19 de nov de 2014

recomendação

muito legal, muito útil e bem feito o blog e.m. forster brasil, aqui. traz, entre outras coisas, um levantamento das traduções de forster entre nós. para fãs, pesquisadores e curiosos.

7 de nov de 2014

josé maria machado "tradutor"

se, em 1945, a intenção da brasiliense ao usar o nome de jorge amado - com seu conhecimento e provavelmente até com seu vivo empenho militante - era atrair os leitores com seu já famoso timbre de esquerda; se, no decorrer dos anos 1970, a intenção da record ao usar o nome de nelson rodrigues - com seu conhecimento e sabidamente recebendo "um dinheirinho" por isso - era atrair os leitores com seu já famoso timbre de "pornografia", por outro lado o caso do clube do livro, usando desde 1946 até 1988 o nome de josé maria machado, era mais, digamos, básico: simples economia e conveniência.

josé maria machado, correligionário integralista de mário graciotti, o fundador e proprietário do clube do livro, consta como pretenso tradutor de:

1944 (1987), gustave flaubert, madame bovary
1945 (1988), edgar allan poe, histórias extraordinárias 
1946, oscar wilde, o retrato de dorian gray (“j. machado”)
1947 (1988), honoré de balzac, mulher de trinta anos
1948, emily brontë, o morro dos ventos uivantes
1951, robert louis stevenson, o médico e o monstro
1952, octave feuillet, romance de um jovem pobre
1952, george sand, o charco do diabo
1952, oscar wilde, de profundis e uma mulher sem importância
1952, alexandre dumas, um ano em florença*
1953, walter scott, ivanhoé
1954, mark twain, as aventuras de tom sawyer 
1954, charles dickens, oliver twist
1955, cyrano de bergerac, viagem aos impérios do sol e da lua
1955, flavia steno, apaixonadamente
1956, alexandre dumas, o colar de veludo 
1956, charles dickens, uma aventura de natal (com tito marcondes)
1956, jacques futrelle, a máquina pensante
1956, jonathan swift, as viagens de gulliver
1956, théophile de gautier, a paixão de militona
1956, edgar allan poe, thingum bob
1957, george sand, a pequena fadette
1957, herman melville, moby dick
1958, charlotte brontë, o professor 
1958, victor hugo, os miseráveis (condensada, 516 pp.)
1960, o quarto vermelho*
1961, alexandre dumas, a loura huberta 
1961, françois rabelais, o gigante gargântua
1961, mark twain, as aventuras de huckleberry finn
1962, fenimore cooper, o último dos moicanos
1963, e. p. oppenheim, a torre 
1963, ivã turgueniev, o passaporte
1963, oscar wilde, o jovem rei
1964, kassima, a tártara*
1965, prosper mérimée, a serpente
1968, summer lincoln, a cicatriz
1969, charles dickens, tempos difíceis
1969, leon tolstoi, o diabo branco
1972, walter scott, a última torre
1974, alexandre dumas, homem de guadalupe
1976, honoré de balzac, uma paixão no deserto (com augusto dantas)
1977, anne brontë, a preceptora
1983, honoré de balzac, o renegado


obs.: os dois primeiros e o quarto títulos saíram como tradução anônima - apenas em data posterior, assinalada entre parênteses, surge o nome de josé maria machado. já o retrato de dorian gray foi a primeira obra trazendo a menção "traduzido especialmente para o clube do livro", que depois se tornaria habitual na casa.

atualização em 4/5/15: os títulos assinalados com asterisco foram indicados por francisco costa.


jorge amado "tradutor"

em 1945, recém-fundada a editora brasiliense, tendo à frente arthur neves e caio prado jr., jorge amado "emprestou" seu nome a uma série de traduções da coleção "ontem e hoje". são elas:



cheng-tcheng, minha mãe
naoshi tokunaga, rua sem sol
alexander nevierof, a cidade da fartura
boris lavrenev, vento
n. ognev, o diário de costia riabtsev
n. virta, solidão
cheng-tcheng, minha mãe e eu através da revolução chinesa
vsevolod ivanov, o trem blindado n. 14-69
constantino fedin, o sanatório do doutor klebe
ludwig renn, antes do amanhecer
isaac babel, cavalaria vermelha
lavrenev, o sétimo camarada

veja também jorge amado tradutor, I, aqui, e jorge amado tradutor II, aqui.


