24 de fev de 2014

dumas, algumas obras

comentei no post anterior o levantamento de  rosângela maria oliveira guimarães: 
traduções/adaptações dos romances-folhetins de alexandre dumas no brasil com destaque às publicações da saraiva e do clube do livro. disponível aqui, gentil indicação de sérgio tadeu santos.

ainda que a pesquisadora alerte algumas vezes que seu levantamento é incompleto, isso não retira o grande mérito da iniciativa. reproduzo abaixo as publicações brasileiras lançadas pela saraiva e pelo clube do livro, que a autora listou em caráter parcial às pp. 233-235 de seu estudo.






no caso do clube do livro, bem sabemos o que são as ditas "traduções especiais" assinadas por josé maria machado. quanto à tradução (também "especial") de emílio romeo e nelly cordes, não cheguei a ver e, pelo mais simples princípio da boa fé, tomo-as por legítimas, por "especiais" que avisem ser.

no caso da saraiva, surpreende a duplicidade de traduções de alguns títulos, como o salteador (augusto de sousa e posteriormente ondina ferreira) ou ângelo pitou (octávio de mendes cajado e posteriormente augusto de sousa). seria interessante comparar os diferentes estilos tradutórios de cada um.


17 de fev de 2014

alexandre dumas no brasil

uma tese de doutorado muito interessante, de rosângela maria oliveira guimarães: traduções/adaptações dos romances-folhetins de alexandre dumas no brasil (puc-sp, 2008), com destaque às publicações da saraiva e do clube do livro. disponível aqui. agradeço a sérgio tadeu santos pela preciosa referência.


15 de fev de 2014

uma metamorfose escalafobética


uma das coisas mais alopradas que vi nesses pdfs de clássicos traduzidos disponíveis na rede foi metamorfose de kafka (devo a dica à jornalista raquel cozer).

você vai lá, todo bonitinho o volume; folheia e tá lá: tradução de torrieri guimarães, edição nova fronteira.

esta é a primeira surpresa, até porque andei fazendo um meticuloso levantamento sobre as traduções e edições das traduções de kafka feitas por torrieri guimarães e jamais soube que a nova fronteira tivesse publicado a metamorfose torrieriana. ok, tudo bem, pode ser falha minha.

prossigo folheando e vejo a página de créditos e a ficha catalográfica. ok, o esquema de diagramação, os dados, o tipo de ficha CIP feita pelo SNEL, tem aquele visual padronizado que parece ok. aí meu olho bate em "Copyright 2013 by Franz Kafka" - hãã? - e principalmente no ISBN: 974-89-5768-675-8 - duplo, triplo hãã?

974 não existe (quando houve a conversão do ISBN para treze dígitos, adotou-se o prefixo 978, não 974). 89 é a coreia! (brasil é 85). o cadastro editorial da nova fronteira no ISBN é 209, não 5768. ou seja, ISBN mais frio e escalafobético do que esse, impossível.

ok, sigo e vejo que a edição traz um prefácio de helena topa, estudiosa portuguesa, que saiu acompanhando a tradução lusitana d'a metamorfose feita por gabriela fragoso, lançada pelo editorial presença em 2010. estranho um pouco a opção da nova fronteira, perguntando-me por que ela iria querer licenciar o direito de uso desse prefácio.

sigo em frente e chego à tradução de torrieri guimarães (que conheço até meio de cor e salteado, feita a partir da tradução em espanhol, anônima, mas publicada como se fosse de jorge luis borges, pela losada argentina, como expus em alguns posts aqui).

"não, não!", exclamo eu. "de jeito nenhum esta é a tradução do torrieri!"

bom, vou atrás e descubro que é a tradução, também portuguesa, feita por j.a. teixeira aguilar, que saiu pela europa-américa em 1975.

fico perplexa. pra que tanto trabalho para uma fraude tão descabelada? a cui bono?

essa patifaria ridícula está em http://issuu.com/amandaareias/docs/metamorfose_issuu, aqui.







abaixo, a tradução de j.a. teixeira aguilar:






12 de fev de 2014

artigo na revista continente

apenas nestes dias vi que a revista continente publicou em julho de 2013 um artigo meu, chamado "a tradução como traço da memória cultural", com uma bonita ilustração de walter vasconcelos. agradeço ao pessoal da continente pela divulgação. o texto está disponível aqui.



