresso do Oriente, de Agatha Christie. angelo giardini expõe o caso em "um pseudônimo brasileiro para agatha christie", aqui, de onde extraí também a imagem abaixo, escaneada da página em questão.


atualização em 16/6/2016: veja aqui as imagens de capa de todos os números da revista, gentilmente fornecidas por angelo giardini.


as traduções da seleções reader's digest




um artigo bem legal de lúcio flávio pinto no observatório da imprensa, 
comentando um pouco sobre as traduções da seleções nos anos 50: aqui.








kafka, o primeiro primeiríssimo?

retomo a pesquisa sobre kafka traduzido no brasil, que pode ser vista aqui, para incluir alguns dados sensacionais. tinha-se até agora a ideia dominante de que o primeiro kafka a sair entre nós teria sido a metamorfose, em tradução de brenno silveira, lançada em 1956 pela civilização brasileira numa edição de luxo e tiragem restrita.

pois, graças à tese de miguel sanches neto, aqui, descubro que em março de 1947, no nono número da célebre e efêmera revista curitibana joaquim, fundada por dalton trevisan e erasmo piloto, saíram as que agora creio serem as primeiríssimas traduções de kafka no brasil: um episódio de américa vertido por waltensir dutra,* e "um cruzamento", "o vizinho" e "parábolas", que não entendi bem se foram vertidos por waltensir ou por temístocles linhares.

no número 10 da joaquim, em maio de 1947, temos "o advogado novato" e "a aldeia mais próxima", em tradução de temístocles linhares.


no número 14, em outubro de 1947, temos "o só em kafka", trechos de seu diário traduzidos por georges wilhelm.


no número 18, em maio de 1948, temos uma tradução de wilson martins do episódio inicial d'"o processo", a partir da adaptação teatral feita por andré gide e jean-louis barrault.

* sobre waltensir dutra (1926-1994), há muito o que se dizer, o que farei em outra oportunidade. por ora, fica aqui registrada essa preciosidade, sua contribuição introduzindo kafka no brasil.





atualização: vale a pena lembrar que, em 2000, a secretaria de cultura do paraná lançou uma edição facsimilar dos 21 números da joaquim.


atualização em 7/9/13: localizei algumas traduções anteriores, em 1946. 
acompanhe a pesquisa sobre kafka no brasil aqui.

26 de jan de 2013

entrevista

uma entrevista minha ao ibahia, blog de literatura, aqui. agradeço a leonardo pastor.

O que a levou a tornar-se tradutora?
Traduzo para editoras desde 1984. Meu início na atividade foi meio circunstancial: sou historiadora de formação, dava aulas na Unicamp, a Brasiliense estava precisando de alguém para traduzir um livro de Perry Anderson, indicaram meu nome, fiz o teste solicitado pela editora, deu certo: isso foi em 1984. Passei a traduzir com frequência na área de história, filosofia e ciências humanas, até 1995. Depois de interromper a atividade por dez anos, em 2005 voltei a traduzir, agora tendo a tradução como atividade profissional exclusiva.

