7 de fev de 2018

a coleção rubáiyát


Em 1928, sai das gráficas da Imprensa Nacional, no Rio de Janeiro, a primeira tradução brasileira dos Rubáiyát de Omar Khayyam, feita por Octavio Tarquinio de Sousa (1889-1959), a partir da versão francesa de Franz Toussaint. Era uma “edição de 300 exemplares, em papel Vergé de Rives, numerados de 1 a 300, feita por conta do traductor”, e passou praticamente despercebida na imprensa da época.



Tendo a José Olympio Livraria e Editora se transferido de São Paulo para o Rio de Janeiro em 1934, onde contava com inúmeros contatos intelectuais e onde veio realmente a deslanchar como editora, em 1935 ela lança a segunda edição dos Rubáiyát traduzidos por Tarquinio, agora com uma tiragem de 1.500 exemplares, mais trinta exemplares em edição especial.

Em 1938, a José Olympio inicia uma coleção chamada “Série de Poemas Orientais” – seu primeiro volume: mais uma vez os Rubáiyat de Omar Khayyam, agora em sua terceira edição, com capa de Santa Rosa.

A “Série de Poemas Orientais” foi efêmera e com lançamentos a intervalos esporádicos: nascida em 1938, durou até 1942, com a publicação de sete títulos. Foram eles:

  1. Os já citados Rubáiyát, em tradução de Octavio Tarquinio de Sousa a partir de Franz Toussaint, em 1938 [3ª. ed.];
  2. O jardim das carícias, a partir de Franz Toussaint, em tradução de Adalgisa Nery, em 1938;
  3. O cântico dos cânticos, atribuído a Salomão, em “tentativa de versão portuguesa” de Augusto Frederico Schmidt, em 1938; 
  4. O Gitanjali, de Rabindranath Tagore, em tradução de Guilherme de Almeida, em 1939. (Essa tradução de Guilherme de Almeida fora lançada inicialmente em 1932, pela Companhia Editora Nacional.)

      5. O jardineiro, de Rabindranath Tagore, em tradução de Guilherme de Almeida, em 1939;
      6. A lua crescente, de Rabindranath Tagore, em tradução de Abgar Renault, em 1942;
      7. A flauta de jade (poesias chinesas), a partir de Franz Toussaint, em tradução de Mauro de                    Freitas, em 1942.


A Série de Poemas Orientais serviu, evidentemente, de sementeira para o projeto maior e mais consistente da Coleção Rubáiyát. A partir de 1943 adquire seu novo nome e dá andamento às publicações, tomando como base os sete títulos já publicados e partindo do volume n. 8. Muito caprichada, com o padrão de capa iniciado por Santa Rosa na Série de Poemas Orientais, em formato in-16, impressa em papel bouffon e belamente ilustrada ou com graciosas vinhetas, vinha em brochura e também em capa dura, com a lombada em couro marroquim se estendendo por três centímetros na frente e no verso da capa, com letras e vinhetas douradas.

A Coleção Rubáiyát, com este nome, se estendeu por quase vinte anos, de 1943 a 1961, e lançou 47 títulos num total de 50 volumes, embora de maneira um tanto salteada. Às vezes passavam-se dois ou três anos sem sair nada, a seguir vinham uns três ou quatro lançamentos; às vezes, eram relançamentos de títulos que já tinham saído alguns anos antes pela própria editora ou por outras – assim é que todos os sete títulos lançados na Série de Poemas Orientais entre 1938 e 1942 tiveram novas edições na Coleção Rubáiyát. Assim, a rigor seria legítimo considerar que ela se estendeu de 1938 a 1961.

O catálogo era variado: de início, concentrava-se na chamada “poesia oriental”, como, aliás, indicava o próprio nome da coleção. Outra linha na coleção que também se destacava, embora em menor escala, baseava-se em textos bíblicos, particularmente do Antigo Testamento: Jó, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos e outros.