Linguagem

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A tradução como traço da memória cultural

Seg, 01 de Julho de 2013 16:56

Ilustração por Walter VasconcelosIlustração por Walter Vasconcelos

Quantos de nossos mais famosos autores não traduziram obras estrangeiras para o português! Machado de Assis, por exemplo? Os trabalhadores do mar, de Victor Hugo, em circulação até hoje. Monteiro Lobato, Manuel Bandeira, Cecília Meirelles, Rachel de Queiroz? E Lúcio Cardoso, Carlos Drummond de Andrade, Erico Verissimo, Mário Quintana, Millôr Fernandes? Todos eles e muitos mais colocaram a nosso alcance, em português, as obras de Shakespeare, Proust, Rilke, Lewis Carroll, Jane Austen, Dostoiévski, André Gide, Kipling, Jack London, Aldous Huxley...

Não é um ofício fácil, a tradução. Supõe conhecimento linguístico e literário, exige paciência e dedicação, demanda tempo. Lentamente, ao longo de 100, 150 anos, nossas bibliotecas podem ir se preenchendo com as obras do cânone ocidental em português acessível a todos nós, graças ao trabalho de tradução.

Em se tratando de uma obra estrangeira, para que o livro traduzido em português chegue ao leitor, é preciso, evidentemente, que uma editora o publique. Por vicissitudes várias da história do Brasil, apenas no século 20 é que o setor editorial tem um arranque em nosso país e passa a se desenvolver com solidez. E assim como há um arranque editorial, há também no entremeio algumas iniciativas oportunistas e inescrupulosas. A mais dolorosa e mais vergonhosa delas é o roubo de traduções já feitas e publicadas em alguma outra editora, brasileira ou portuguesa.

E como isso acontece? É simples, em sua desfaçatez: pega-se uma tradução já publicada, muitas vezes até esgotada, elimina-se o nome do tradutor e da editora inicial e publica-se a tradução, seja anonimamente, seja sob outro nome, fictício ou verdadeiro. Simples, não? Não é preciso pedir licença, nem dar nenhuma satisfação moral ou material à editora inicial, às vezes extinta, nem ao tradutor, às vezes já falecido. Quanto ao leitor, o que é que tem? Estando a obra em português, o que mais ele há de querer?

Não é uma prática nova. Já em 1903, vemos a editora H. Garnier, no Rio de Janeiro, publicar o primeiro livro de contos de Edgar Allan Poe no Brasil, sem dar o nome do tradutor, mas ostentando na página de rosto os dizeres “Traducção brasileira”. Ah, sim? Pois um leitor curioso não teria a menor dificuldade em reconhecer imediatamente a tradução feita pela romancista portuguesa Mécia Mousinho de Albuquerque, em 1889! Ou nos anos 1940, quando a editora Pongetti não tinha pejo em se apropriar de traduções feitas por Elias Davidovich para a editora Guanabara e estampá-las sem qualquer licença ou autorização como “tradução revista por Marques Rebelo”.

E não eram apenas a H. Garnier ou a Pongetti a proceder assim: o Clube do Livro, desde os anos 1940 até finais dos anos 1980; a W. M. Jackson, também nos anos 1940 a 1960; a Cultrix e a Edigraf, nos anos 1950; a Hemus, nos anos 1970...

Mas é nos anos 1990 que essa prática adquire dimensões assustadoras, em quantidade de obras e em número de exemplares. Se, antes, a prática existia em alguns títulos esparsos do catálogo daquelas editoras, a partir de 1995, o Círculo do Livro e a Nova Cultural passam a encher as bancas de jornais e as vendas domiciliares com traduções espúrias de literatura e filosofia. E, a partir de 1999, a editora Martin Claret passa a publicar um número significativo de obras com fraudes de tradução. No caso das edições do Círculo do Livro e da Nova Cultural, em particular na coleção Obras-primas de 2002 e 2003, trata-se de tiragens altíssimas, cada uma delas de 70 a 120 mil exemplares em cada edição. No caso da Martin Claret, mesmo em tiragens mais modestas, tal problema afetou muitas dezenas, até centenas de traduções alheias publicadas sob nomes espúrios, em diversas reedições ao longo dos anos.

Como tais fraudes grassavam e prosperavam livremente, vemos, a partir de 2004, uma meia dúzia de outras pequenas editoras enveredar por esses descaminhos. Felizmente, a partir sobretudo de 2008, milhares de leitores, tradutores e docentes começaram a protestar por meio de manifestos e abaixo-assinados, houve denúncias ao Ministério Público, investigações e inquéritos, até que essa onda de aproveitamento espúrio de traduções antigas começou a ceder.

ALVO DAS FRAUDES
As obras mais afetadas nesse tipo de falsificação editorial costumam ser livros de saída certa e mercado garantido: na grande literatura universal, desde Homero a Shakespeare, Jane Austen e Oscar Wilde, e na história do pensamento, desde Aristóteles e Santo Agostinho a Schopenhauer, Nietzsche e Weber, tanto para o público em geral quanto para os cursos universitários de Ciências Humanas, Filosofia e Letras.