Quais os desafios da tradução?
Ah, inúmeros. Faz milênios que se discutem os problemas, possibilidades e limites da tradução. Pois como fazer uma transposição de significantes e significados, como se dizia antigamente, de uma língua para outra, de um lugar para outro, de um tempo para outro, sendo você mesmo um indivíduo historicamente situado diante de um texto historicamente situado de maneira diversa? E esta é a beleza, a grandeza da coisa, pois afinal, a despeito de tudo, traduz-se. Como diz Boris Schnaiderman, é um “ato desmedido”.
Tradutor é também autor? Por quê?
Não entro muito em questões metafísicas sobre a natureza autoral do traduzir. Tradutor é autor porque assim o determina a legislação. (Refiro-me a obras autorais, claro. A legislação também prevê vários tipos de textos que não são de natureza autoral, como decretos, contratos, regulamentos, manuais de procedimentos etc.)
Entendendo que o tradutor também é um autor, quais (ou qual) de suas obras de tradução foram mais desafiadoras?
Toda tradução apresenta algum grau, maior ou menor, de complexidade. Algumas obras que me pareceram especialmente interessantes não só pelo tipo de composição estrutural e/ou argumentativa, mas também pelas peculiaridades de estilo, foram Piero della Francesca de Roberto Longhi, Sobre a república de Hannah Arendt, Walden de Henry D. Thoreau e Ao farol de Virginia Woolf.
Qual o caso de plágio mais absurdo que você já percebeu? E como que os tradutores podem reivindicar um maior reconhecimento?
O mais cômico, realmente absurdo, foi a Ilíada de Homero, na inconfundibilíssima tradução de Manuel Odorico Mendes (1864), que a editora Martin Claret publicou em 2003, atribuindo-a a “Alex Marins”. Nada iguala tal bufonaria.
Quanto a um maior reconhecimento, achei muito interessante um protesto que vi outro dia no Facebook: a leitora havia recebido um e-mail de uma editora, divulgando o lançamento de uma obra sem mencionar o tradutor. Disse ela: “Mas sequer nos é informado o nome do tradutor!! Como leitora, sinto-me tratada pela editora como uma inepta, capaz de ceder a apelos de novidade, sem indagar minimamente sobre a qualidade do que é oferecido”.
Acho que é um pouco por aí: é mais do que hora que todas as editoras entendam que a tradução é elemento determinante para a qualidade de suas publicações – coisa que os leitores já sabem muito bem.
Como o leitor pode diferenciar uma boa de uma má tradução?
Difícil dizer. Existem traduções bem escritas, porém com equívocos de entendimento do texto original, assim como há traduções que mostram um decalque visível das estruturas sintáticas de origem, mas que em termos de aproximação semântica do original são bastante satisfatórias. Já vi leitores dizendo que a tradução tal ou tal era “péssima”, sendo que na verdade era uma excelente tradução – só que antiga, trazendo as marcas de sua época. Então, essa avaliação depende também das expectativas e características culturais dos vários públicos leitores.
O importante a frisar é que há sempre uma multiplicidade enorme de soluções possíveis e aceitáveis.
Quais as qualificações necessárias para se tornar um tradutor?
Gosto pela leitura, domínio do português bem sedimentado, domínio de outra(s) língua(s), uma bagagem razoável de cultura geral, facilidade de raciocínio lógico e analítico, capacidade de concentração, persistência e paciência.
Quais suas expectativas e esperanças em relação à tradução no Brasil?
Que continue a se ampliar o universo de obras traduzidas, de preferência com obras de relevância cultural minimamente duradoura. O Brasil continua a ser um país muito carente em traduções de textos importantes do chamado cânone ocidental, quem dirá de outras latitudes.


21 de jan de 2013

as traduções de erico veríssimo, II

paula arbex, cuja tese citei aqui, muito gentilmente envia seu levantamento das traduções de erico veríssimo. assim, complementando a listagem apresentada em as traduções de erico veríssimo, I, temos mais estas:

em ficção:

  • edgar wallace, o homem sinistro, globo, 1931


em não ficção:

  • h. r. knickerbocker, alemanha: fascista ou soviética?, globo, 1932
  • walter pitkin, a vida começa aos quarenta, globo, 1936
  • oswald spengler, o homem e a técnica, meridiano, 1941
  • h. van loon, navios - e de como eles singraram os sete mares, globo, 1936
  • anton zischka, a aguerra secreta pelo algodão, globo, 1936



agradeço mais uma vez a paula arbex pela gentileza em enviar esses títulos.




 atualização: em 1969, a cultrix lança a lei do chefão, de edgar wallace, também em tradução de veríssimo. na verdade, corresponde a a morte mora em chicago, título com que sua tradução fora lançada em 1934.



19 de jan de 2013

falsa informação nas instruções da agência brasileira do isbn

perante um crasso erro constante no manual de instruções de preenchimento do formulário de solicitação de isbn, aqui, enviei a seguinte mensagem à agência brasileira do isbn. transcrevo:
boa tarde: lamento dizer, mas há um erro nas instruções de preenchimento da solicitação do isbn. vocês afirmam:  
"23  TRADUTOR (se houver)
Preencher com o nome completo da pessoa que traduziu o texto da obra e sua
nacionalidade. Tradutor não é autor." 
tradutor é autor, sim, segundo a lei 9610/98. assim como há o autor da obra primígena, há o autor da obra derivada (tradução). 
agradeço se puderem providenciar a devida correção. 
atenciosamente,
denise bottmann

o destaque em negrito na falsa informação consta no próprio manual.

bibliografia russa no brasil 1887-1936 (bruno gomide)

abaixo transcrevo segue o utilíssimo levantamento de bruno gomide sobre a literatura russa no brasil, extraído de sua tese de doutorado (2004), disponível aqui.