A partir de certa altura, em 1944, surge na esteira da coleção um título com a indicação “volume extra-coleção”: era Flores das “Flores do Mal”, uma coletânea de 21 das flores baudelairianas selecionadas e traduzidas por Guilherme de Almeida. Este foi o primeiro título a romper a exclusividade orientalista da coleção, ainda que com a ressalva de ser “extra-coleção”.


Todavia, é a partir dele que se abre o leque editorial da Coleção Rubáyát: assim é que, por exemplo, já o volume subsequente é O vento da noite, poemas de Emily Brontë em tradução de Lúcio Cardoso. Aliás, o grupo de tradutores da Rubáiyát não deixava nada a desejar: além de Lúcio Cardoso e dos já citados Octavio Tarquínio de Sousa, Augusto Frederico Schmidt, Guilherme de Almeida, Abgar Renault e Adalgisa Nery,  havia traduções de Lúcia Miguel-Pereira, Geir Campos, Aurélio Buarque de Hollanda, Oswaldino Marques e outros.

Seguem abaixo, por ordem alfabética de autor, os títulos publicados na coleção e várias imagens de capa. Os sete títulos publicados antes na Série de Poemas Orientais trazem esse dado especificado entre colchetes, bem como o ano inicial de sua publicação. São 47 títulos (incluindo o florilégio extra-coleção acima citado), compondo ao todo 50 volumes.


Série de Poemas Orientais

1.      Khayyam, Omar, Rubáiyát. Trad. Octavio Tarquinio de Sousa, a partir de Franz Toussaint, 1938 [3ª. ed.].
2.      O jardim das carícias. Trad. Adalgisa Nery, a partir de Franz Toussaint, 1938.
3.      Bíblia. O cântico dos cânticos, atribuído a Salomão, em tradução de Augusto Frederico Schmidt, 1938.
4.      Tagore, Rabindranath , O Gitanjali. Trad. Guilherme de Almeida, 1939.
5.      Tagore, Rabindranath, O jardineiro. Trad. Guilherme de Almeida, 1939.
6.      Tagore, Rabindranath, A lua crescente. Trad. Abgar Renault, 1942.
7.      A flauta de jade. Trad. Mauro de Freitas, a partir de Franz Toussaint, 1942.

Coleção Rubáiyát

8.      Louys, Pierre. O amor de Bilitis (algumas canções). Trad. Guilherme de Almeida, 1943.
9.      Hafiz, Al-Din M. Os gazéis. Trad. Aurélio Buarque de Holanda, 1943 (porém constando o ano de 1944).
10.  Saadi. O jardim das rosas. Trad. Aurélio Buarque de Holanda, 1943 (porém constando o ano de 1944).
11.  Bíblia. O Livro de Job. Trad. Lúcio Cardoso, 1943. (Em princípio, teria sido Murilo Mendes o incumbido desta tradução. Por alguma razão não a fez, e assim ficou a cargo de Lúcio Cardoso.)
12.  Anônimo [Mahabharata]. Nalá e Damayanti. Trad. Luís Jardim, a partir de A. Fernand Harold, 1944.
13.  Kalidasa, A ronda das estações. Trad. Lúcio Cardoso, 1944. 

Volume extra-coleção: Baudelaire, Charles. Flores das “Flores do Mal” de Charles Baudelaire. Trad. Guilherme de Almeida, 1944. Edição bilíngue. Carvões de Quirino.