E qual o problema para o leitor? Para além da abominação ética e da má prática empresarial, muitas vezes acontece, a partir dos anos 1990, que o texto das traduções vem a ser adulterado, como maneira de procurar disfarçar a cópia.

É fato que algumas das fraudes são meras reproduções ipsis litteris da tradução legítima e, nesse sentido, o texto da tradução em si prossegue inalterado.

Em muitas das fraudes, porém, há tentativas de mascarar o uso ilícito, trocando palavras aqui e ali, adulterando o conteúdo e, em alguns casos, mesmo a coerência e inteligibilidade do texto. Há também casos de alterações ainda mais grotescas, resultando em passagens que não fazem o menor sentido, e outras ainda podem afetar conceitos centrais de um autor.

Contem-se também os casos de montagem de duas traduções diferentes, para compor uma terceira espúria, resultando numa obra de texto irregular, descontínuo e, às vezes, se não contraditório, um tanto disparatado.

Outro aspecto relevante para o leitor, quanto à identidade correta do autor da tradução, é um pouco mais sutil, mas nem por isso menos importante: mesmo para o leitor mais imediatista, faz diferença saber que tal tradução foi feita por Manuel Odorico Mendes ou por Monteiro Lobato ou por Lúcia Miguel-Pereira, sem dúvida – não só pelo valor das contribuições dessas pessoas ao nosso patrimônio cultural, mas também até para entender melhor aquele tipo de texto, aquele tipo de construção e uso da língua portuguesa, dentro de um quadro histórico muito específico e determinado. Uma tradução feita em 1870, ou em 1930, ou em 1940 carrega traços de sua época, o que ajuda o leitor a compor um quadro mais geral da cultura correspondente, em vez de supor que todas essas traduções teriam sido feitas em 2001, 2002 ou 2003.

P ara concluir, vale a ressalva: uma tradução legítima não significa necessariamente que ela seja de boa qualidade. Porém, uma tradução espúria é sempre e necessariamente uma fraude.

Como as pessoas, em geral, não gostam de ser enganadas, há maneira de se precaver contra essas práticas inescrupulosas? Não há receita certa, mas alguns conselhos podem ser úteis: ao comprar um livro, é importante que o leitor verifique quem o traduziu. É recomendável sempre recusar toda e qualquer obra traduzida que não traga o nome do tradutor. E sempre fugir de traduções em nome de fantasmas como “Enrico Corvisieri”, “Pietro Nassetti”, “Jean Melville”, “Alex Marins”, “Leopoldo Holzbach”, “Peter Klaus Ivanov”, “Pedro H. Berwick”, entre outros – são sinais certos de fraude.

Por fim, como várias dessas obras pilhadas e saqueadas são traduções antigas e esgotadas, o melhor seria que um dispositivo previsto na legislação brasileira referente aos direitos autorais realmente entrasse em vigor: que essas obras de tradução órfãs e abandonadas passassem a ser de domínio público. O acesso a elas seria livre, qualquer editora interessada poderia publicá-las sem falcatruas. Dando os devidos créditos e nomes verdadeiros, os leitores não seriam ludibriados e a memória de nossa história cultural – que tanto passa pelo trabalho de tradução – seria mais bem-preservada.


11 de fev de 2014

ainda marques rebelo e suas sapequices

devo a marcelo jacques de moraes a indicação dessa matéria publicada pelo diário da noite em 04 de agosto de 1943, disponível na hemeroteca digital de nossa biblioteca nacional. sobre outras falcatruas da pongetti e marques rebelo, ver aqui e aqui.

quanto a essa edição d' a lenda de uma quinta senhorial, já aqui eu aventara essa possibilidade, agora mais do que sobejamente demonstrada e comprovada, com a denúncia de seu legítimo tradutor, araújo ribeiro.



um dos graves problemas dessas contrafações da pongetti é que várias dessas obras transitaram posteriormente para o catálogo da tecnoprint/ediouro, e em diversos casos a tradução garfada e "revista por marques rebelo" passou a ser apresentada como "tradução DE marques rebelo"...


10 de fev de 2014

paulo vizioli sobre tradução de poesia

um excelente artigo de paulo vizioli, publicado na revista tradução & comunicação, n. 2, março de 1983, chamado "a tradução de poesia em língua inglesa: problemas e sugestões", disponível aqui. ficam os agradecimentos a sophia reinhardt vizioli, pela autorização em disponibilizar o material.



6 de fev de 2014

d'outra guisa

muito bom, na verdade imperdível, o artigo de danilo nogueira e kelli semolini sobre o manhoso otherwise
disponível aqui.

imagem: aqui