1 – EDIÇÕES E TRADUÇÕES BRASILEIRAS DE LITERATURA RUSSA (1887-1936): LIVROS E PERIÓDICOS 
ANDRÉIEV, Leonid. “O gigante”. Primeira: a revista por excelência, n. 11. Rio de Janeiro, 25 dez. 1927.
_____. “Juventude”. Primeira: a revista por excelência, n. 40. Rio de Janeiro, 10 mar. 1929.
_____. “Loucura?”. Leitura para todos, 2a fase, n. 86. Rio de Janeiro, set. 1926.
_____. “O muro”. Primeira: a revista por excelência, n. 5. Rio de Janeiro, 25 set. 1927.
_____. “O riso”. Paratodos, n. 10. Rio de Janeiro, 22 fev. 1919.
_____. “O riso”. Primeira: a revista por excelência, n. 36. Rio de Janeiro, 10 jan. 1929.
AVERCHENKO, Arkadi. “As aventuras da Milowsorow”. Primeira: a revista por excelência, n. 18. Rio de Janeiro, 10 abr. 1928.
_____. “A casa de feras de Constantinopla”. Primeira: a revista por excelência, n. 10. Rio de Janeiro, 10 dez. 1927.
_____. “Uma comédia russa – o homem do gorro verde”. Revista do Globo, ano V, n. 10. Porto Alegre, 31 maio 1933.
_____. “Maupassant”. Primeira: a revista por excelência, n. 42. Rio de Janeiro, 10 abr. 1929.
_____. “O menino travesso”. Primeira: a revista por excelência, n. 30. Rio de Janeiro, 10 out. 1928.
_____. “A mentira”. Primeira: a revista por excelência, n. 39. Rio de Janeiro, 25 fev. 1929.
_____. “As seis amigas de Korablew”. Primeira: a revista por excelência, n. 35. Rio de Janeiro, 25 dez. 1928.
_____. “Sorte de poeta”. Vamos ler!, n. 365. Rio de Janeiro, 29 jul. 1943.
_____. “A sorte fatal”. Revista do Globo, ano VI, n. 18. Porto Alegre, 20 set. 1934.
_____. “A vaca”. Primeira: a revista por excelência, n. 12. Rio de Janeiro, 10 jan. 1928.
BIERDIÁIEV, Nikolai. Uma nova Idade Média. Trad. Tasso da Silveira. Rio de Janeiro, José Olympio, 1936.
DOSTOIÉVSKI, Fiódor M. Alma de criança. Trad. Henrique Marques Junior (coleção chic). Rio de Janeiro, 1915.
_____. Alma de Criança. Rio de Janeiro, Universal, 1932.
_____. “A árvore de Natal”. Diário Popular, n. 4420. São Paulo, 24 dez. 1897.
_____. “Um club da má língua” (folhetim). A vanguarda, n. 1. Rio de Janeiro, 11 maio 1911.
_____. Crime e Castigo. Publicado em folhetim em A manhã. Rio de Janeiro, 1926.
_____. Crime e Castigo. Trad. Ivan Petrovich. Rio de Janeiro, Americana, 1930.
_____. Crime e Castigo. Trad. revista por Elias Davidovitch. Rio de Janeiro, Guanabara, 1936.
_____. Crime e Castigo. Trad. J. Jobinsky, revista por Aurélio Pinheiro. Rio de Janeiro, Pongetti, 1936.
_____. Ensaio sobre o burguês. Trad. Elias Davidovitch. Rio de Janeiro, Pongetti, s/d.
_____. O eterno marido. Trad. Violeta Alcântara Carreira. São Paulo, Cultura Brasileira, 1935.
_____. Humilhados e ofendidos. Ed. revista por Bandeira Duarte. Rio de Janeiro, Marisa, 1931.
_____. Humilhados e ofendidos. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1935.
_____. “Idéias russas”. Os anais, n. 41. Rio de Janeiro, 27 jul. 1905.
_____. Os irmãos Karamazov. Trad. Raul Rizinsky. Rio de Janeiro, Americana, 1931.
_____. O jogador. Versão portuguesa de Alcides Cruz. Porto Alegre, Americana, s/d [anterior a 1900].
_____. Um jogador (das notas de um rapaz). São Paulo, Cultura, 1931.
_____. Os pobres diabos. Trad. Elias Davidovich. Rio de Janeiro, Flores e Mano, 1932.
_____. O príncipe idiota. Trad. Demerval Café e Oswaldo Castro. Rio de Janeiro, Waissman, Reis & Cia., 1931.
_____. Recordações da casa dos mortos. Trad. Fernão Neves. Rio de Janeiro, Castilho, s/d.
EHRENBURG, Ilya. “A alegre Inglaterra”. Pan: semanário de leitura mundial, n.53. Rio de Janeiro, 24 dez. 1936.