14.   Brontë, Emily. O vento da noite. Trad. Lúcio Cardoso, 1944. Ilustr. Santa Rosa.
15.  Toussaint, Franz. As pombas dos minaretes (Antologia islâmica). Trad. Aurélio Buarque de Hollanda, 1945. 
16.  Petrarca, Francesco. O cancioneiro de Petrarca. Trad. Jamil Almansur Haddad, 1945. Edição bilíngue.
17.  Tagore, Rabindranath. Colheita de frutos. Trad. Abgar Renault, 1945. 
18.  Whitman, Walt. Cantos de Walt Whitman. Trad. Oswaldino Marques, 1946.
19.  Hafiz e Saadi. Vinho, vida e amor. Trad. Aurélio Buarque de Hollanda, 1946.
20.  Tagore, Rabindranath. Pássaros perdidos. Trad. Abgar Renault, 1946.
21.  As palavras do Buddha. Trad. Guilherme de Almeida, 1948. [É o último a trazer o número do volume.]  
22.  Herold, A. Ferdinand. A grinalda de Afrodite – Epigramas amorosos da antologia grega. Trad. Valdemar Cavalcanti, 1949. [A partir deste volume, o nome da coleção passa a constar na capa e na página de rosto.]
23.  Amaru. Poemas de amor. Trad. Aurélio Buarque de Hollanda, a partir de Franz Toussaint, 1949. 
24.  Ramos, Alberto (org.). Nietzschiana. Trad. Alberto Ramos, 1949. 
25.  Bíblia. O Livro dos Provérbios, atribuído a Salomão. Trad. Pe. Antônio Pereira de Figueiredo, 1950. 
26.  Baudelaire, Charles. Pequenos poemas em prosa. Trad. Aurélio Buarque de Holanda, 1950.
27.  Lousada, Wilson (org.). Cancioneiro do amor – Os mais belos versos da poesia brasileira. Árcades, Românticos, Parnasianos. 1950.
28.  Bíblia. Eclesiastes. Trad. Pe. Antônio Pereira de Figueiredo, 1950. 
29.  Lousada, Wilson (org.). Cancioneiro do amor – Os mais belos versos da poesia brasileira. Simbolistas e Contemporâneos. 1952.
30.  Bíblia. O Livro da Sabedoria, atribuído a Salomão. Trad. Pe. Antônio Pereira de Figueiredo, 1952. 
31.  Haddad, Jamil Almansur. Odes anacreônticas. Trad. Jamil Almansur Haddad, 1952.
32.  Wilde, Oscar. Salomé. Trad. Dante Costa, 1952.
33.  Rilke, Rainer M. Poemas de Rainer Maria Rilke. Trad. Geir Campos, 1953.
34.  Aires, Matias. Reflexões sobre a vaidade dos homens, 1953.
35.  Shakespeare, William. A tragédia de Hamlet, Príncipe da Dinamarca. Trad. Péricles Eugênio da Silva Ramos, 1955.
36.  Mello, Thiago de. A lenda da rosa, 1955.
37.  Bíblia. Livro dos Salmos, ou Saltério. Trad. Pe. Antônio Pereira de Figueiredo, 1955.
38.  Bíblia. Sermão da Montanha. Trad. Frei João José P. de Castro, 1956. Ed. trilíngue, com o texto em grego e latim.
39.  Bandeira, Manuel. Poemas traduzidos (vários autores). Trad. Manuel Bandeira, 1956. 
40.  Almeida, Guilherme de. Camoniana. 1956.
41.  Marco Aurélio. Meditações. Trad. Lúcia Miguel-Pereira, 1957. 
42.  Yutang, Lin. A sabedoria de Confúcio. Trad. Geir Campos, 1958. 
43.  Stendhal. Do amor (Trechos escolhidos). Trad. Wilson Lousada, 1958. 
44.  Descartes, René. Discurso do método. Trad. João Cruz Costa, 1960.
45.  Shakespeare, William. Macbeth. Trad. Manuel Bandeira, 1961.
46.  Montaigne, Michel de. Seleta dos Ensaios (3 vols.). Trad. J. M. Toledo Malta, 1961.


 Série de Poemas Orientais, vols. 3 e 6


O amor de Bílitis, volume 8: início da Coleção Rubáiyát
A grinalda de Afrodite: a partir deste volume, o 22, o nome da coleção passa a constar na capa



Ilustração de Santa Rosa, Correio da Manhã, 29/7/1947


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