espoliados

estas são algumas das pessoas que tiveram suas traduções, notas, introduções surripiadas ao longo dos anos e publicadas em edições espúrias de editoras inescrupulosas. infelizmente, uma lista completa haveria de ser bem mais extensa:

a. ambrósio de pina, s. j.
adolfo casais monteiro
alberto ferreira
almiro rolmes barbosa
alsácia fontes machado
álvaro de pinto aguiar
álvaro ribeiro
antónio ferreira marques
antonio piccarolo
antônio pinto de carvalho
araújo nabuco
artur morão
bandeira duarte
bento prado jr.
"blasio demétrio" (pseud. de fúlvio abramo)*
boris schnaiderman
brenno silveira
bruno da ponte
cabral do nascimento
carlos chaves
carlos graieb
carlos porto carreiro
casimiro fernandes
christina amélia assis de carvalho
costa neves
denise bottmann
e. jacy monteiro
eça de queiroz
edgard cavalheiro
eglantina santi
erwin theodor rosenthal
eudoro de souza
eugênio amado
éverton ralph
felix sanchez
fernando de aguiar
fernando carlos de almeida cunha medeiros
floriano de souza fernandes
francisco inácio peixoto
frederico ozanam pessoa de barros
galeão coutinho
georges selzoff
gerd bornheim
godofredo rangel
guilherme de almeida
gulnara lobato
hebe caletti marenco
helga hoock quadrado
henrique lopes de mendonça
henrique marques ("pandemónio")
hernâni donato
ieda moriya
isabel sequeira
ivan emilianovitch schawirin
j. oliveira santos, s.j.
jacó guinsburg
jaime bruna
jamil almansur haddad
joão lopes alves
joão ângelo oliva neto
joão baptista de mello e souza
joão paulo monteiro
joaquim dá mesquita paul
joaquim machado
jorge camacho
josé duarte
josé tavares bastos
josé augusto drummond
josé laurênio de mello
josé marcos mariani de macedo
josé mendes de souza
juarez guimarães
júlio de matos ibiapina
leila villas boas gouvêa
leonel vallandro
leonidas hegenberg
leonor de aguiar
líbero rangel de andrade
líbero rangel de tarso
ligia junqueira smith
liliana rombert soeiro
lívio xavier
lourival de queiroz henkel
lúcia miguel-pereira
lúcio cardoso
luís de andrade
luís leitão
luísa derouet
luiz costa lima
luiz macedo
manuel dias duarte
manuel odorico mendes
marcílio marques moreira
marcos santarrita
margarida garrido esteves
maria beatriz nizza da silva
maria francisca ferreira de lima
maria helena rocha pereira
maria irene szmrecsányi
maria isabel gonçalves tomás
mário quintana
mécia mouzinho de albuquerque
milton amado
moacyr werneck de castro
modesto carone
monteiro lobato
"n. meira"
natália nunes
neide smolka
octany silveira da mota
octavio mendes cajado
olinda gomes fernandes
orlando vitorino
oscar mendes
"paulo m. oliveira" (pseud. de aristides lobo)*
paulo quintela
paulo rónai
pedro josé leal
péricles eugênio da silva ramos
raul de polillo
ricardo iglésias
rodrigo richter (provável pseudônimo)
ruth guimarães
sarmento de beires
sérgio milliet
silvio deutsch
silvio meira
sodré viana
suely bastos
tamás szmrecsányi
tito marcondes
tomé santos júnior
vera pedroso
vidal de oliveira
waltensir dutra
wilson lousada
wilson velloso
wladimir gomide
ymaly salem chammas

"blasio demétrio" era pseudônimo de fúlvio abramo, que traduziu vida nova na prisão, "juntamente com um outro preso", a saber, aristides lobo, que usava o pseudônimo de "paulo m. oliveira" - ver aqui

6 de nov de 2014

nelson rodrigues "tradutor"



Traduções falsamente creditadas a Nelson Rodrigues (editora Record, anos 70)