FADEIEV, A. “No longínquo oriente”. Revista acadêmica, n. 14. Rio de Janeiro, out. 1935.
GOGOL, Nikolai. “As almas mortas”. A evolução, n. 4. Fortaleza, 9 ago. 1888.
_____. “As almas mortas (cont.)”. A evolução, n. 5. Fortaleza, ago. 1888.
_____. “As almas mortas (cont.)”. A evolução, n. 6. Fortaleza, ago. 1888.
_____. “As almas mortas (cont.)”. A evolução, n. 7. Fortaleza, ago. 1888.
_____. “A noite na Ucrânia”. Seleta, ano II, n. 10. Rio de Janeiro, 8 mar. 1916.
GÓRKI, Maksim. “Os amassadores” (folhetim). Rio de Janeiro, n. 1. Rio de Janeiro, 20 out. 1910.
_____. “O amor materno”. Primeira: a revista por excelência, n. 25. Rio de Janeiro, 25 jul. 1928.
_____. “O avô Arkhip e Lenka”. Primeira: a revista por excelência, n. 16. Rio de Janeiro, 10 mar. 1928.
_____. “A canção das procelárias”. Almanaque do Globo. Porto Alegre, 1917.
_____. “O canto do falcão”. Primeira: a revista por excelência, n. 11. Rio de Janeiro, 25 dez. 1927.
_____. “O coração de Danko”. Kosmos, ano II, n. 8. Rio de Janeiro, ago. 1905.
_____. “O coração resplendente”. Seleta, ano II, n. 15. Rio de Janeiro, 13 abr. 1916.
_____. “Dostoievsky”. Revista acadêmica, n. 12. Rio de Janeiro, jul. 1935.
_____. “Era um encanto de boneca”. Primeira: a revista por excelência, n. 22. Rio de Janeiro, 10 jun. 1928.
_____. “Os homens fortes”. Almanaque do Globo. Porto Alegre, 1917.
_____. “O Khan e seu filho”. Primeira: a revista por excelência, n. 4. Rio de Janeiro, 10 set. 1927.
_____. “Kirilka”. Revista acadêmica, n. 20. Rio de Janeiro, jul. 1936.
_____. “A mãe do traidor”. Primeira: a revista por excelência, n. 20. Rio de Janeiro, 10 maio 1928.
_____. “Makar Tchudra”. Primeira: a revista por excelência, n. 13. Rio de Janeiro, 25 jan. 1928.
_____. “Uma que já não vive”. Careta, n. 478. Rio de Janeiro, 18 ago. 1917.
_____. “O sonho de uma noite de Natal”. A novidade, n. 21, set. 1935.
_____. “Técnica de um escritor”. Revista do Globo, ano VI, n. 14. Porto Alegre, 25 jul. 1934.
_____. “A vida”. Rua do Ouvidor, n. 501. Rio de Janeiro, 7 dez. 1907.
MEREJKÓVSKI, Dmitri. A morte dos deuses. Trad. J. Ferreira e S. Ferreira. Rio de Janeiro, Garnier, 1902. [subtítulo: Juliano, o apóstata - db]
_____. “A morte dos deuses” (folhetim). O livre pensador, n, 101. São Paulo, 24 set. 1905.
PÚCHKIN, Aleksandr. Águia negra. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1935.
TCHEKHOV, Anton. “O álbum”. A maçã, n. 92. Rio de Janeiro, 10 nov. 1923.
_____. “Alma querida”. A nação ilustrada, n. 28. Rio de Janeiro, 8 jul. 1934.
_____. “Os ataúdes”. Revista popular brasileira, n. 2. Rio de Janeiro, dez. 1923.
_____. “A conferência”. Revista do Globo, ano V, n. 6. Porto Alegre, 5 abr. 1933.
_____. “A família camponesa”. Primeira: a revista por excelência, n. 12. Rio de Janeiro, 10 jan. 1928.
_____. “A língua comprida”. A maçã, n. 179. Rio de Janeiro, 11 jul. 1925.
_____. “A mágoa de Gregório Petrov”. Trad. El Gar. Revista do Globo, ano V, n. 4. Porto Alegre, 8 mar. 1933.
_____. “A máscara”. Primeira: a revista por excelência, n. 39. Rio de Janeiro, 25 fev. 1929.
_____. “Olhos de sono”. Leitura para todos, ano III, n. 11. Rio de Janeiro, jan. 1907.
_____. “A vingança gorada”. Primeira: a revista por excelência, n. 26. Rio de Janeiro, 10 ago. 1928.
TIELIECHÓV, Nikolai D. “A miséria”. Careta, n. 485. Rio de Janeiro, 6 out. 1917.
TOLSTÓI, Alexis. “Dramaturgia”. Revista acadêmica, n. 15. Rio de Janeiro, nov. 1935.
TOLSTÓI, Lev. Ana Karenina. São Paulo, Companhia. Editora Nacional, 1930.
_____. Citação. O amigo do povo, ano II, n. 25. São Paulo, 1o maio 1903.
_____. Citação e anúncio de lançamento. Kultur, [ano I, n. 3. Rio de Janeiro, 1904].
_____. Os cossacos. Trad. Sérgio Azevedo. Rio de Janeiro, Marisa, 1931.
_____. O diabo branco. Trad. Antônio Sérgio. Rio de Janeiro, Civilização Nacional, 1934.
_____. “O grão de trigo”. Leitura para todos, 2a fase, n. 9. Rio de Janeiro, abr. 1920.
_____. “A guerra russo-japonesa”. O amigo do povo, ano III, n. 59. São Paulo, 6 ago. 1904.
_____. “O homem dos olhos claros”. Careta, n. 479. Rio de Janeiro, 25 ago. 1917.
_____. “Um jogador”. Leitura para todos, ano IV, n. 40. Rio de Janeiro, jun. 1909.
_____. “Um juiz modelo”. Diário Popular. São Paulo, 5 nov. 1897.
_____. Khadji-Murat. São Paulo, Edição Cultura (Biblioteca de autores russos), 1931.
_____. “O lobo e o moujik”. Rua do Ouvidor, n. 55. Rio de Janeiro, 27 maio. 1899.
_____. “Meu testamento”. Leitura para todos, 2a fase, n. 4. Rio de Janeiro, nov. 1919.
_____. “A origem do mal”. Rua do Ouvidor, n. 187. Rio de Janeiro, 7 dez. 1901.
_____. A palavra de Jesus. Rio de Janeiro, M. Antunes, 1931.
_____. “O pecado e o castigo”. Rua do Ouvidor, n. 88. Rio de Janeiro, 13 jan. 1900.
_____. “O pecador arrependido”. Rua do Ouvidor, n. 234. Rio de Janeiro, 1o nov. 1902.
_____. Ressurreição. Trad. Carlos Cintra. Rio de Janeiro, Americana, 1931.
_____. Ressurreição. Rio de Janeiro, Guanabara, 1935.
_____. Ressurreição. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1936.
_____. “A sonata de Kreutzer”. Diário de notícias. Rio de Janeiro, 15 dez. 1890.
_____. A sonata de Kreutzer. Trad. Visconti Coaracy. Rio de Janeiro, Garnier, s/d [anterior a 1896].
_____. A sonata de Kreutzer. Rio de Janeiro, Empresa Romântica Editora, 1909.
_____. A tortura da carne. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, s/d.
TURGUÊNIEV, Ivan. “A promessa cumprida”. Primeira: a revista por excelência, n. 8. Rio de Janeiro, 10 nov. 1927.
_____. “Os dois irmãos”. Rua do Ouvidor, n. 35, 7 jan. 1899.
ZÓSCHENKO, Mikhail. No paraíso bolchevista (quadros da vida russa). Tradução e notas de Roman Poznanski. Rio de Janeiro, Livr. H. Antunes, 1929.
_____. “Um pequeno erro”. Revista do Globo, ano V, n. 17. Porto Alegre, 6 set. 1933.