Harold Robbins:
79 Park Avenue
A mulher só
Escândalo na sociedade
Ninguém é de ninguém
O garanhão
O indomável
O machão
O pirata
Os herdeiros
Os implacáveis
Os insaciáveis
Os libertinos
Os sonhos morrem primeiro
Stiletto
Uma prece para Danny Fischer

Frank G. Slaughter:
Consciência de médico
Dilema de médico
Médico astronauta
Médico e amante
Médicos em conflito
Missão de médico
Mulheres de médicos
O fim da viagem
Um médico diferente

Charles Webb:
A primeira noite de um homem

Henry Sutton:
A exibicionista

Hugh Atkinson:
Os jogos proibidos

Morton Cooper:
O rei devasso

Polly Adler:
Uma certa casa suspeita

Xaviera Hollander:
Xaviera

sobre a história dessa prática adotada na editora record, vide aqui.


"k. d'avellar"

"k. d'avellar" (ou ainda k. de avelar e r. d'avellar) era um nome de fantasia que a editora h. garnier usou em vários plágios de tradução publicados pela casa, a partir de c.1906 até 1911. quando a h.garnier se transformou na livraria garnier, a partir de 1912, esses títulos continuaram a ser publicados pela nova empresa, alguns deles até a década de 1920.



K. D’AVELLAR (K. DE AVELAR; R. D’AVELLAR) – H. GARNIER

Walter Scott:
Quintino Durward, 1906
A prisão d’Edimburgo, 1906
Guy Mannering, ou, O astrólogo, 1908
Woodstock, 1909
O mosteiro, 1910
Anna de Geierstein, ou, A donzela do nevoeiro, 1911
Os desposados: novela tirada da historia das Cruzadas, 1911
(7 obras num total de 14 volumes publicados pela H.Garnier; os demais, anônimos)

Balzac:
Um conchego de solteirão (reaparecendo em 1968 na Pongetti, como tradução "revista por Marques Rebelo" – Beldemónio, 1887)
Illusões perdidas, c. 1908
História dos treze
Um começo de vida, 1909
A musa do departamento, 1910
A última encarnação de Vautrin, 1911

Dickens:
Aventuras do sr. Pickwick (Henrique Lopes de Mendonça, 1897)
Scenas da vida inglesa, 1908

Chateaubriand:
Atala; Renato; Derradeiro Abencerrage, 1906

Abbé Prévost:
História de Manon Lescaut e do cavalleiro Des Grieux, 1906


sobre a h. garnier, ver aqui

ainda a bibliotheca de auctores russos

que incrível! eu sabia, graças a uma informação do historiador dainis karepovs, que fúlvio abramo havia traduzido alguma coisa com georges selzoff, para sua "bibliotheca de auctores russos". mas não sabíamos, nem ele, nem eu, que obra teria sido.

menciono o fato, e a obscuridade que o rodeia, no artigo "georges selzoff: uma crônica", que saiu em tradução em revista, disponível aqui.

recentemente, a neta de fúlvio abramo, paula abramo, enviou gentilmente a mim uma foto do material de trabalho: a tradução a quatro mãos se referia, afinal, ao conto de alexandre kúprin, "o capitão rybnikoff".

interessante notar que essa tradução já em 1930 era anunciada no prefácio ao primeiro livro publicado na "bibliotheca" selzoffiana, qual seja, konovaloff, de maxim górki. dizia o editor ao final de seu introito: "É assim que já pusemos, sob uma nova luz, algumas das mais commovedoras novelas de Gorki e trabalhamos, febrilmente, na publicação, para muito breve, de traducções de Ivan Turguenieff, Leonide Andreieff, Alexandre Kuprin e Anton Tchecoff". todavia, tal como ocorreu com outras obras anunciadas pela casa, esse texto de kúprin nunca veio a ser publicado.



fica assim confirmada a informação de dainis karepovs, elucidada a identidade do texto e esclarecido mais um pequeno mistério da pioneiríssima iniciativa de georges selzoff, em sua divulgação da literatura russa traduzida diretamente do original.

5 de nov de 2014

jekyll e hyde no brasil

muito interessante o levantamento de ana júlia perrotti garcia: "as muitas traduções de jekyll e hyde no brasil", aqui.