um levantamento meticuloso desses, com pesquisa exaustiva em inúmeras fontes e acervos, merece receber contribuições de todos os que puderem acrescentar algum dado eventualmente faltante. as minhas, para este período, são: 
  • andreieff, judas iscariotes, trad. georges selzoff e allyrio m. wanderley, ed. cultura (bibliotheca de auctores russos), 1931 
  • andreieff, os sete enforcados, trad. georges selzoff e orígenes lessa, ed. cultura (bibliotheca de auctores russos), 1931 
  • averchenko, "o homem da gravata verde", in a novela, revista literária da livraria do globo, out. 1936
  • berzin, 100% de amor, especulação e volupia (amor e especulação no paiz dos soviets), trad. zoran ninitch, marisa, c.1934
  • bunin, senhor de são francisco, trad. zoran ninitch, mundial, c.1934
  • bunin, o amor de mitia, trad. zoran ninitch, guanabara, 1933
  • bunin, a noite, trad. zoran ninitch, calvino filho, 1934
  • bunin, senhor de são francisco, volume duplo com stefan zweig, a mulher e a paisagem, trad. zoran ninitch, ed. mundial, 1934
  • dostoiewsky, alma de creança, ed. civilização brasileira, 1936
  • dostoiewsky, o tyrano, trad. elias davidovitch, ed. calvino filho, 1933
  • ehrenbourg, as aventuras de julio jurenito, trad. mauro rosalvo, ed. civilização brasileira, 1932
  • fadeiev, a derrota, trad. helio de andrade (pseudônimo de leôncio basbaum), ed. urania, 1931
  • fibitch, os libertos, trad. zoran ninitch, edições unitas, 1934
  • gladkov, cimento, edições unitas, 1933
  • goomilevski, o amor em liberdade, trad. revista por galeão coutinho, cultura brasileira, 1934
  • gorki, a mãe, livraria marisa, 1931
  • gorki, a mãe, trad. rev. renato travassos, ed. americana, 1931
  • gorki, a mãe, ed. calvino, 1932
  • gorki, a mãe, ed. civilização brasileira, 1935
  • gorki, a minha infância, ed. minha livraria, c. 1934
  • gorki, em guarda! aspectos da rússia soviética, ed. adersen, 1934 (embora não seja literatura, vale a pena o registro, creio eu)
  • górki, konovaloff, não consta, ed. cultura (bibliotheca de auctores russos), 1931 
  • górki, lenine, collecção minha livraria, c. 1934 (embora não seja literatura, etc.)
  • gorki, o espião, trad. revista por bandeira duarte, ed. marisa m. sobrinho & cia., 1931
  • gorki, o espião, ed. civilização brasileira, 1934
  • gorki, os degenerados, editorial paulista, 1934
  • gorki, os degenerados, ed. civilização brasileira, 1936
  • gorki, os vagabundos, ed. civilização brasileira, 1936
  • gorki, psychologia do povo russo, trad. elias davidovitch, ed. minha livraria, 1936 (embora etc. idem)
  • gorki, uma confissão, ed. calvino, 1932
  • kuprin, "a defesa do acusado", in a novela, revista literária da livraria do globo, out. 1936
  • kuprin, yama (o bordel), trad. elias davidovitch, ed. guanabara, 1935
  • merejkovski, jesus desconhecido, trad. gustavo barroso, cia. editora nacional, 1935
  • merejkowski, tutankhamon em creta - o nascimento dos deuses, trad. "e.d.a.", calvino filho, 1934
  • merejkovski, napoleão - o homem e sua vida, trad. agripino grieco, cia. editora nacional, 1934 (embora não seja literatura, etc.)
  • puchkine, a filha do capitão, trad. paulo correa lopes, liv. globo, 1933 (há um registro de 1922, mas não sei se é confiável)
  • tchecoff, o pavilhão n. 6, ed. cultura (biblioteca de auctores russos), 1931 
  • tchecoff, os inimigos, contendo também "delírio (gussieff)", "algazarra em família", "no carro (o caminho do mestre-escola)", "verotchka", "estudante (conto do jardineiro chefe)", "zinotchka" e "uma noite atroz", trad. georges selzoff e f. olandim, ed. cultura (bibliotheca de auctores russos), 1931 
  • tolstoi, a sonata de kreutzer, ed. teixeira, 1913
  • tolstoi, alexei, o soviet em marte
  • tolstoi, leon, amo e creado, trad. "a. f.", livr. joão do rio, 1926
  • tolstoi, o que eu penso da guerra, ed. h. antunes, 1931
  • tolstoi, os cosacos, sociedade impressora paulista, 1932
  • tolstoi, padre sergio, trad. georges selzoff e allyrio m. wanderley, ed. cultura (bibliotheca de auctores russos), 1931 
  • tolstoi e bondareff, o trabalho, trad. joão cabral, livr. marisa, 1934
  • turgenev, ássia,  ed. unitas, c.1934 
  • turgenev, pais e filhos, trad. ivan emilianovich, ed. cultura brasileira, 1935 
  • turgenev, um bulgaro, ed. universal, 1933
  • turguenieff, águas da primavera, trad. georges selzoff e brito broca, ed. cultura (biblioteca de auctores russos), 1932
  • turguenieff, ninho de fidalgos, trad. elsie lessa, ed. cultura (biblioteca de auctores russos), 1932
  • turgueniev, roudine, trad. elias davidovitch, collecção benjamin costallat, flores & mano, 1932
  • vieressaief, beco sem sahida (novella russa), trad. alexandre wainstein e galeão coutinho, editorial pax, 1931

as capinhas da "bibliotheca de auctores russos" estão aqui; eis algumas outras que localizei:



















as sete imagens de baixo para cima pertencem ao álbum buchen, do historiador dainis karepovs, 
disponível em sua página no facebook, de onde também extraí os dados de edição; 
as demais foram extraídas do google images, em sites variados.

18 de jan de 2013

georges selzoff III



bruno gomide, em seu monumental estudo sobre a literatura russa no brasil, da estepe à caatinga: o romance russo no brasil (1887-1936), comenta rapidamente a iniciativa de selzoff com sua biblioteca de autores russos e reproduz um informe do periódico o bibliógrafo, de agosto de 1931:
"Os nossos leitores já devem ter conhecimento da grande obra que está realizando o sr. Georges Selzoff, editor da Biblioteca dos Autores Russos, no sentido de alargar o intercâmbio intelectual russo-brasileiro. Assim, este editor já traduziu, de acordo com os respectivos originais, para o português, as obras mais notáveis da literatura russa, sobretudo as de Maximos Georki (sic), Anton, (sic) Tchecoft (sic), Dostoievski, Gogol. 
"O editor da Biblioteca de Autores Russos pretende ainda editar as obras de todos os grandes escritores russos antigos e modernos, tendo em vista a grande saída que as suas edições têm conseguido, devido ao cuidado com que são feitas as respectivas traduções e ao esmero que o sr. Selzoff põe em todos os trabalhos que a sua casa editora tem publicado. Com isso vem prestando a Biblioteca de Autores Russos um grande serviço à cultura de nosso país, intensificando a propaganda de obras tão interessantes." (p. 410)
comenta gomide que o bibliógrafo também publicou um artigo chamado "edições a sair" (agosto de 1931) e uma "bibliografia" da casa (setembro de 1931):
Os inimigos, de Tchékhov, já na 2a edição; Judas Iscariotes, de Andrêiev; Águas da primavera, Pais e filhos e Ninho de gentilhomens de Turguêniev; Tarass bulb (sic), de Gógol; Konovaloff, de Górki; O grande inquisidor e Um jogador, de Dostoiévski; finalmente, Padre Sérgio, “ilustrado por M. Barychnicoff”, e Kadji Murat (p. 410)
sabemos que o projeto de selzoff infelizmente não vingou: tarass bulba, o grande inquisidor, pais e filhos e outras obras programadas nunca vieram à luz em sua editora. de todo modo, chamou-me a atenção a referência ao ninho de gentilhomens (que afinal saiu como ninho de fidalgos), com uma reverberação tão clara do francês gentilshommes. será lançado em 1932, a penúltima obra antes do encerramento das atividades da editora, com tradução que suponho ser de elsie lessa, na flor de seus vinte anos, recém-casada com orígenes lessa.

ver também georges selzoff I, aqui, e georges selzoff II, aqui.

imagem do logotipo gentilmente enviada por gutemberg medeiros.